FABIO VASCONCELOS – PSICANALISTA CLÍNICO E INSTRUTOR CORPORATIVO DE SOFT SKILLS
A mortalidade é uma parte intrínseca da experiência humana e, para muitos, a perspectiva de uma vida finita pode gerar ansiedade e temores existenciais.
Além disso, a SEDUTORA ideia de viver mais tempo pode estar associada à possibilidade de realizar mais conquistas, aprender mais e ter experiências enriquecedoras ao longo de um período mais longo… Não é mesmo?
No entanto, também existiriam preocupações válidas sobre as implicações sociais e ambientais de uma população que vivesse indefinidamente.
A superpopulação poderia sobrecarregar os recursos naturais da Terra, criar desafios econômicos e sociais e causar IMPACTOS significativos no meio ambiente.
Igualmente, a realidade da finitude da vida tem sido um estímulo poderoso para a busca de realizações, inovações e descobertas.
A consciência de que nossas vidas são LIMITADAS muitas vezes nos motiva a buscar significado, a deixar um legado duradouro e a contribuir para a sociedade de maneiras que perdurem além de nossa existência. Essa sensação de “urgência” tem sido um motor para a criatividade, o progresso científico e a evolução cultural ao longo da história.
Contudo, mesmo se a perspectiva da vida eterna fosse alcançada por alguns, haveria um impacto significativo nessa “urgência de realização”.
A falta de um limite temporal levaria a uma complacência ou natural PROCRASTINAÇÃO, minando a motivação para se buscar realizações significativas.
Um “Highlander”, por exemplo, seria uma pessoa entediada e procrastinadora… Ele não teria essa sensação de URGÊNCIA que normalmente acompanha nossa mortalidade, o que poderia levar a um certo desinteresse em relação a certas atividades ou desafios na sua existência.
Assim, a faceta egoísta dessa busca, juntamente com a influência da “urgência de realização” em nossa cultura e LEGADO civilizatório, nos lembra que as implicações de prolongar a vida poderia nos levar a pensar de outro modo o real sentido na existência…
Um ‘Highlander’ poderia acordar de manhã e se perguntar: Por que MOTIVO eu vou mesmo levantar da cama hoje?