DIOMAR KONRAD – PUBLICITÁRIO E CRONISTA

Enquanto isso, em uma organização tipicamente terrorista em algum canto do mundo, uma reunião do comando estratégico estava se desenrolando. O assunto: a proliferação da concorrência desleal e predatória.
– A gente leva anos construindo uma marca, um perfil de atuação, com objetivos definidos e, de repente, de uma hora para outra, um certo número de organizações, dos mais variados tipos, está sendo chamada de terrorista, assim no más, como diria um conterrâneo gaúcho, causando a maior confusão. Agora, no Brasil e na América Latina, simples e corriqueiros grupos armados, centrados no crime, estão para ser alçados à condição de narcoterroristas. E nós, os legítimos, como ficamos?
– Mas eles pediram para serem denominados assim ou se autoproclamaram?
– Não, e isso é o mais estranho. Quando nós detonamos uma ação, fazemos questão de dizer que fomos nós e o motivo. Acontece que uns sujeitinhos da política, certamente envolvidos nos esquemas, acharam por bem classificá-los assim. E isso dá margem para aquela coisa americana, o laranjão, que ainda chamam de presidente, invadir.
– E o que nós podemos fazer?
– Bem eu, falei com o pessoal do Eta, da Al-Qaeda, do Estado Islâmico, gente do nosso time…
– Achei que a gente nem se dava com esse pessoal?
– E, realmente, não queremos nem saber deles. Mas eles existem e, no mercado do terrorismo, às vezes é preciso conversar, alinhar táticas, definir estratégias conjuntas, esse tipo de coisa…
– E o que eles disseram?
– Que não podem fazer nada. Então estou aqui com vocês para encontrar uma solução…
– A gente podia montar uma franquia…
– Como assim?
– Somos reconhecidamente um grupo terrorista, né? Então, para ser respeitado como tal, os representantes da organização teriam que vir até nós e fazer uma capacitação, aprender nossos métodos, pagar royalties e ser nosso franqueado. Aposto que muitos desses grupos iriam querer o nosso know-how, a nossa expertise. Além disso, ninguém mais iria se atrever a chamar de terrorista quem não fosse qualificado por nós. Teriam que mostrar as provas, os certificados, os diplomas, cópia do histórico escolar, tudo certinho…
– E depois?
– Depois alguns de nós teriam que acompanhar os franqueados até seu país de origem para supervisionar essa mudança radical na forma de atuar. O mais importante é que, virando terrorista, tenham algum alvo político em mente na hora de realizar operações.
– É, faz sentido… O dinheiro que entraria com essa ação poderia ser revertido em armamento e logística… Só não gostei das palavras imperialistas: royalties, know-how, expertise… Afinal, lutamos contra isso. Será que não podemos substituir por um vocabulário nosso. Olha como pegou bem a jihad. Nunca conseguiram mudar ou subverter.
– Boa ideia, vamos achar termos nossos.
– Mais alguma coisa?
– Hoje ficamos de classificar o Hamas. É importante para a luta deles!
– Faremos isso semana que vem.

