Crime de grande repercussão teve desdobramentos no decorrer das investigações
PARALELO 29
Grande volume de dinheiro encontrado em contas pessoais e o depoimento do filho da vítima. Essas são as principais provas da Polícia Civil que indicam que a vereadora de Formigueiro Elisane dos Santos Rodrigues (PT), morta a facadas em 16 de junho, tinha envolvimento com o tráfico de drogas.
Segundo o delegado Antonio Firmino de Freitas Neto, que conduziu as investigações, o filho da vítima relatou em depoimento que tanto ele como a mãe traficavam drogas.
“Pegavam em Santa Maria e levavam para Formigueiro”, disse Firmino, que ouviu o filho da vereadora acompanhado do advogado dele.
O delegado de Polícia Regional, Sandro Meiners, também confirma que o depoimento do filho da vítima foi fundamental para que se chegasse à conclusão do envolvimento da vereadora com atividades criminosas. Além disso, o grande volume de dinheiro na conta da parlamentar reforçou essa linha investigatória.
Meinerz diz que a Polícia Civil está investigando o conteúdo de celulares apreendidos, entre outros elementos.
Quase meio milhão na conta
Além disso, a Polícia Civil apreendeu celulares em diversas diligências e encontrou, nas contas de Elisane, um montante de quase R$ 500 mil.
O delegado considera que esse volume de dinheiro é incompatível com a renda de vereadora em Formigueiro. Por fim, também há o depoimento do jovem de 18 anos que executou o assassinato.
“O que ele falou está bem dentro da lógica”, resumiu Firmino na entrevista coletiva concedida na tarde de quarta-feira (8), quando a Polícia Civil anunciou a conclusão do inquérito sobre a morte da vereadora.
FORMIGUEIRO: Vereadora teria sido assassinada por dívida de drogas contraída pelo filho
Quebra de pacto
De acordo com as investigações, Elisane teria sido morta por descumprir algum tipo de pacto da organização criminosa, o que a Polícia Civil ainda não sabe com clareza.
As investigações apontam que ela seria tesoureira da facção, que é bastante conhecida em nível estadual e com presença forte na Região Central.
O delegado de Polícia Regional, Sandro Meinerz, não divulgou o nome da facção, mas disse que as ações do grupo criminoso são marcadas pela violência com quem contraria alguma norma interna.
“Quem se envolve com droga ilícita é morte ou cadeia”, afirmou o delegado Firmino, que seguirá apurando “desdobramentos” da investigação principal.
CASO ELISANE: Vereadora morta a facadas em Formigueiro era tesoureira de facção, diz Polícia Civil
Polícia soube desde o início
Na coletiva de imprensa, Firmino revelou que a Polícia Civil ficou sabendo de um suposto envolvimento da vereadora com o crime organizado logo nas primeiras horas do homicídio.
Essa linha de investigação não foi revelada por estratégia da polícia. Contudo, ela serviu para descartar outras hipóteses para o crime como latrocínio (roubo com morte), feminicídio (morte por questão de gênero – pelo fato de a vítima ser mulher) ou crime político ou de ódio (com alguma motivação ideológica, por exemplo).
Mandante do assassinato de vereadora de Formigueiro é presa em Gravataí
Mandante presa
Na última quinta-feira (10), policiais civis prenderam a mandante do crime, uma mulher de 26 anos. Ela é de Restinga Sêca, na Quarta Colônia, e fugiu para Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre, onde foi localizada.
A mandante não teve a identidade divulgada. No entanto, a Polícia Civil informou que ela tem antecedentes por tráfico de drogas, associação para o tráfico e ameaça.
Quem era a vítima
Elisane Rodrigues dos Santos, 49 anos, era técnica em enfermagem e auxiliar de análises clínicas. Além da área de saúde, era conhecida por sua ligação com as comunidades quilombolas e com uma igreja evangélica.
Em notas oficiais logo após o crime, a Câmara e a Prefeitura de Formigueiro destacaram que Elisane deixou sua contribuição “marcada pelo trabalho e dedicação”.
Da mesma forma, políticos e lideranças do PT ressaltaram que a parlamentar era uma voz em defesa das mulheres, “comprometida com a defesa dos direitos sociais, com a causa quilombola, da saúde pública, da justiça social e do diálogo”.
Antes de ingressar no PT, Elisane havia tentado chegar à Câmara de Formigueiro pelo PP. No ano passado, no entanto, conseguiu se eleger com 219 votos. Era a única mulher na Câmara de Formigueiro.
Segundo o portal DCM, Elisane declarou um patrimônio de pouco mais de R$ 166 nas eleições de 2024.
Relembre o caso
O corpo de Elisane foi encontrado próximo do carro dela, na manhã de 17 de junho, na localidade de Rincão dos Machado, na zona rural de Formigueiro.
Nas investigações, a Polícia Civil descobriu que ela foi morta na noite de 16 de junho por um jovem de 18 anos, conhecido dela. O executor armou uma emboscada para a vereadora, oferecendo carne abaixo do preço de mercado para atraí-la até o local do crime.
Elisane foi assassinada com cerca de 10 facadas e quase foi decapitada. Em depoimento, o autor confesso disse que a morte foi encomendada para que o filho dela “sofresse”.
O filho tinha, segundo o autor, uma dívida de drogas com uma facção. A arma do crime e um celular da vereadora foram descartados em um açude da localidade.
A Polícia Civil seguirá trabalhando nos desdobramentos do caso. O inquérito principal, do assassinato, já foi concluído e encaminhado à Justiça.
De acordo com a Polícia, a morte de Elisane envolve um esquema de tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinhiero.

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