Paralelo 29

Lô Borges, um dos fundadores do Clube da Esquina, morre aos 73 anos

Foto: Bárbara Dutra, Divulgação

Cantor e compositor que ajudou a revolucionar a MPB estava internado com intoxicação medicamentosa, em hospital de Belo Horizonte

AGÊNCIA BRASIL

Lô Borges, Salomão Borges Filho, um dos maiores nomes da MPB e integrante do famoso Clube da Esquina, morreu na noite deste domingo (2), às 20h50, aos 73 anos.

A causa foi falência múltipla de órgãos, segundo boletim divulgado pelo Hospital Unimed, em Belo Horizonte, onde ele estava internado desde o dia 17 de outubro devido a uma intoxicação medicamentosa.

Lô Borges foi um dos fundadores, ao lado do cantor e compositor Milton Nascimento, do movimento Clube da Esquina, que revolucionou a música nacional a partir dos anos 1970 e 1980.

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O movimento, batizado em referência a um disco homônimo de 1972, fundia influências do rock, do jazz e da música psicodélica com a tradição da MPB e das mineiras, criando uma sonoridade atemporal e complexa.

Algumas canções de autoria de Lô Borges são O Trem Azul, Um girassol da cor do seu cabeloTudo Que Você Podia Ser Nada Será Como Antes, em parceria com Milton Nascimento.976158%7D

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Ele teve músicas gravadas por Tom Jobim, Elis Regina, Milton Nascimento, Flávio Venturini, Beto Guedes, 14 Bis, Skank, Nando Reis, entre outros.

Lula e Ministério da Cultura lamentam

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) publicou, nesta segunda-feira (3), nas redes sociais, uma manifestação sobre a importância do compositor Lô Borges para a música e a cultura brasileira. O mineiro morreu neste domingo, aos 73 anos, em Belo Horizonte.

“Hoje nos despedimos de um dos grandes nomes da nossa música popular brasileira, Lô Borges. Suas canções, que começaram a nascer nas esquinas de Belo Horizonte, ultrapassaram as fronteiras de Minas Gerais e estão gravadas não apenas em álbuns, mas na memória e no coração de milhões de brasileiros”, diz a publicação.

Lula conta que conheceu melhor as canções do músico através da primeira dama, Janja da Silva, fã desde a adolescência e que coloca os álbuns do mineiro para tocar nos momentos de descanso.

“Gerações de músicos foram influenciados pela sua obra. Seu álbum Clube da Esquina, em parceria com Milton Nascimento e Beto Guedes, é considerado um dos mais importantes de nossa história. E a própria MPB que conhecemos não seria a mesma se Lô Borges não tivesse nos dado a alegria de ter existido. O Brasil agradece a Lô Borges. E aos seus familiares, amigos e fãs, registro minha solidariedade e apoio neste momento de despedida”, concluiu.

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O Ministério da Cultura também publicou um comunicado comentando a partida do músico, na qual expressa pesar pelo falecimento do artista e o coloca entre os grandes nomes da música brasileira.

“Nascido em 1952, Salomão Borges Filho (seu nome de batismo) marcou gerações com sua sensibilidade, sua voz única e suas composições que traduziram o espírito mineiro em forma de poesia e melodia. Obras como Clube da Esquina, Um Girassol da Cor do Seu Cabelo e O Trem Azul permanecem entre os maiores clássicos da nossa canção popular”, diz a nota.

A pasta ainda ressalta que a trajetória de Lô Borges é parte indissociável da história da música e da cultura nacional — um artista que, ao lado de Milton Nascimento, Beto Guedes, Fernando Brant, entre outros parceiros, construiu pontes entre o Brasil e o mundo por meio da arte.

“O MinC solidariza-se com familiares, amigos, fãs e com todo o povo brasileiro, que hoje se despede de um de seus mais talentosos e queridos músicos”.

Assista ao programa Musicograma, da TV Brasil, que conta a história de Lô Borges e do Clube da Esquina

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