Paralelo 29

CASO PRISCILA: MP pede a condenação de quatro réus pela morte de enfermeira

Foto: Reprodução, MPRS

Priscila Ferreira Leonardi, que morou em Santa Maria, foi assassinada em Alegre, no ano passado

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) pediu a condenação dos quatro réus envolvidos no sequestro e assassinato da enfermeira Priscila Ferreira Leonardi, de 40 anos. A sentença do caso que chocou o Estado está prevista para sair no mês que vem.

A vítima, que morou e se formou em Santa Maria, foi morta no ano passado, em Alegrete.O pedido de condenação consta na manifestação final do MPRS no processo, apresentada em 27 de agosto. O requerimento se deve ao crime de extorsão com morte e por ocultação de cadáver;

O processo segue agora para a manifestação final das defesas dos réus. A sentença é aguarda para o mês que vem, segundo o MPRS. Entre os réus está o primo de Priscila, Emerson Leonardi, apontado como mandante do crime por interesse financeiro.

Provas obtidas com apreensão de celulares

Em relação às provas, a promotora de Justiça Rochelle Jelinek, responsável pelo caso, destaca que foram meses de investigação, se esgotando todo tipo possível, como por exemplo, apreensões de celulares, quebra de sigilo telefônico, telemático (de mensagens) e bancário de todos os envolvidos.

Um dos objetivos foi verificar eventuais saques ou transferências, bem como, acessos às contas. Houve ainda delação premiada, apreensão de documentos, busca e apreensão no local do cativeiro e oitiva de dezenas de testemunhas.

Pena maior que a de homicídio

A promotora ressalta que o crime não será julgado pelo júri, pois o objetivo dos réus era extorsão da vítima para obter dinheiro.

Ela lembra que a pena para estes casos, ainda mais com o resultado morte, é de 24 a 30 anos de prisão, sendo maior que a pena de homicídio doloso qualificado, que é de 12 a 30 anos de reclusão. Rochelle Jelinek diz que a lei considera ainda mais repugnante o crime de extorsão seguido de morte e por isso a pena é mais alta.

ENTENDA O CASO

No ano passado, a enfermeira veio da Irlanda para o Brasil com o objetivo de resolver pendências dos bens do inventário de seu pai.

Um familiar dela acreditava que a vítima possuía grande quantia em dinheiro em suas contas bancárias e também tinha interesse em ficar com a casa do pai da enfermeira.

Inclusive, era o local onde o familiar estava residindo. Desta forma, conforme a denúncia, acionou integrantes de uma facção criminosa para sequestrar e extorquir Priscila.

No entanto, o plano acabou dando errado e a enfermeira foi morta em junho de 2023 durante o sequestro, sem ocorrer o saque do dinheiro das contas bancárias da vítima.

O corpo dela foi encontrado às margens do Rio Ibirapuitã no dia 6 de julho e a perícia concluiu que houve morte por espancamento e estrangulamento.

Em audiência judicial ocorrida em 25 de junho deste ano, uma das testemunhas do processo revelou qual dos envolvidos teria matado Priscila.

Essa testemunha não havia falado anteriormente por temer represálias da facção. A testemunha relatou que o acusado, que seria o responsável pela vigília da enfermeira no cativeiro, tentou estuprá-la e acabou matando-a.

Após pedido do MPRS, o homem denunciado por ser o autor do homicídio teve prisão preventiva decretada e foi preso pelas autoridades locais. Ele foi considerado o quinto réu envolvido no caso, passando a responder processo em separado.

(Com informações do MPRS)

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