Manifestação ocorre um dia depois de a Justiça gaúcha reduzir as penas dos réus condenados em júri por homicídios
Nesta quarta-feira, 27 de agosto, a tragédia da boate Kiss completa 12 anos e 7 meses. O Coletivo Kiss: Que Não Se Repita publicou um manifesto em suas redes sociais com uma foto do dia 28 de janeiro de 2013, que mostra os corpos das vítimas no CDM.
A publicação ocorre um dia após o Tribunal de Justiça do RS reduzir as penas dos réus.
A PUBLICAÇÃO
Essas não são apenas imagens cobertas por lonas. São os corpos de pouco mais de 110 meninas depois do incêndio na Boate Kiss — os quase 130 meninos estavam em outro lado do ginásio.
São as pessoas que foram impedidas de respirar oxigênio, de atravessar uma porta de emergência que não existia, de sair sem pagar uma comanda. Eles foram condenados ao fogo, à asfixia na escuridão, aos gritos de desespero.
Enquanto isso, os condenados seguem defendidos como “pobres trabalhadores” que nunca imaginaram que aquilo poderia acontecer. Mas aconteceu. Nossos amigos morreram — asfixiados, queimados, pisoteados. Eles estão nessa foto, com as expressões da agonia que a Kiss lhes condenou.
A sociedade nos aponta como “vingativos”. Mas o que seria vingança? Queimar os réus vivos? Asfixiá-los até a morte? A justiça não se mede com a régua da conveniência. Quem decide quem é “menos culpado” e que merece ou não responder pela morte de 242 pessoas?
Enquanto nos dizem para “deixar os mortos descansarem”, esquecem que os sobreviventes não descansam — entre cirurgias de enxertos, sessões de fisioterapia, nas crises de pânico, noites de insônia, problemas pulmonares. Não descansam os pais que enterraram os filhos e que, em muitos casos, acabaram tirando a própria vida por não suportar a dor da perda e uma condenação perpétua ao uso de medicações.
Nem aqueles que desenvolveram câncer no pulmão depois de respirar a fumaça tóxica daquela noite. E que também vieram a morrer.
O DESCANSO é um privilégio que a Kiss nos roubou.
E a cada nova decisão da “Justiça”, a sociedade escolhe de que lado está: do lado da memória das vítimas ou do lado da indiferença que continua MATANDO.
Neste país, a vida de 242 jovens vale menos do que o silêncio confortável de quem prefere defender réus do que encarar o crime que nos define.

