Paralelo 29

Agentes penitenciários facilitavam entrada de celulares no Presídio de São Sepé, diz polícia

Foto: Divulgação PC

Operação Judas prendeu dois servidores e mais duas pessoas por suposto esquema. Aparelhos entravam na cadeia dentro de potes de doce de abóbora e de figo

A Polícia Civil prendeu, na manhã de hoje, quinta-feira (19), dois agentes penitenciários suspeitos de facilitarem a entrada de celulares no Presídio Estadual de São Sepé. Conforme as investigações, os aparelhos telefônicos eram entregues aos detentos dentro de potes de doce de abóbora e figo.

Além dos dois agentes penitenciários, que tem 49 e 46 anos de idade e que não tiveram seus nomes revelados, a Polícia Civil prendeu mais duas pessoas: um homem de 38 anos, apenado que cumpre prisão em regime de tornozeleira eletrônica, e uma mulher de 43 anos.

De acordo com informações da Polícia Civil, todos são apontados como “membros de uma associação criminosa que realizava a entrada de aparelhos telefônicos no Presídio de São Sepé, com a facilitação dos agentes penitenciários”.

Motocicleta é apreendida

A ação policial deflagrada pela Delegacia de Polícia (DP) de São Sepé recebeu o nome de Operação Judas. A operação foi montada para combater os crimes de corrupção ativa e passiva de parte de agentes penitenciários e apenados de São Sepé.

Além das prisões, os policiais civis realizaram o sequestro de uma motocicleta CB Hornet 600F, de propriedade do apenado que cumpria pena com tornozeleira.

O veículo, segundo as investigações, teria sido adquirido com “dinheiro ilícito do esquema” e licenciado em nome de um laranja, que também não teve o nome revelado.

Apenado denunciou esquema ao MP

A investigação desenvolvida pela Seção de Investigação da Delegacia de Polícia de São Sepé teve início em maio do ano passado a partir de uma denúncia encaminhada ao Ministério Público por um apenado.

O preso contou que agentes penitenciários facilitavam a entrada de telefones celulares no Presídio de São Sepé, tendo como elo de ligação um apenado que exercia a função de chefe de galeria.

Na primeira fase da Operação Judas, deflagrada em setembro de 2022, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão nas celas da galeria chefiada pelo apeno envolvido no esquema. Na ocasião, os policiais apreenderam cinco celulares, 10 porções de drogas e facas artesanais (estiletes e assemelhados).

Na segunda fase, deflagrada em novembro de 2022, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão nas residências de agentes penitenciários e demais investigados nas cidades de São Sepé, Santa Maria, São Gabriel e Caçapava do Sul. Foram apreendidos diversos celulares, um revólver, pendrives e comprovantes de depósitos bancários.

Escutas telefônicas ajudaram nas investigações

Após meses de interceptação telefônica e extração dos dados dos celulares apreendidos, os investigadores constataram que toda a logística do esquema envolvia agentes penitenciários que facilitavam a entrada dos aparelhos nos dias em que estavam de plantão.

Havia, ainda, a participação de outras pessoas ligadas ao apenado chefe de galeria. Essas pessoas realizavam a entrega dos aparelhos telefônicos e outros objetos e acessórios ao agentes.

A Polícia Civil reiterou que “os aparelhos telefônicos chegavam ao interior do Presídio Estadual de São Sepé contando com a facilitação por parte dos policiais penais, que deveriam fazer justamente o contrário. Por esse motivo esta operação foi batizada com o nome Judas”.

Chefe de galeria tinha regalias na cadeia

Além da facilitação da entrada dos telefones e outros acessórios no estabelecimento penal, “os agentes se utilizavam da função pública para oportunizar regalias e tratamento diferenciado ao apenado (chefe de galeira), enquanto este encontrava-se recolhido, e também fornecer informações privilegiadas sobre ações de segurança e procedimentos sigilosos no Presídio”, diz a DP de São Sepé.

Potes de doce com celulares

A forma como os celulares e outros acessórios entravam no Presídio de São Sepé chamou a atenção dos investigadores. Uma das formas de ingresso de chips e carregadores, que eram entregues pelos familiares do chefe de galeria aos agentes penitenciários era colocar os objetos dentro de potes com doce de abóbora e figo que eram levados como supostos presentes.

Um dos presos cumpria pena monitorado por tornozeleira/Foto: Divulgação PC

Pelo menos nove pessoas identificadas

Até a manhã desta quinta-feira, a DP de São Sepé havia identificado pelo menos nove pessoas ligadas à associação criminosa. Elas também deverão ser indiciadas no inquérito que investiga o esquema.

As investigações contaram com o apoio da Susepe (Superintendência de Serviços Penitenciários), por meio da Corregedoria e da Delegacia Penitenciária de Santa Maria.

A delegada Carla Dolores Castro de Almeida, titular da DP de São Sepé, coordenou a Operação Judas, que contou com o apoio de quatro delegacias da Polícia Civil de Santa Maria, com a DP de Formigueiro e com agentes da Corregedoria da Susepe.

(Com informações da Polícia Civil)

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