A Secretaria Estadual da Saúde (SES) e o Conselho das Secretarias Municipais de Saúde (Cosems) decidiram recomendar que as prefeituras usem as xepas ou sobras, que doses excedentes de vacinas da Covid-19 para avançar na vacinação dos gaúchos.
A decisão foi anunciada nesta quarta-feira e vale como orientação para a realidade de cada município a fim de que a vacinação seja ampliada para outros grupos prioritários, conforme define o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação (PNO).
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Xepa pode ajudar a imunizar
As xepas são doses excedentes que ficam disponíveis nos municípios após completar 90% da população estimada do público prioritário vigente.
São doses que sobram nos frascos abertos ao final de cada dia e que não podem ser reaproveitadas no dia seguinte em função do tempo de conservação do produto.

Conforme a diretora de Atenção Primária e Políticas de Saúde da SES, Ana Costa, a pasta tem recebido informações de que há excedentes em alguns municípios.
Essas sobras ocorrem porque a distribuição das doses é baseada em estimativas populacionais e há baixa procura de pessoas na faixa etária a partir dos 40 anos para a primeira dose.
Além disso, segundo Ana Costa, algumas pessoas podem estar sendo computadas em mais de um grupo prioritário, como profissionais da saúde idosos ou com comorbidades.
“Esses números se sobrepõem, o que também explica que alguns municípios estão com sobras”, afirma a diretora.
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Lotes que chegam nesta quinta são para segunda dose
Os dois novos lotes de vacinas que chegarão ao Rio Grande do Sul nesta quinta-feira (13) serão destinados à aplicação de segundas doses (D2).
O lote com 237.250 da vacina AstraZeneca que chegrá no voo com pouso previsto para as 23h45min será, a pedido do Ministério da Saúde, integralmente reservado para D2.
As 127.600 doses da Coronavac/Butantan, que vem no mesmo voo, também serão distribuídas para D2. Santa Maria tem pessoas aguardando a D2 para completar a imunização.
Doses da Oxford devem ser usadas em outros grupos
Já a orientação quanto às doses da vacina Oxford/Astrazeneca/Fiocruz que estavam destinadas a grávidas e puérperas é que elas sejam utilizadas para avançar na vacinação de outros grupos, como professores, presos, serventes de escolas, merendeiras e outros profissionais da educação.
Por orientação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), estados e prefeituras suspenderam a vacinação de grávidas e puérperas (mulheres até 45 dias após o parto) com a vacina da Oxford/Astrazeneca.
Secretária sugere vacinar professores com a xepa
A secretária estadual de Educação, Arita Bergmann destaca que o governo estadual aguardava um número maior de doses, contudo essa expectativa não se confirmou.
“Estávamos esperando receber nesta semana um lote generoso de vacinas para aplicação em primeira dose, que nos permitiria montar uma proposta para avançarmos nos grupos e chegar, inclusive, a começar na imunização dos trabalhadores da educação. Só que isso não ocorreu, infelizmente”, disse a secretária.
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Estado orienta vacinar quem trabalha em creches
Afora isso, os municípios que completarem a imunização de 90% das pessoas com comorbidades acima de 40 anos também podem avançar, orienta Arita Bergmann.
Se o município conseguir avançar para o grupo dos trabalhadores da educação, a imunização deve ser iniciada com quem trabalha com educação infantil, ou seja, creches e pré-escolas.
O município tem autonomia para decidir se utiliza as doses excedentes para continuar vacinando comorbidades (baixando a faixa etária) ou então para vacinar pessoas do grupo subsequente na lista de grupos prioritários.
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Vereador propõe lei para aproveitar sobras de vacina
Na Câmara de Vereadores de Santa Maria já tramita um projeto de lei de autoria de Tubias Calil (MDB), que prevê a utilização das sobras de vacina contra a Covid-19 para aproveitamento em outras pessoas.

Tubas apresentou a proposta em 26 de abril, mas o projeto ainda não foi a plenário para apreciação e votação.
Em sua justificativa, o vereador do MDB cita exemplos de outros municípios, entre eles Campo Grande (MS) e São Paulo (SP), que conseguiram vacinar mais de 2,5 mil pessoas com sobras.

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