Bombeiros foram acionados na tarde deste domingo, menos de 48 horas depois do incêndio
PARALELO 29
Menos de 48 horas depois do incêndio de sexta-feira (26/12), novo foco de fogo no Colégio Marista Santa Maria mobilizou o Corpo de Bombeiros na tarde deste domingo (28/12).
Moradores avistaram fumaça no prédio e avisaram as autoridades. A Prefeitura bloqueou trecho da Rua Serafim Valandro, no Centro, para que os bombeiros pudessem trabalhar. A situação foi controlada e o trânsito foi liberado no local.
Associação critica falta de equipamento
Em nota, a Associação de Bombeiros do Estado do Rio Grande do Sul (Abergs), entidade que representa a categoria, afirmou ser “inadmissível que uma cidade do porte, da importância regional e da complexidade urbana de Santa Maria permaneça, ainda hoje, sem uma Auto Platataforma à disposição do seu Corpo de Bombeiros”.
Conforme a reportagem da Rádio Imembuí, nesta segunda-feira (29/12), a Polícia Civil de Santa Maria começará a ouvir, de forma oficial, testemunhas do incêndio e pessoas que trabalharam no combate às chamas.
Técnicos do Instituto Geral de Perícias (IGP) chegarão a Santa Maria nesta segunda para Técnicos do IGP também estarão na cidade nesta segunda-feira para iniciar a perícia no local, com o objetivo de apurar as causas e circunstâncias do sinistro. A informação, exclusiva, foi passada à emissora pelo delegado de Polícia Regional, Sandro Meinerz.
NOTA DA ABERGS
Confira a íntegra da nota da associação publicada no site da entidade:
“É inadmissível que uma cidade do porte, da importância regional e da complexidade urbana de Santa Maria permaneça, ainda hoje, sem uma Auto Plataforma à disposição do seu Corpo de Bombeiros. Trata-se de uma lacuna grave, injustificável e perigosa, que expõe não apenas os bombeiros militares ao risco extremo, mas toda a população santa-mariense.
Vivemos em um município marcado por edificações verticais, hospitais, hotéis, condomínios residenciais, centros comerciais e instituições públicas que exigem, por norma técnica e por responsabilidade moral do Estado, meios adequados de salvamento em altura e combate a incêndios em pavimentos elevados.
A ausência de uma Auto Plataforma compromete diretamente a capacidade de resposta operacional em ocorrências críticas, onde minutos definem vidas.
Não se trata de luxo, vaidade institucional ou capricho corporativo. Uma Auto Plataforma é um equipamento essencial, consagrado mundialmente como ferramenta indispensável à segurança urbana moderna. Sua falta representa um retrocesso operacional e uma afronta à própria lógica da prevenção e da proteção da vida.
Os bombeiros de Santa Maria seguem cumprindo sua missão com bravura, profissionalismo e espírito de sacrifício, muitas vezes improvisando soluções, expondo-se além do razoável e trabalhando no limite do aceitável. Essa realidade não pode ser naturalizada. O heroísmo não pode servir de álibi para a omissão do poder público.
É preciso dizer com todas as letras: a falta de uma Auto Plataforma é uma falha estrutural do Estado, que ignora alertas técnicos, relatórios operacionais e a própria experiência histórica de tragédias evitáveis.
Ela já foi ausência marcante no incendio da Kiss em 2013, De lá pra cá, nada mudou. Ou melhor, piorou. O efetivo esta reduzido com nunca antes na historia. Cada dia sem esse equipamento é um dia em que se aposta na sorte, e não na prevenção.
Santa Maria merece mais. Seus bombeiros merecem mais. A sociedade não pode aceitar que a proteção da vida seja tratada como secundária em decisões orçamentárias e administrativas. Exigir uma Auto Plataforma não é exagero — é responsabilidade, dignidade institucional e respeito à vida humana.
Que essa indignação não se perca no silêncio. Que ela se transforme em ação concreta, antes que a ausência de meios volte a cobrar seu preço mais alto“.

