O governador Eduardo Leite (PSDB) confirmou na noite desta sexta-feira (18) a prorrogação da bandeia preta (altíssimo risco) para tentar conter o avanço descontrolado da pandemia de Covid-19.
Diante dos níveis críticos de ocupação de leitos e velocidade de propagação do coronavírus, o governador nunciou que todas as regiões serão mantidas em bandeira preta e sem cogestão regional pelo menos até dia 21 de março.
RS ajusta bandeira preta e restrições vão até 7 de março
Suspensão de atividades não essenciais vai até o fim do mês
A suspensão geral de atividades não essenciais, entre 20h e 5h, ficará vigente até 31 de março para reduzir a circulação de pessoas e, com isso, a circulação do vírus.
“Estamos numa situação muito crítica e que piora a cada dia. Mesmo com os esforços de ampliação de leitos, a velocidade de propagação do vírus e a velocidade do aumento das internações hospitalares é enorme, muito maior do que tivemos nos momentos críticos do ano passado”, disse Leite.
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Internações saltaram de 2,6 mil para 7,2 mil entre os picos
Segundo o governador, em cada um dos picos de julho e novembro, o RS chegou a 2,6 mil pacientes internados em leitos clínicos e de UTI. Agora, são mais de 7,2 mil pessoas hospitalizadas por Covid-19.
A alta taxa de internações é agravada pela velocidade cinco vezes superior na variação diária de hospitalizações
Se antes cerca de 60 leitos eram ocupados por dia, agora, são, em média, 350 pacientes a mais diariamente.
Como essa variação (diferença entre número de pacientes que entraram e saíram de internações), que começou na metade de fevereiro e segue aumentando, significa que o pico ainda não foi alcançado e que, mesmo depois de alcançá-lo, ainda haverá maior demanda por leitos.
Ele sinalizou que poderá retomar a cogestão a partir de 22 de março se as transmissões forem contidas. A cogestão permite protocolos menos rígidos que os previstos em cada cor de bandeira.
Governo estuda ajudar empresas mais impactadas
Além disso, Leite anunciou a possibilidade de apoiar os empreendedores mais impactados pelas restrições, principalmente quanto às obrigações tributárias. Isso, no entanto, ainda será estudado pelo governo.
Nesta 44ª rodada, a média para 19 das 21 regiões Covid foi superior a 2,50, o que representa bandeira preta. As exceções foram Bagé e Pelotas, que ficaram com notas compatíveis ao nível de bandeira vermelha.

No entanto, as duas também ficaram em preto devido ao acionamento da salvaguarda que está em vigor desde a semana passada.
Segundo a regra, a bandeira de nível máximo é aplicada a todas as regiões quando a razão de leitos livres de UTI sobre leitos ocupados por Covid em UTI seja menor ou igual a 0,35 a nível estadual.
Nesta rodada, a taxa ficou negativa, em -0,01, porque a ocupação excedeu os 100%, e bem abaixo da semana anterior, quando a razão ficou de 0,17.
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Indicadores que chamam a atenção
Entre os indicadores que mais chamam a atenção nesta rodada, está o aumento no número de internados em leitos clínicos (+58%) e em UTIs (+50%) e nos óbitos por Covid-19 (+61%).
Mesmo com o aumento de 10% no número total de leitos de UTI existentes no Estado e da redução significativa dos internados por outras doenças, a elevação dos pacientes com Covid em UTI fez com que o número de leitos livres se tornasse negativo.
Esse quadro, conforme o governo estadual, indica operação acima da capacidade hospitalar.
Cresce pressão contra restrições da bandeira preta
DESTAQUES DA 44ª RODADA: O CENÁRIO DA PANDEMIA NO RS
• número de novos registros semanais de hospitalizações confirmadas com Covid-19 aumentou 9% entre as duas últimas semanas (de 2.589 para 2.818);
• número de internados em UTI por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) aumentou expressivamente em 45% no Estado entre as duas últimas quintas-feiras (de 1.527 para 2.220);
• número de internados em leitos clínicos com Covid-19 no RS aumentou expressivamente em 58% entre as duas últimas quintas-feiras (de 2.667 para 4.204);
Bandeira preta: Governo alerta para medidas ainda mais drásticas
• número de internados em leitos de UTI com Covid-19 no RS aumentou expressivamente em 50% entre as duas últimas quintas-feiras (de 1.343 para 2.015);
• número de leitos de UTI adulto livres para atender Covid-19 no RS reduziu expressivamente em 111% entre as duas últimas quintas-feiras (de 229 para déficit agregado no Estado de 25 leitos de UTI);
• número de casos ativos aumentou 54% entre as últimas semanas consideradas (de 24.297 para 37.456);
• número de registros de óbito por Covid-19 aumentou expressivamente em 61% entre as duas últimas quintas-feiras (de 541 para 872).
Comparativo: situação entre 4 de fevereiro e 4 de março
• número de novos registros semanais de hospitalizações confirmadas com Covid-19 aumentou 260% entre as duas últimas semanas (de 783 para 2.818);
• número de internados em UTI por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) aumentou 129% no Estado no período (de 970 para 2.220);
• número de internados em leitos clínicos com Covid-19 no RS aumentou 366% no período (de 902 para 4.204);
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• número de internados em leitos de UTI com Covid-19 no RS aumentou 148% no período (de 813 para 2.015);
• número de leitos de UTI adulto livres para atender Covid-19 no RS reduziu 104% no período (de 697 para déficit agregado no Estado de 25 leitos de UTI);
• número de casos ativos aumentou 92% no período (de 19.470 para 37.456);
• número de óbitos por Covid-19 acumulados em 7 dias aumentou 178% no período (de 314 para 872).
• Clique aqui e acesse o levantamento completo da 44ª rodada do Distanciamento Controlado.
(Com informações do governo do RS)

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