Paralelo 29

Júri de Seco, um dos criminosos mais perigosos do RS, por homicídio em 2016, mobilizou aparato especial em Santa Maria

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Condenado por assalto, José Carlos dos Santos, foi absolvido do assassinato de moradora do Beco da Tela

JOSÉ MAURO BATISTA – PARALELO 29

Um júri popular realizado nessa sexta-feira (28/11), em Santa Maria, mobilizou forças de segurança. O aparato, fora dos padrões de outros julgamentos, se deve ao fato de que o réu julgado era José Carlos dos Santos, o Seco. Ele acabou absolvido por falta de provas da acusação de ser o mandante do assassinato de Taís Cristina Menezes Godoi, de 27 anos.

O crime do qual Seco era acusado foi cometido no início da madrugada de 3 de novembro de 2016, na Rua Antonio Abrahão Berleze, no Beco da Tela, no Bairro Presidente João Goulart.

Facção estaria envolvida no crime

Segundo as investigações policiais e a denúncia do Ministério Público, Seco era acusado de ser um dos mandantes da execução de Taís, conhecida como Tim, porque ela estaria atrapalhando “negócios” da facção Bala na Cara, que pretendia dominar o tráfico de drogas no Beco.

Além de Seco, o Ministério Público denunciou mais quatro pessoas: uma antiga traficante do Beco da Tela, que também seria mandante, o companheiro dela, que ficou vigiando a casa, outro homem que teria participado dos atos preparativos e o atirador. Eles não foram a júri na quinta.

Dias antes do crime, criminosos teriam vindo da Região Metropolitana e se juntado a outros integrantes da facção que já estavam morando no Beco da Tela. Eles viajaram para Santa Maria para executar o plano de assassinar a traficante rival.

Usuário de crack mostrou a casa

Um usuário de crac, que virou morador de rua, foi a principal testemunha de acusação. Segundo as investigações, o rapaz foi quem indicou a casa da vítima para os assassinos em troca de uma dívida de R$ 400 que ele teria com a facção. Meses depois ele também foi executado a tiros.

Na noite de 2 para 3 de novembro de 2016, esse usuário de crack e um outro homem foram até a casa de Tim com o pretexto de comprar pedras de crack.

A mulher não vendeu, alegando que não estava mais traficando. Depois disso, ela, o marido, e três filhos foram na casa do sogro assistir a um jogo de futebol. Nesse momento, os assassinos já estavam esperando para o ataque.

Morta à queima-roupa na frente dos filhos e do marido

O casal recém havia retornado para o casebre de madeira com os três filhos pequenos, um de 11 anos, outro de 8 e um bebê de 1 ano e 6 meses. Às 00h45min, um homem bateu na porta gritando que era da polícia.

Tim estava se preparando para ver quem era quando o homem arrebentou a porta a chutes e atirou na cabeça da vítima. Ela caiu e o homem desferiu mais tiros. No total, 14.

Tim morreu na frente dos filhos e do marido, que viu tudo do banheiro. O menino de 11 anos caiu em desespero, gritando, aos prantos, que haviam matado a mãe. A vítima chegou a ser encaminhada à Unidade de Pronto-Atendimento (UPA), mas morreu no caminho.

Depoimento apontou Seco

Em seu depoimento, o usuário de crack que chegou a ser investigado, mas depois acabou ficando fora do processo, afirmou que a ordem para matar Tim teria partido de Seco e da mulher para quem ele trabalhava.

De acordo com a testemunha Seco teria prometido dois quilos de crack para um homem e a mandante venderem, mas antes queria “fazer uma limpa” no Beco da Tela. Outro traficante do Beco da Tela também seria executado naqueles dias, mas o homem conseguiu escapar.

A arma do crime, uma pistola 9mm de fabricação francesa, foi apreendida em Canoas, na Região Metropolitana, onde dois dos participantes do homicídio foram presos ainda em novembro de 2016. A mandante do crime em Santa Maria acabou fugindo e não foi mais encontrada.

Falta de provas

No júri dessa sexta-feira, o advogado Jean de Menezes Severo, defensor de Seco, sustentou que ele não mandou executar Taís Cristina, a Tim. Não havia nenhuma prova de que o assaltante teria ordenado a execução, apesar de a testemunha referir conversas por WhatsApp.

“Ele nunca teve envolvimentos em homicídios. Era completamente inocente das acusações que foram imputadas e, por isso, foi absolvido no Conselho de Sentença com tese da negativa de autoria”, destacou Jean Severo, conforme reportagem do Correio do Povo.

O promotor Davi Lopes Rodrigues Júnior atuou na acusação, representando o MInistério Público. Mas a ausência de provas contra Seco, nesse caso, resultou em sua absolvição. O Conselhe de Sentença foi composto por quatro homens e três mulheres.

Depois de 10 horas de trabalhos, o juiz Ulysses Fonseca Louzada, titular da 1ª Vara Criminal de Santa Maria, leu a decisão. Quem passou pela rua do Fórum na sexta-feira presenciou o forte aparato de segurança para o júri de seco.

Quem é Seco

Preso desde 2006, José Carlos dos Santos, o Seco, hoje com 45 anos, era apontado como líder da principal quadrilha de assaltos a bancos e carros-fortes, crime bastante comum no Rio Grande do Sul naquela época.

A prisão de Seco ocorreu em 13 de abril de 2006 em uma ação de políciais do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Deic) em uma ação com a participação da Brigada Militar e da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

O criminoso foi preso de madrugada, em Paverama, município do Vale do Taquari, e houve reação e tiroteiro com a polícia. Na época, tinha 26 anos e era o criminoso mais procurado do Estado.

Na época da prisão, segundo a Secretaria Estadual de Segurança Pública, Seco respondia a 14 inquéritos policiais desde 2022 e tinha 12 prisões preventivas decretadas, inclusive fora do RS.

Atualmente, ele está preso na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc), em uma galeria da facção Bala a Cara. Ele tem pena superior a 200 anos de reclusão.

A extensa ficha criminal de Seco e seu alto grau de periculosidade são as razões para o intenso aparato montado para o seu julgamento em Santa Maria.

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