Mesmo com as medidas de restrição adotadas pelo governo do Estado, a pandemia de Covid-19 continua avançando. Em apenas sete dias, o RS teve 1.343 mortes pelo novo coronavírus.
Na quinta-feira (11), o RS bateu recorde no número diário de mortes, com 276 óbitos confirmados em apenas 24 horas.
Todos os 11 indicadores monitorados pioraram nesta semana, entre eles, o número de mortes, que aumentou 54%.
Por isso, o governo estadual emitiu novo alerta e manteve a classificação do Rio Grande do Sul em bandeira preta.
Mesmo que o governo estadual tenha prorrogado a bandeira preta pelo menos até o próximo dia 21(domingo da próxima semana), o comitê gestor continua avaliando os indicadores do distanciamento social.
Duas mil mortes por Covid pelo terceiro dia seguido
Enquadramento na bandeira preta
Conforme o Palácio Piratini divulgou na noite desta sexta-feira (12), pela terceira semana consecutiva, o RS está em bandeira preta, que significa que o Estado continua em nível de risco máximo para a Covid-19.
Os indicadores da 45ª rodada do distanciamento social controlado que o Estado divulgou nesta sexta demonstram a pressão sobre a capacidade de atendimento hospitalar no Estado.

Entre os números negativos que o governo gaúcho destaca estão novas hospitalizações, com aumento de 19%.
As internações em leitos clínicos cresceram 27% na semana, enquanto que os internados em UTIs tiveram um aumento de 19%.
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Medidas restritivas são necessárias
Por conta desse cenário e para conter a piora dos indicadores, o governador Eduardo Leite (PSDB) antecipou na semana passada que todo o RS permaneceria em bandeira preta pelo menos até 21 de março.
Leite também suspendeu a cogestão, sistema que permitia que as prefeituras flexibilizassem medidas restritivas.
Em reunião com representantes de setores empresariais nesta sexta, a secretária da Saúde, Arita Bergmann, ressaltou que as regras mais rígidas são temporárias e são necessárias diante da impossibilidade de parar o vírus até que se tenha a expansão da vacinação.
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Mesmo com mais leitos, RS não evitou superlotação
Apesar do aumento de 3% no total de leitos de UTI e a redução de internados por outras causas, os casos de Covid-19 em UTI fizeram com que se mantivesse quase a totalidade dos leitos de UTI no RS ocupados.
As internações ocorrem, inclusive fora dos leitos regulares, o que indica operação acima da capacidade indicada em algumas regiões.
Por conta desse índice, o governo acionou, mais uma vez, a salvaguarda que aplica automaticamente a bandeira de nível máximo a todas as regiões.
Nesta rodada, novamente teriam ficado em bandeira vermelha (nota abaixo de 2,50) apenas duas regiões: Bagé (2,41) e Pelotas (2,31).
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Uns pagam pelos outros
No entanto, explica o governo, a regra tem o objetivo de evitar colapso da regulação de leitos e garantir a possibilidade de transferência de doentes.
Na 43ª rodada (divulgada em 26 de fevereiro), o Estado tinha 229 leitos livres para atender Covid.
Na semana passada (44ª rodada, dia 5 de março), esse número passou a ser negativo, com déficit de 25 leitos. Agora, apresenta falta de 213 leitos de UTI.
“Para se ter uma ideia, há 30 dias, tínhamos 800 pessoas em leitos de UTI confirmadas com Covid. Passamos para 2,4 mil pessoas em 30 dias.
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Criar leitos não é suficiente
Se esse ritmo continuasse, teríamos de triplicar o número de leitos, o que é inviável. Esse é o tamanho do nosso drama”, afirmou o governador.
Pelos dados do governo estadual, o RS ampliou em 137% a capacidade hospitalar desde o início da pandemia.
Há, ainda, a previsão de abertura de mais 183 leitos de UTI para pacientes de Covid-19 nos próximos 10 dias no RS.
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Abrir leitos não resolve problemas
Por outro lado, Leite ressalta que nenhum país conseguiu superar o coronavírus ou conviver com o vírus apenas com aumento de leitos.
Nesse sentido, o governador lembrou que a vacina é a solução efetiva para conter a pandemia. No entanto, como a vacinação anda a passos lentos no Brasil, Leite afirma que o Estado não pode abrir mão de medidas restritivas.
“Sempre tenho claro que saúde e a vida precisam vi acima de qualquer outra coisa, especialmente em um momento crítico como esse que estamos vivendo”, ponderou o governador.
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Resultados em três semanas
A secretária Arita Bergmann destaca que as duas semanas de bandeira preta no RS trazem esperança, embora a circulação e pessoas continue alta.
Arita acredita que, num primeiro momento, não seja possível perceber a queda de mortes na próxima semana devido ao tempo de atuação no vírus.
“Mas esperamos que na terceira semana a gente possa colher os frutos dos sacrifícios”, diz a secretária.
• Clique aqui e acesse a nota técnica com as justificativas de classificações das regiões.
O CENÁRIO DA PANDEMIA NO RS
• Número de novos registros semanais de hospitalizações confirmadas com Covid-19 aumentou 19% entre as duas últimas semanas (de 2.818 para 3.367)
• Número de internados em UTI por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) aumentou expressivamente em 15% no Estado entre as duas últimas quintas-feiras (de 2.220 para 2.563)
• Número de internados em leitos clínicos com Covid-19 no RS aumentou expressivamente em 27% entre as duas últimas quintas-feiras (de 4.204 para 5.352)
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• Número de internados em leitos de UTI com Covid-19 no RS aumentou expressivamente em 19% entre as duas últimas quintas-feiras (de 2.015 para 2.392)
• Número de leitos de UTI adulto livres para atender Covid-19 no RS é zero. No agregado do Estado o déficit de leitos aumentou de 25 para 213 entre as duas últimas quintas-feiras
• Número de casos ativos aumentou 41% entre as últimas semanas consideradas (de 37.456 para 52.884)
• Número de registros de óbito por Covid-19 aumentou expressivamente em 54% entre as duas últimas quintas-feiras (de 872 para 1.343)
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Comparativo: situação entre 12 de fevereiro e 11 de março
• Número de novos registros semanais de hospitalizações confirmadas com Covid-19 aumentou 296% entre as duas últimas semanas (de 851 para 3.367)
• Número de internados em UTI por SRAG aumentou 119% no Estado no período (1.171 para 2.563)
• Número de internados em leitos clínicos com Covid-19 no RS aumentou 229% no período (de 1.627 para 5.352)
• Número de internados em leitos de UTI com Covid-19 no RS aumentou 143% no período (de 985 para 2.392)
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• Número de leitos de UTI adulto livres para atender Covid-19 no RS reduziu 145% no período (de 476 para um déficit agregado no Estado de 213 leitos de UTI)
• Número de casos ativos aumentou 188% no período (de 18.381 para 52.884)
• Número de óbitos por Covid-19 acumulados em sete dias aumentou 268% no período (de 365 para 1.343)
Clique aqui e acesse o levantamento completo da 45ª semana do Distanciamento Controlado.

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