Ao todo, 163 procedimentos foram realizados no último sábado (5)
PEDRO MORO – ESTUDANTE DE JORNALISMO E BOLSISTA DA AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DA UFSM/COM FOTOS DE JESSICA MOCELLIN – ESTUDANTE DE JORNALISMO E BOLSISTA DA AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DA UFSM
Há nove anos, Elisabete Rodrigues Machado, 64 anos, natural de Santiago, passou por uma mastectomia no seio esquerdo. Desde aquela época, a paciente aguardava por uma cirurgia para reposição de mama. Ela foi uma das pacientes atendidas no mutirão realizado no Hospital Universitário de Santa Maria (Husm), no último sábado (5).
“Não havia próteses disponíveis naquele tempo e a pandemia só atrasou o procedimento. Eu fiquei feliz ao ser contatada, porque eu já estava resiliente sem a mama e nem tinha esperança de ser chamada”, conta. Diferentemente do que se pensa, Elisabete estava livre do nervosismo e otimista em relação à cirurgia. “Não estou nervosa com a operação, só quero sair daqui bem e voltar para casa junto da minha família”, acrescentou a paciente.
Fazer com que os pacientes atinjam seus objetivos: essa é a motivação da enfermeira assistencial do Centro Cirúrgico do HUSM Liege Kurrle, responsável pela organização da equipe no setor da cirurgia.
“Felizmente, com essas ações da Ebserh, a gente consegue fazer com que as filas do SUS andem e os pacientes tenham acesso a esses procedimentos, não só cirurgias, mas também atendimentos ambulatoriais. É importante para não deixar que um problema de saúde pequeno se torne algo maior”, argumenta a profissional.
Alegria compartilhada nos corredores do HUSM

Em meio à agitação do “Dia E”, o nervosismo dos pacientes nas salas de espera foi combatido com o humor do Esquadrão da Alegria, grupo que realiza intervenções artísticas em hospitais de Santa Maria e região.
Vestindo um jaleco com ornamentos coloridos, maquiagem de palhaço e usando duas muletas, o Dr. Pernetta, natural da “Pernettolândia”, trouxe doses de alívio aos pacientes. “Viemos trazer alegria, carinho e tranquilidade para essas pessoas”, comenta o artista.
Por trás da fantasia, o psicólogo Jairo Manzoni é quem dá vida ao Dr. Pernetta. “Nosso papel, enquanto ONG, é de fato poder levar alegria a um momento de vulnerabilidade e desconstruir o hospital como um lugar de tristeza”, conta.
Jairo é uma pessoa com deficiência física e trouxe essa característica ao personagem que construiu: “eu quis trazer um doutor com deficiência para desmistificar a questão da muleta, da própria deficiência e reforçar que, apesar das limitações, o Dr. Pernetta está aqui para falar que podemos ser aquilo que quisermos ser”, explica o psicólogo.
O trabalho do Esquadrão pode ser acompanhado pelo Instagram @ongesquadraodaalegria.
Filas de espera e os mutirões no Husm

Segundo o superintendente do Husm, Humberto Moreira Palma, o Hospital já possui a cultura de realizar mutirões, no entanto, com o programa Agora Tem Especialista, há uma institucionalização dessas ações.
“Geralmente, fazemos algumas ações mais isoladas. Hoje, com o ‘Dia E’, podemos potencializar as nossas atividades em busca do bem estar da população”, afirma.
Para a realização do mutirão, foi necessária a atuação de uma equipe multiprofissional, que abarcou médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, auxiliares, administrativos, assistentes sociais, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e, também, os serviços terceirizados responsáveis pela higienização, segurança e logística.
Nessa linha, Humberto explicou que a seleção dos serviços e modalidades oferecidos na ação foram selecionados com base na disponibilidade dos profissionais e a lista cronológica e de risco dos pacientes, equacionada pelo Núcleo Interno de Regulação.
Após essa primeira análise, os pacientes foram contatados e um cronograma de horários para a realização dos procedimentos foi elaborado.
“Nossa proposta é deixar o paciente confortável, mesmo que seja um dia agitado e de alta demanda”, pontua o superintendente.
Apesar da iniciativa ter sido bem sucedida, a fila de espera ainda é grande para alguns procedimentos. Até a publicação desta reportagem, a fila de espera para cirurgias no HUSM é de 5.857 pacientes.
Conforme Humberto, a fila para cirurgias ortopédicas é uma das maiores no Hospital, em função dos desequilíbrios no sistema de saúde regional.
“Mesmo sem uma mudança significativa nas filas, hoje tivemos um grande impacto na vida de vários pacientes”, pondera.
“Ebserh em Ação” e “Agora Tem Especialista”

A rede Ebserh realizou o seu primeiro mutirão de atendimentos em 2016, na época com 39 hospitais filiados. Com o tempo, o movimento foi crescendo, até chegar ao “Dia E“, iniciativa da campanha Ebserh em Ação, lançada em outubro de 2024 a fim de ampliar os atendimentos da rede.
Em 2025, o Governo Federal e o Ministério da Saúde iniciaram o projeto Agora Tem Especialista, ação que firmou parceria com a Ebserh e passou a estruturar medidas para reduzir o tempo de espera por atendimentos no SUS.
“Essa ação mobiliza, principalmente, as áreas de maior tempo de fila de espera, como a cardiologia, oncologia, ortopedia, oftalmologia, ginecologia e otorrinolaringologia”, aponta o diretor presidente do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), Gilberto Barrichello.
Outra medida destacada pelo diretor foi a ampliação dos turnos de atendimento na rede de saúde pública e privada.
“Com esse projeto, o Governo determinou que os 53 hospitais públicos federais, dos quais 45 são da rede Ebserh, ampliem seus horários de atendimentos para justamente diminuir o tempo de espera na fila de consultas, exames, cirurgias, entre outros”, afirma Gilberto.
Mais informações sobre o Agora Tem Especialista podem ser conferidas no site do Governo Federal.
Acompanhe o Instagram (@husmufsm) e o site do Husm para informações sobre os próximos mutirões e outras atividades realizadas pela instituição.

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