Paralelo 29

EDINARA LEÃO: Tecendo palavras em quatro poemas

Foto: Arquivo Pessoal

A poesia de Edinara Leão é leve, sutil como pena. Edinara tem o dom (e a imprescindível técnica) de fazer versos bem elaborados.

Por vezes, Edinara recorre ao veio humorístico que lembra um miniconto. É o caso de NEGÓCIOS, em que ela usa uma cigana como sujeito poético.

Em HORIZONTAL, ela fala da simbiose do homem, “que se faz no lodo da terra”. A poesia pode remeter alguns a imaginar aquela narrativa cristã da criação presente em Genêsis. Afinal, por essa ficção, o homem não foi criado do barro? Assim é o poema.

Dois poemas e uma crônica na voz de Edinara Leão

Um navio imaginário

Em MARGENS, Edinara põe uma pele num navio imaginário. E em CONSOLO, ela poetiza a véspera, a espera, a expectativa. Numa perspectiva, talvez, de finitude. Talvez.

Enfim, a poesia de Edinara é um convite a percorrer universos tecidos por imagens e sensações.

EDINARA LEÃO – Conto: Bonecas de pano e de pele

HORIZONTAL

A simbiose
do homem se faz
no lodo da terra,
dobrado

MARGENS

A pele do navio
desprevenido
e sagaz
estacionou dentro da onda,
perdido o bailado.

Foto ilustrativa: José Mauro Batista, Paralelo 29
POEMA: Santa Maria e Vozes

CONSOLO

A véspera
já contém a
última vez.

Devoradora de imagens,
a águia vomita
a sombra.

O gelo esconde
a cratera.

MEL INQUIETA: …E as estações do ano dão cores e asas às palavras

NEGÓCIOS

Comprei a ilusão

de uma cigana.

Ela vendeu a prazo.

E eu

paguei o preço.

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