Segunda fase da Operação Desvio Verde foi deflagrada para investigar irregularidades no cultivo de maconha e na produção de derivados
PARALELO 29*

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta sexta-feira (30/10), a segunda fase da operação Desvio Verde, que investiga irregularidades no cultivo de cannabis (maconha) e na produção de medicamentos derivados sem autorização sanitária e judicial. Houve apreensões.
Na operação desta sexta-feira, policiais federais executaram dois mandados de busca e apreensão, sendo um em Caçapava do Sul e um em Santa Maria.
Comercialização indevida, aponta PF
Segundo informado no site da Polícia Federal, a ação policial tem como objetivo coibir a fabricação e a comercialização indevida desses produtos na região, em desacordo com normas regulatórias e decisões judiciais.
O inquérito policial teve início em 2024, após a identificação de uma plantação de maconha em propriedade rural localizada no Município de Caçapava do Sul.
Diligências policiais, cruzamento de dados e análise de imagens orbitais indicaram que o cultivo ocorre pelo menos desde 2022, em uma área isolada, cercada por vegetação densa.
Conforme os levantamentos, a plantação possuía centenas de pés de cannabis, organizados em diferentes estágios de crescimento.
Cultivo autorizado não previa produção em escala
De acordo com a Polícia Federal, foi constatado que o responsável pela plantação obteve autorização judicial, em dezembro de 2024, para o cultivo de cannabis sativa com a finalidade exclusiva de produzir extratos medicinais para consumo próprio, restrito à sua residência.
No entanto, as investigações indicam que o cultivo ocorre em escala significativamente superior à autorizada e em local distinto do permitido.
“Há evidências de que o excedente da produção esteja sendo comercializado para terceiros sem autorização legal para posse e uso dos extratos. Além disso, foram identificados indícios de que a produção desses extratos ocorre em desacordo com a legislação sanitária vigente e sem a devida autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)”, diz a PF.
Conforme a Polícia Federal, os investigados poderão responder pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico e falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais.
PF deflagra operação contra cultivo e produção irregular de maconha em Santa Maria e Caçapava do Sul
Associação: “A Ascamed não vai parar”
Em vídeo, a Associação Cannábica Medicinal (Ascamed) diz que a PF apreendeu óleos, sementes, ar-condicionado e equipamentos laboratoriais. A entidade diz ainda que o presidente e o farmacêutico da associação foram detidos.
“A Ascamed não vai parar”, diz, no vídeo, uma representante da associação, inconformada com a operação, que não foi a primeira contra a entidade.
Ela cobra, ainda, uma política pública para regulamentar a questão. Dois vereadores de Santa Maria – Sérgio Cechin (PP) e Alice Carvalho (PSOL) – chegaram a protocolar projetos de lei na Câmara para regulamentar a atividade da Ascamed.
O podcast Estação 29, do Paralelo 29, bateu um papo este ano com Matheus Hampel, presidente da Ascamed em Santa Maria. Ele explicou como são as atividades da entidade.
(*Com informações da Polícia Federal)

