ATHOS RONALDO MIRALHA DA CUNHA – Escritor
Sou um assíduo frequentador do saite “Estante Virtual”. Com paciência podemos descobrir raridades a preços bem interessantes e algumas das belas obras que possuo foram adquiridas lá.
Através da Estante Virtual comprei no “Sebo do Menino” o “Facundo ou civilização e barbárie” do Domingo Faustino Sarmiento, com preço bem acessível diante da grandiosidade da obra. 30 pilas. Um dos meus dois exemplares de Ulisses também foi via Estante Virtual.
Algumas vezes fiz compra de meus próprios livros. Inclusive com o invólucro da editora. Há alguns dias digitei “Contos de chumbo” para ver no que dava. Quantos estariam disponíveis.
Havia vários e de diversos valores. Comprei três dos que estavam mais em conta. Eu tinha apenas dois exemplares comigo e não queria pedir mais para a editora. É sempre bom ter uma sobrinha para presentear os amigos.
A curiosidade do alcance da edição foi surpreendente. Um dos exemplares estava disponível num sebo em Pato Branco, no Paraná. E autografado pelo autor.
Ué, sais!
Como foi parar um livro meu e autografado lá no sudoeste do Paraná?
Quase na Argentina…
Não tenho amigos em Pato Branco. As pessoas que conheço de Pato Branco não moram mais lá e elas não me conhecem e não autografei livros para elas: Alexandre Pato e Bozena, daí.
Como estava em bom estado e preço módico, fiz a compra. Oito reais o exemplar e mais oito reais de frete. Aguardei curioso o envio do meu exemplar autografado de “Contos de chumbo”.
Quando chegou foi dirimida a minha curiosidade.
“Ao amigo Dudu.
Comprei este livro num sebo em Curitba. São contos trágicos de um tempo não tão distante. Leitura chocante dos anos de exceção.
Vai fundo que é raso.
da Silva.
PB, junho de 2020”
O dia em que a poesia derrotou um ditador
Bueno, não fora eu o autor do autógrafo e, sim, um tal “Imperceptível da Silva”. [O primeiro nome não estava legível.]
PB imagino que seja Pato Branco e a origem foi Curitiba.
Não sei se o Dudu leu, mas colocou num sebo e fez a economia editorial girar. Que assim seja. E isso não me incomoda.
Não gostei do “vai fundo que é raso”, mas tudo bem.