PARALELO 29
Polícia Civil diz, em coletiva de imprensa, que publicitário cometeu o crime “para chocar a sociedade”
Um dos crimes mais macabros da história do Rio Grande do Sul, revelado esta semana, já tem o outor identificado: Ricardo Jardim, de 66 anos. Ele é o homem que deixou uma mala com parte do corpo da namorada no guarda-volumes da estação rodoviária da capital.
Publicitário, Jardim foi preso na manhã desta sexta-feira (5) pela Polícia Civil, após ser identificado por imagens de câmeras de videomonitoramento da rodoviária.
Jardim já tem uma condenação a 28 anos de prisão pelo assassinato da própria mãe, em 2015. Ele concretou o corpo da mãe.
Condenado em 2018, o publicitário havia progredido de regime para o semiaberto em janeiro de 2024, mas estava foragido da Justiça. Segundo o processo da morte da mãe, a motivação foi receber um seguro que estava em nome da vítima.
As informações foram reveladas pela Polícia Civil gaúcha em uma entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira (5), em Porto Alegre.
O crime da mala
Conforme as investigações da Polícia Civil, Ricardo Jardim matou a namorada, uma mulher de 65 anos que não teve a identidade revelada. Partes do corpo foram abandonadas em sacos plásticos em dois locais, em Porto Alegre. O crime ocorreu em 9 de agosto.
Em 13 de agosto, braços e pernas da vítima foram localizados em sacos de lixo na zona Leste da capital. Em 20 de agosto, Jardim deixou uma mala no guarda-volumes da estação rodoviária com o torso da vítima. O crime foi descoberto devido ao mau cheiro da mala após 12 dias de ter sido despachada.
Na véspera da prisão, a Polícia Civil divulgou imagens do homem despachando a mala com o corpo da namorada no bagageiro da estação rodoviária.
De acordo com a Polícia Civil, Jardim teria se inspirado no famoso crime da mala, ocorrido em 1928, na Estação da Luz, em São Paulo, quando o imigrante italiano Giuseppe Pistone assassinou e esquartejou a esposa, ocultando o corpo em uma mala no centro da capital.
Ainda segundo a Polícia, o publicitário gaúcho demonstrou “habilidade em cortes”,
“Para chocar a sociedade”
Assim como no caso da mãe, uma das motivações pode ter sido financeira, já que ele fez gastos com cartões bancários da vítima.
Contudo, a polícia deixa pistas de que o homem pode ser um sociopata, já que, embora tenha ido à rodoviária, um local monitorado, com máscara e luvas descartáveis, como se estivesse querendo “aparecer” ou ser visto.
No decorrer das investigações, o publicitário também teria armado uma espécie de jogo, possivelmente fornecendo pistas falsas à polícia.
Na entrevista coletiva, o delegado Mario Souza descreveu Jardim como “extremamente educado, frio e aparentemente muito inteligente”.
Quanto à motivação do crime, Souza disse que o homem teria assassinado a namorada “com a intenção de chocar a sociedade”.

