A poesia de Edinara Leão é leve, sutil como pena. Edinara tem o dom (e a imprescindível técnica) de fazer versos bem elaborados.
Por vezes, Edinara recorre ao veio humorístico que lembra um miniconto. É o caso de NEGÓCIOS, em que ela usa uma cigana como sujeito poético.
Em HORIZONTAL, ela fala da simbiose do homem, “que se faz no lodo da terra”. A poesia pode remeter alguns a imaginar aquela narrativa cristã da criação presente em Genêsis. Afinal, por essa ficção, o homem não foi criado do barro? Assim é o poema.
Dois poemas e uma crônica na voz de Edinara Leão
Um navio imaginário
Em MARGENS, Edinara põe uma pele num navio imaginário. E em CONSOLO, ela poetiza a véspera, a espera, a expectativa. Numa perspectiva, talvez, de finitude. Talvez.
Enfim, a poesia de Edinara é um convite a percorrer universos tecidos por imagens e sensações.
EDINARA LEÃO – Conto: Bonecas de pano e de pele
HORIZONTAL
A simbiose
do homem se faz
no lodo da terra,
dobrado
MARGENS
A pele do navio
desprevenido
e sagaz
estacionou dentro da onda,
perdido o bailado.

POEMA: Santa Maria e Vozes
CONSOLO
A véspera
já contém a
última vez.
Devoradora de imagens,
a águia vomita
a sombra.
O gelo esconde
a cratera.
MEL INQUIETA: …E as estações do ano dão cores e asas às palavras
NEGÓCIOS
Comprei a ilusão
de uma cigana.
Ela vendeu a prazo.
E eu
paguei o preço.