Uma ação de fiscalização dos vereadores Tony Oliveira (PSL), Roberta Leitão (Progressistas) e Rudys Rodrigues (MDB) na UPA 24h de Santa Maria resultou em uma série de denúncias sobre o atendimento no local e em um boletim de ocorrência contra os três parlamentares. Eles teriam entrado na ala de atendimento à Covid-19 sem autorização.
Na tarde de domingo (11), Tony, Roberta e Rudys se encontraram na UPA, segundo eles, sem combinarem. Cada um foi verificar denúncias de pacientes sobre o atendimento na unidade.
Os vereadores alegaram que estavam fiscalizando a UPA e começaram a conversar com as pessoas que aguardavam consulta. Eles também pediram a escala de médicos e funcionários.
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No entanto, a administradora da UPA, Manuela Borba Trevisan, registrou Boletim de Ocorrência (BO) na Delegacia Online RS, acusando Tony, Roberta e Rudys de “perturbação de trabalho”.
Conforme diz o BO, os três vereadores “constrangeram e coagiram a equipe médica e de enfermagem que estava trabalhando naquele momento, causando, assim, tumulto na UPA”.
Ainda de acordo com o BO, Tony, Roberta e Rudys teriam entrado na unidade “sem qualquer autorização” para filmar pacientes e funcionários”, o que teria “desestabilizado” a equipe.
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Parlamentares chamaram a Brigada para tentar escala do plantão
Igualmente, nos relatos dos parlamentares, eles também chamaram a Brigada Militar e fizeram uma ocorrência pela recusa da UPA de repassar a escala dos plantonistas no domingo.

O Paralelo 29 contatou os três vereadores, por meio de suas assessorias e diretamente pelo WhatssApp,
Tony e Rudys enviaram notas em que reiteram as denúncias feitas em relação à UPA, mas pouco se manifestam sobre a acusação de que eles e Roberta teriam entrado na unidade sem autorização e atrapalhado o trabalho de médicos e enfermeiros”.
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Vereadores falam sobre o BO
“O que nos chamou a atenção é que foi negada por parte da administração da UPA a verificação da escala de funcionários”, diz trecho da nota de Tony.
Na gravação feita no domingo, Tony diz que a intenção do grupo era simplesmente fiscalizar a UPA com base nas denúncias que os vereadores receberam.
“Recebemos um ataque alterado da médica plantonista e (de) alguns profissionais, nos acusando de estarmos atrapalhando o andamento do trabalho deles. Ressalto que nosso trabalho é fiscalizar e cobrar os serviços desta cidade”, afirma Rudys em parte da nota enviada ao site.

Roberta enviou áudio para o Paralelo 29. A vereadora foi a que mais falou sobre o episódio. De acordo com a parlamentar, desde o início a direção da UPA sabia que a intenção era averiguar denúncias feitas pela população.
Por isso, Roberta Leitão entende que o registro policial contra eles é uma tentativa de desviar o foco das denúncias.
“Só posso pensar que seja para inverter uma narrativa, algum discurso do que nós mostramos, da realidade calamitosa em que a UPA se encontrava ontem (domingo)”, disse a vereadora.
Questionamentos também ao Executivo e à UPA
Da mesma forma, o Paralelo 29 enviou questionamentos à prefeitura de Santa Maria e à direção da UPA para repercutir tanto a ação dos vereadores quanto as denúncias deles e da neta de uma paciente.
A prefeitura enviou nota falando em nome da administração municipal e da UPA tanto sobre a fiscalização quanto em relação às denúncias.
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(O Paralelo 29 questionou os vereadores sobre a acusação de terem entrado na UPA sem autorização. As notas foram mantidas na íntegra, sem qualquer alteração de conteúdo. O site também questionou a prefeitura e a UPA. As respostas foram divididas em duas partes, a primeira sobre a ação , e a segunda, sobre as denúncias)
TONY OLIVEIRA (PSL)
“No domingo- dia 11/04, o vereador Tony Oliveira se dirigiu até a UPA 24h, após receber algumas denúncias.
No local, encontrou os parlamentares, Roberta Leitão e Rudys Rodrigues. Juntos os vereadores presenciaram o contraste enorme de pacientes e usuários e o baixo número de profissionais, sendo apenas um médico plantonista e poucos técnicos.
Entre as maiores reclamações seguia a demora nos atendimentos com casos de oito ou mais horas de espera e de idosos com Covid-19 que aguardavam em uma cadeira há dois e quatro dias por um leito clínico.
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O que nos chamou a atenção é que foi negada por parte da administração da UPA, a verificação da escala de funcionários, neste momento nossa assessoria entrou em contato com a Brigada Militar, onde foi feito um Boletim de Atendimento, explicando o ocorrido naquela tarde. Ficamos até as 20 horas aguardando a escala dos servidores, mas não obtivemos êxito.
Vale ressaltar, que a cláusula 4ª dos compromissos das partes do Convênio celebrado entre a Prefeitura Municipal e a SEFAS, são obrigações do convenente garantir, em exercício nas unidades de Saúde referidas neste convênio, quadro de recursos humanos qualificados e compatíveis com o porte da unidade e serviços combinados conforme estabelecido nas normas ministeriais”.
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RUDYS RODRIGUES (MDB)
“No último domingo, dia 11.04.2021 por volta das 14h, estive na UPA, centro de atendimento do Covid19, depois de receber várias denúncias da comunidade e de profissionais da saúde de lá.
Coincidentemente na ocasião encontrei a colega Vereadora Roberta Leitão e o Colega Vereador Tony Oliveira, onde juntos passamos a tarde de domingo lá nos deparando com situações de calamidade na saúde no setor que é o centro de referência de atendimento para o covid19.
Percebemos que na tarde de domingo tinha uma única médica plantonista, poucos enfermeiros e uma demanda gigante de pacientes esperando por horas um atendimento.
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Uma tenda de triagem que na verdade não ficou muito clara a utilidade pois no final do processo os pacientes com suspeitas de Covid19 e outros diagnósticos ficam todos juntos, sujeitos a se contaminarem quem não está com o vírus.

Em uma sala tinham idosos há 4 dias ou mais sentados em cadeiras, com atendimento uma vez por dia e implorando por leito clínico.
Uma senhora de 81 anos, inclusive, com a saturação baixíssima e suas netas há seis dias a espera de um leito clinico, senhora essa que enquanto estávamos lá teve uma grave complicação.
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Diante desse caos solicitamos a coordenadora da UPA para ver a escala de trabalho e essa informação nos foi negada, claro que orientados por alguém por, e isso só nos levou a crer que a escala apresentava falhas pelo poucos números de médicos em um período onde a demanda está esgotada.
Então entramos em contato com a Brigada Militar para registrar o fato de omissão dessa informação a nós, fiscais do povo, entramos em contato com o líder de governo, presidente da comissão de saúde da Câmara de Vereadores, secretário de saúde para tentarmos amenizar essas situações e fazer alguns encaminhamentos de urgência para esses pacientes.
Recebemos um ataque alterado da médica plantonista e alguns profissionais, nos acusando de estarmos atrapalhando o andamento do trabalho deles.
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Deixamos claro que entendemos a forma com que se dirigiram a nós por estarem extremamente esgotados já que a demanda de atendimento era grande e o número de profissionais inferior ao necessitado.
Ressalto que nosso trabalho é fiscalizar e cobrar sobre os serviços dessa cidade. Não queremos atacar ou criticar o trabalho dos profissionais de saúde que estão exaustos e esgotados.
Queremos buscar alternativas que melhore tanto para o profissional da saúde quando para a comunidade. E essas alternativas queremos da gestão, do sistema e dos responsáveis pelo combate a pandemia no nosso município.
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Eu me coloco a disposição para ajudar e colaborar no que for preciso para juntos combatermos a pandemia e melhorarmos o sistema de saúde que realmente está em colapso em Santa Maria.
Continuarei exercendo a minha função, que é fiscalizar para que os serviços dessa cidade sejam entregues a comunidade com o mínimo de respeito, ética e humanidade.
Estou a disposição para sanar qualquer tipo de duvidas quanto ao meu trabalho e empenho na casa do povo”.
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ROBERTA LEITÃO (PROGRESSISTAS)
A vereadora enviou áudio com sua versão sobre a ação de fiscalização.
“Na verdade, sobre esse boletim de ocorrência, não posso falar grande coisa, eu não recebi esse boletim de ocorrência, eu não fui citada oficialmente, não recebi o documento.
O que posso dizer é que, me causa uma estranheza gigantesca essa notícia, porque, em todos os momentos em que nós, vereadores, estivemos lá, nós deixamos claro para a diretora da UPA, para a enfermeira que estava no turno, que nós estávamos ali também por eles, também por uma qualidade de trabalho para eles.
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Também, porque colegas deles nos mandaram reclamações, queixas, denúncias de que as condições de trabalho na UPA são desumanas, de que não tem equipe suficiente, de que fica uma única pessoa responsável por setor, tem um responsável pela medicação… Os próprios funcionários nos mandaram denúncias.
Então, me causa estranheza gigantesca desses fatos. Só posso pensar que seja para inverter uma narrativa, algum discurso do que nós mostramos, da realidade calamitosa em que a UPA se encontrava ontem (domingo).
Era uma questão de miséria humana aqueles pacientes, era uma coisa muito triste. Se vocês olharem a live, vão ver a situação da dona Leontina, é toda contada na live.
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Hoje, ainda está, acho interessante vocês irem até lá fazer um visita investigava. Hoje, ainda está lá seu Ivo Guera, um senhor de 90 anos, diabético, hipertenso, que depende de hemodiálise para sobreviver.
E ele ainda está lá nas cadeiras no setor de atendimento com mais pacientes, acho que mais 10 ou 15 pessoas, o seu Ivo está só fazendo oxigênio. É uma situação desumana não só para os pacientes.
Desumana para os médicos, para os atendentes. Ontem (domingo) tinha uma única médica para consultas, a sala de espera não esvaziou nunca.
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Eu cheguei às 13h40min e fui embora acho que já eram 9h (21h). Isso é desumano para quem trabalha também.
Por isso, fico chocada com essa informação que recebi da imprensa, desse boletim de ocorrência.
A maior parte das pessoas estava ali há mais de seis, oito horas. É uma situação de calamidade“.
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NOTA DA PREFEITURA E DA UPA SOBRE A AÇÃO DOS VEREADORES

Sobre a situação envolvendo a presença dos vereadores, foi registrado um boletim de ocorrência policial por perturbação do trabalho e sossego alheio, já que, segundo os vereadores, eles compareceram ao local com o intuito de fiscalizar, mas, acabaram por constranger a equipe médica e de enfermagem que trabalhava no momento, inclusive, gravando vídeo com os servidores sem autorização.
A direção da UPA segue comprometida em proporcionar a melhor experiência e cuidado com os pacientes e reconhece o esforço imenso que sua equipe de multiprofissionais vem fazendo nesse sentido.
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Todo o paciente que chega à unidade é atendido, e os casos que necessitam de internação clínica ou de UTI são colocados no sistema, chamado Gerint, para serem encaminhados aos hospitais referenciados na rede SUS.
Entretanto, na pandemia, com lotação máxima ocupada e sem vagas nos hospitais, muitos pacientes acabam ficando na UPA, que deveria ser um local de passagem. Portanto, o local vem, em várias oportunidades, sendo ocupado de forma permanente”.
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Em vídeo, denúncias sobre o atendimento na UPA
Em um vídeo, os vereadores relatam demora no atendimento de pacientes, falta de médicos e irregularidades na triagem (pessoas com Covid-19 ou sintomas estariam junto a pacientes que buscam a UPA para outras enfermidades).
Ainda segundo o vídeo, os médicos estariam receitando para doentes de Covid-19 basicamente medicamentos para febre e anti-inflamatórios e os orientando a irem para casa.
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Neta diz que avó ficou quatro dias esperando atendimento
Para sustentar esse argumento, os vereadores gravaram depoimento de uma mulher que estava acompanhando a avó desde quinta-feira (8) à noite.
A idosa de 81 anos de idade, conforme a neta, foi direto para a observação, sendo que de sexta (9) para sábado (10), não havia médico. No domingo à tarde, “após quatro dias de espera”, ela ainda aguardava um leito.
Segundo o depoimento gravado em vídeo, a neta informou que a situação da avó “estava piorando” e que a única informação que tinha era a de que a idosa seria entubada.
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A peregrinação começou quando a idosa passou mal no domingo anterior, 4 de abril, ocasião em que teria sido atendida em uma unidade do bairro Tancredo Neves.
Lá, conforme a acompanhante, o diagnóstico preliminar teria sido de infecção intestinal. A paciente foi medicada com soro.
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Acompanhante reclama de médico
Porém, em casa, a situação piorou e a família providenciou o teste de Covid-19. Com o resultado positivo, foram à UPA, ainda em 4 de abril.
“O médico passou remedinho para febre e um anti-inflamatório”, contou a neta, que chorou no final do depoimento gravado pelos vereadores.
O trio de vereadores fez, ainda, questionamentos e críticas à prefeitura de Santa Maria, em particular à Secretaria de Saúde.
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RESPOSTA DA PREFEITURA E DA UPA SOBRE AS DENÚNCIAS
“A direção da Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) informa que, no domingo, 11 de abril, havia quatro médicos trabalhando na unidade.
A escala, geralmente, prevê seis médicos, porém, nesse dia, dois médicos não compareceram, pois, avisaram, no próprio domingo, que haviam testado positivo para Covid-19.
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Além da equipe médica, em 11 de abril, trabalharam quatro enfermeiros e nove técnicos em enfermagem.
A tenda montada do lado de fora da instituição, como já divulgado anteriormente, funciona como uma estrutura de pré-triagem, onde ficam pacientes clínicos de outras enfermidades à espera de atendimento, justamente para evitar o contato com pacientes com síndrome respiratória que aguardam atendimento dentro da unidade.
No referido domingo, não havia pacientes na tenda porque os casos que chegaram à UPA eram de síndrome respiratória e estavam em atendimento na área interna.”

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