Caso ocorreu no transporte coletivo de Santa Maria em 26 de abril
A delegada Débora Dias, titular da Delegacia de Polícia de Proteção ao Idoso e Combate à Intolerância (Dpicoi) de Santa Maria, indiciou pelo crime de racismo uma funcionária do Hospital Universitário de Santa Maria (Husm) que ofendeu uma mulher negra dentro de um ônibus no dia 26 de abril.
Agora, o inquérito policial com o indiciamento será enviado ao Poder Judiciário. Antes, o Ministério Público deverá se pronunciar. Se houver denúncia, a indiciada, que tem 45 anos, responderá pelo crime de racismo previsto no artigo artigo 2-A da lei 7716/1989.
Se for condenada, a funcionária do Husm poderá pegar de 2 a cinco anos de reclusão. No inquérito instaurado pela Dpicoi, a mulher negou os fatos. A delegada também ouviu três testemunhas que confirmaram as ofensas de cunho racista contra a vítima, uma jovem negra de 24 anos.
“Sujeira! Olha a tua cor”, disse acusada para jovem negra
O crime ocorreu em 26 de abril deste ano, na Avenida Roraima, Bairro Camobi, dentro de um ônibus que faz a linha para o Campus da UFSM. Tudo começou quando a indiciada discutiu com o cobrador.
A vítima interveio na discussão em favor do cobrador e foi ofendida por uma mulher loira identificada como servidora do Husm, que disse: Sujeira! “Olha a tua cor”.
A ofensa racista causou indignação nas demais que testemunharam o ocorrido no interior do ônibus. A cena foi filmada pelos passageiros. Um vídeo que circulou nas redes sociais serviu de prova do crime.
Militante que postou vídeo foi ameaçado
O militante de movimentos sociais e ativista da causa antirracista Gustavo Rocha, conhecido como AgroGuga, foi uma das pessoas que divulgou o vídeo. Ele identificou a mulher e deu o nome dela. AfroGuga fez várias postagens dizendo que a servidora do Husm o ameaçou.
” “A pessoa proferiu ofensas racistas, atormentou o ônibus, humilhou os trabalhadores da empresa e ainda quer ficar no anonimato para não ser chamada de racista? Não quer ser exposta? E ainda está me ameaçando!!!”, diz AfroGuga em uma dos posts em seu perfil no Instagram.
Respostas do Husm ao Paralelo 29
O Paralelo 29 procurou a assessoria de Comunicação do Husm para saber o posicionamento da instituição a respeito dos fatos. Em uma primeira resposta, a Unidade de Comunicação Regional do Husm disse que aguardaria orientação do Departamento Jurídico para se manifestar.
Em uma segunda nota enviada ao Paralelo 29 e assinada pela jornalista Mariângela Recchia, chefe da Unidade de Comunicação Regional nº 16 Husm/Ebserh, a instituição diz que não irá se manifestar.
“Não emitimos nota sobre o caso de racismo, pois o Jurídico julgou que por ocorrer fora do local e horário de trabalho, poder de decisão privada, não deveríamos nos manifestar”, diz a resposta.
No entanto, na primeira nota, a Regional Husm/Ebserh ressaltou que trata-se de “uma situação que, obviamente, não representa a posição da instituição”.

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