A Câmara de Vereadores de Santa Maria manterá as sessões presenciais, mesmo em bandeira vermelha. Pelo menos por enquanto Nesta quinta-feira (25), a sessão será às 10h.
O presidente da Casa, Coronel Vargas (Progressistas), alega que o Legislativo é importante e indispensável neste momento da pandemia “para cobrar ações do Executivo e fiscalizar”.
Vargas reiterou o que disse na semana passada, de que “a Câmara não poder parar”.
Ele afirma que a Mesa Diretora está tomando todas as precauções para evitar contaminações de vereadores e servidores pelo novo coronavírus.
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Dez servidores infectados, dois deles internados
A Casa tem pelo 10 pessoas infectadas, no segundo surto da Covid-19 registrado lá desde o ano passado. Sem falar em familiares.
Entre os infectados está um servidor, que, segundo informações, está internado em UTI, e o vereador Valdir Oliveira (PT), que está numa CTI do Hospital de Caridade, em Santa Maria.
Embora não se possa afirmar que os funcionários e o vereador contraíram o vírus no trabalho, um grupo de servidores entregou um documento ao presidente da Casa pedindo algumas providências.
“Quanto aos funcionários, estamos analisando para que fique bom para todos”, disse Coronel Vargas, ressaltando que a Câmara está adotando todas as medidas necessárias, como uso de máscara e disponibilização de álcool em gel.
Coronel Vargas também informou que nesta quinta, o Legislativo vai tomar algumas deliberações em relação ao expediente na Casa.
“A sessão (desta quinta) será normal, com início às 10h, e algumas comissões vão se reunir desde o início da manhã. Vamos ver como a gente vai atuar a partir da semana que vem, com alguma questão de troca de horário”, disse.
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“Risco não está nas sessões”, diz vereador que é médico
O vereador Werner Rempel (PC do B), que é médico, assumiu uma posição intermediária e diz que é improvável que os servidores tenham adquirido o vírus na Câmara.
Além disso, o vereador ressalta que os gabinetes estão funcionando com um assessor por dia, em sistema de rodízio.
Ainda segundo Werner, mesmo que os vereadores dividam mesas (são dois vereadores por mesa), todos usam máscara e higienizam as mãos com álcool em gel.
“Acho que o risco não está nas sessões (por causa desse não distanciamento ideal entre vereadores). Se fosse assim, teríamos que fechar todos os consultórios médicos e odontológicos”, pondera.
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Manifestantes na Casa
No entanto, Werner é contra a suspensão de sessões para receber manifestantes, como ocorreu na terça-feira (23).
Nesse dia, representantes de distribuidores de bebidas, empresas de eventos e de restaurantes, entre outros, foram até a Câmara.
Esses segmentos pediram a intervenção dos vereadores para a reversão de medidas restritivas de combate à Covid-19 adotadas pela prefeitura de Santa Maria.

Os manifestantes reclamaram, principalmente, contra o horário para estabelecimentos que têm que fechar até as 20h, alguns deles com atividade noturna.
“Sou contra interromper a sessão para receber pessoas, é antirregimental”, alega Werner, ponderando que, nesses casos, pode haver aglomerações e transmissão do vírus.
Por fim, o médico vereador acredita que a Câmara “tem que ligar a luz de alerta” quanto à pandemia.
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Líder do PSB defende sessões virtuais
Por outro lado, o vereador Danclar Rossato, líder do PSB, é favorável a que a Câmara de Vereadores de Santa Maria passe a realizar reuniões virtuais, temporariamente.
Danclar conta que já deixou clara sua posição em um grupo de WhatsAPP de vereadores por meio de um manifesto pela vida.
“Sempre tem aglomeração porque é a Casa do Povo, e isso é normal. Mas sempre tem pessoas frequentando até demais lá dentro e a transmissão é muito alta
“Em função de todo esse contexto, da superlotação dos hospitais, eu solicitei no grupo que as reuniões da Câmara fossem feitas online até que haja um retrocesso nas infecções em massa”, conta Danclara.
O prédio permaneceria aberto, porém com número reduzido de funcionários em forma de rodízio, e as sessões seriam online.

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