O ingresso do advogado e empresário Evandro de Barros Behr no Progressistas (PP) é o fato político da semana.
Anunciada nesta terça-feira (4) pelo presidente da sigla em Santa Maria, Mauro Bakof, a filiação dá ao partido um nome com chances de ser competitivo para a prefeitura em 2024.
O ato pode até ter passado batido por muitos ou não ter provocado grande repercussão até mesmo devido ao momento atual.
Tanto pela pandemia como ser ainda época de ressaca eleitoral, os partidos não têm realizado grandes movimentações.
Até por isso, não há como negar que essa filiação começa a mexer com o tabuleiro político local.
MEXENDO NO TABULEIRO
Se Behr será ou não candidato a deputado (estadual ou federal) no ano que vem, ainda não se sabe ou pelo menos não foi dito publicamente.
Agora, não há dúvidas de que o Progressistas (se mantiver esse nome até lá) está de olho na cadeira do prefeito Jorge Pozzobom (PSDB) daqui há três anos e alguma coisa.
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SONHO DO PROGRESSISTAS
Aliás, Evandro, que é filho do ex-prefeito Evandro Behr (1989-1992), era o sonho do Progressistas e, também, de outras siglas.

O MBD o queria, o DEM, o PL e outros, mas Evandro foi parar no Cidadania, sigla que, convenhamos, não tem lá muito a ver com a origem partidária da família Behr, que foi Arena, PDS, PPR, PPB e PP, todos antecessores do Progressistas. O pai, Evandro, foi prefeito pelo PDS.
Por outro lado, o Cidadania é um partido criado pelo ex-deputado Roberto Freire e remanescente do PPS (Partido Popular Socialista) e de pedaços do antigo PCB (Partido Comunista Brasileiro).
E Behr tem pensamento liberal que conflita, em certo ponto, pelo menos, com o ideário social-democrata do seu ex-partido.
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NO PARTIDO ERRADO
Já na campanha eleitoral, o editor conversou com algumas figuras importantes do Progressistas.
Um deles disse: “O Evandro tá num partido comunista, lá não tem chance. Se ele fosse o candidato do Progressistas, seria o prefeito de Santa Maria”.
Esse mesmo dirigente nunca desistiu de ter Evandro filho nas fileiras do Progressistas, assim como o presidente do partido, Mauro Bakof.
Por isso, sabia-se que a ida de Evandro para o Progressistas seria uma questão de tempo, conforme o Paralelo 29 havia antecipado.
Na campanha mesmo ele chegou a dizer que foi para o Cidadania porque outras siglas não lhe abriram portas para concorrer.
CECHIN DEU A DICA
Na noite da apuração dos votos do segundo turno, o editor esteve na casa do então candidato a prefeito pelo Progressistas, Sergio Cechin.
E lá estava Evandro consolando o então vice-prefeito, candidato que decidiu apoiar no segundo turno.
Desolado com a derrota para Pozzobom, Cechin passou a mão no ombro de Evandro e comentou com este colunista: “Esse moço aqui vai longe, ainda vai ser prefeito”.
Alguém acredita que essa manifestação de Cechin foi só para agradar o então aliado de segundo turno? Estaria nascendo ali (ou ganhando corpo) um projeto para o Progressistas reconquistar a prefeitura?
Parece que sim.
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PONTOS FORTES E PONTOS FRACOS
Uma candidatura de Evandro de Barros Behr à prefeitura de Santa Maria tem seus pontos fortes e seus pontos fracos.
Um dos pontos fortes é o fato de Evandro ser herdeiro político do pai, reconhecido como um bom gestor e até visionário para muitos.
O problema é que essa ligação política com a administração do pai vai se perdendo com o passar do tempo.

Em 2000, quando concorreu a vice de Cezar Schirmer (PMDB), Evandro era visto como capaz de “agregar valor” à candidatura peemedebista.
Mas em 2024, serão 32 anos entre passado e presente.
Não se trata de negar que o ex-prefeito deixou uma marca na cidade. Só que essa marca pode não dizer absolutamente nada ou muito pouco para os eleitores mais jovens.
Afinal, quem lembra da Rua 24 Horas e do Camelódromo? Alguém votará em Evandro porque o pai construiu aquele complexo cultural onde está a Biblioteca Pública?
Ou o viaduto do Centro, que leva seu nome? E que foi a obra mais polêmica de sua administração. É muito pouco provável.
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NA MENTE DOS MAIS VELHOS
Porém, não se pode ignorar que eleitores na faixa de 40 e poucos anos em diante irão lembrar do ex-prefeito e de suas principais realizações.
Mas isso não será suficiente e o discurso de Evandro terá que incorporar outros elementos.

Na campanha do ano passado, o advogado fez várias referências ao pai, e isso possivelmente tenha ajudado o advogado a conquistar 7.369 votos.
Mesmo que tenha sido o último colocado em uma disputa entre seis candidatos, há que se levar em conta algumas situações.
Primeiramente, o fato de ter sido uma eleição polarizada entre prefeito e vice. Em segundo lugar, havia candidatos que já tinham concorrido ao cargo de prefeito na eleição anterior.
E terceiro, havia partidos tradicionais e mais consolidados que o pouco conhecido Cidadania.
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NOVA ROUPAGEM
Para encerrar esta análise, há quem diga que Evandro perdeu tempo. Alguns chegam a avaliar que ele deixou passar seu tempo.
Ou seja, deveria ter aproveitado seu ingresso na política, lá em 2000, e ter se firmado. Na época, o fato de ser herdeiro político do pai tinha mais apelo.

Depois de ser candidato a vice de Schirmer, ele tentou ser deputado estadual. Não conseguiu e sumiu da política por um período demasiadamente longo, retornando somente em 2020.
Em política há uma premissa: não se pode nunca deixar de fazer campanha, de estar junto do eleitor.
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Esses anos todos em que esteve afastado da vida partidária ou mesmo de ações políticas apartidárias foram um dificultador.
Sempre lembrando que o eleitor também avalia o desempenho de políticos em cargos públicos ou mesmo na gestão de empresas privadas. E aí também fica uma lacuna.
PERFIL QUE AGRADA AO EMPRESARIADO E À CLASSE MÉDIA
O colunista avalia que Evandro tem chance de se apresentar como um concorrente competitivo em 2024.
Isso porque ele será relativamente jovem e tem um perfil que agrada amplos setores do empresariado e da classe médica local.
Em princípio, Evandro seria um nome sem resistências e com potencial a ser trabalhado.
Porém, evidentemente, com uma roupagem nova, mais assumidamente liberal na economia e tradicional em termos de costumes ao gosto de parte significativa do eleitorado local.
E mais que isso: apresentar-se como um candidato a prefeito capaz de realizar ações e obras de impacto caso eleito.
Será isso que seu novo partido vai lhe oferecer? A conferir.