Treze de outubro marca fatos importantes para a história da Cidade Ferroviária
PARALELO 29*

Há 130 anos, em 13 de outubro de 1895, era inaugurada a Estação Férrea de Santa Maria, conhecida como Gare da Viação Férrea, espaço recentemente revitalizado para futura exploração turística.
A data remonta ao final do século retrasado. Poucos anos antes, também em outubro, era inaugurada a ferrovia em Santa Maria, com a primeira linha de trem.
A inauguração da Gare também marca a primeira viagem do trem de passageiros, um feito que modificaria a vida de Santa Maria e da região.
O Coração do Rio Grande passava a ser o principal entroncamento ferroviário do Rio Grande do Sul com transporte de cargas e de pessoas.
A chegada da ferrovia marcou profundas transformações tanto no que se refere ao aumento da população como no desenho da cidade.
Pessoas de outras regiões do Estado, sobretudo trabalhadores em busca de uma vida melhor, se mudavam para Santa Maria.
Nasciam, também, os bairros ferroviários, como o Itararé, uma referência à cidade paulista de mesmo nome e importante entroncamento ferroviário.
A origem da cidade ferroviária
As ferrovias ganham impulso ainda nos tempos do império. O imperador Dom Pedro II autorizou a construção de estradas de ferro no país em 1873. Em Santa Maria, a ferrovia chegou em outubro de 1882. O transporte de cargos teria iniciado três anos depos, 13 em outubro de 1885. Portanto, há 140 anos.
Contudo, o primeiro local de funcionamento foi em um terreno onde hoje funciona a triagem da Rumo Logística, próximo ao Arroio Itaimbé.
A ferrovia teve um papel fundamental no desenvolvimento de Santa Maria, visto que a sua localização geográfica a tornou um importante entroncamento ferroviário, por onde passavam as principais linhas do estado.
O patrimônio histórico, fortemente atrelado à memória ferroviária, é representado pela Vila Belga, pela Gare da Estação Ferroviária, pelos casarios majestosos e pelos muitos relatos dos tempos em que os trens de passageiros cruzavam a cidade rumo à fronteira ou à capital gaúcha.
A Avenida Rio Branco, uma das principais vias e antigo eixo de ligação entre a Estação Ferroviária e o centro da cidade, ainda conserva diversas edificações que compõem, hoje, o maior conjunto contínuo de Art Déco da América Latina
A história da Gare

O prédio conhecido como Gare, localizado na Avenida Rio Branco, nº 30, foi projetado pelo engenheiro Teixeira Lopes, com influência das arquiteturas belga e inglesa, em terreno doado por Ernesto Beck.
O conjunto arquitetônico pode ser dividido em seis módulos construídos em diferentes anos, sendo eles: Estação de Passageiros (sobrado, inaugurado em 1899), Pavilhão 1 (1914) , Pavilhão 2 (1918), Pavilhão 3 (1920), Pavilhão 4 (1929) e a plataforma coberta.
Inicialmente, a Gare contava com o prédio central (sobrado) de dois andares e com um anexo que não existe mais. Durante sua história, a Estação sofreu incêndios que destruíram algumas partes da sua infraestrutura.
A cidade passou a comandar o tráfego dos trens do Rio Grande do Sul, pela posição geográfica central e ponto de cruzamento de todas as linhas férreas, bem como por sediar a Diretoria da Compagnie Auxiliare de Chemins de Fér au Brèsil, empresa da Bélgica.
Com as instalações dos escritórios da Compagnie, a cidade recebeu um novo impulso para o seu desenvolvimento e enriquecimento (econômico e cultural).
No começo de 1920, quando a rede ferroviária passou a ser administrada pela Viação Férrea do Rio Grande do Sul (VFRGS), foram construídas a plataforma coberta para embarque e desembarque e alguns armazéns.
A Gare foi desativada em 1980, ano em que foi sancionada a Lei Municipal nº 2144, que passou a denominar o Largo da Gare como Largo da Estação Irmão Estanislau, em homenagem ao inspetor das Escolas da Cooperativa dos Empregado da VFRGS Irmão Estanislau José.
O complexo ferroviário tornou-se patrimônio tombado no Município pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Santa Maria (Comphic) por meio de lei publicada em 1988.
Em novembro de 2000, foi tombado como patrimônio do Estado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (IPHAE); e em abril de 2014 foi valorado em nível nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
A última viagem vai completar 30 anos

em 2 de fevereiro de 1996/Foto Sidnei Neves, Arquivo Pessoal
Por outro lado, com a privatização da ferrovia no Brasil, os trens de passageiros passaram gradativamente a ficar no passado. Consta que o último trem de passageiro partiu de Santa Maria rumo a Porto Alegre em 2 de fevereiro de 1996. Portanto, há quase 30 anos.
O registro daquela que seria a última viagem de um trem de passageiros de Santa Maria foi registrada pelo ferroviário Sidnei Neves, hoje aposentado.
(*Com informações de Lenon de Paula – Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Santa Maria e de Felipe Farret Brunhauser, historiador e autor do livro “Aldeia, Vilas e Sobrados”, lançado na Feira do Livro deste ano pela Lei do Livro da Câmara de Vereadores)

