Paralelo 29

Ataque dos Estados Unidos à Venezuela leva governo brasileiro a convocar reunião de emergência

Foto: Reprodução, Vídeos, redes sociais

Risco de escalada de um conflito internacional envolvendo também China e Rússia é avaliado por especialistas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) convocou uma reunião de emergência neste sábado (3/1) para tratar sobre o ataque dos Estados Unidos à Venezuela. O encontro deve acontecer no Itamaraty, em Brasília, com a presença de ministros.

O ataque norte-americano ao país vizinho ocorreu na madrugada. Em suas redes sociais, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou uma ofensiva em larga escala à Venezuela e a captura do presidente Nicolás Maduro e da esposa dele, Cilia Flores.

O casal foi retirado do país, segundo Trump. A capital Caracas e outras cidades teriam sido atingidas por vias aérea e terrestre.

Trump alega combate às drogas

“Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque em larga escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado e levado para fora do país juntamente com sua esposa”, disse o presidente norte-americano.

“Esta operação foi realizada em conjunto com as forças policiais dos EUA. Mais detalhes em breve. Haverá uma coletiva de imprensa hoje, às 11h, em Mar-a-Lago. Obrigado pela atenção!”

O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, rejeitou a presença de tropas estrangeiras no país e classificou o ataque de “vil e covarde”. Padrino pediu ajuda internacional.

Trump acusa Maduro de liderar uma organização criminosa voltada para o tráfico internacional de drogas. Bombardeios norte-americanos a barcos nas águas do Caribe ocorreram nos últimos meses.

No entanto, por diversas vezes, o presidente da Venezuela negou envolvimento com o tráfico e também pediu apoio de organismos internacionais.

Venezuela diz que Whashington quer as reservas de petróleo

O governo Maduro rebate as acusações do governo Trump e acusa os Estados Unidos de quererem se adonar das reservas de petróleo da Venezuela.

A Rússia e o Irã já se manifestaram e condenaram a invasão norte-americana. Para especialistas consultados pelo g1, os interesses vão muito além do que o combate ao tráfico. Eles incluem fatores econômicos e geopolíticos, como o interesse pelo petróleo venezuelano e a relação de Maduro com a China, principal rival de Trump no cenário internacional.

A Venezuela concentra a maior reserva comprovada de petróleo do planeta, com capacidade de aproximadamente 303 bilhões de barris — ou 17% do volume conhecido —, segundo a Energy Information Administration (EIA), órgão oficial de estatísticas energéticas dos EUA.

Esse volume coloca o país à frente de gigantes como Arábia Saudita (267 bilhões) e Irã (209 bilhões), com ampla margem. Grande parte do petróleo venezuelano, porém, é extra-pesado, o que exige tecnologia sofisticada e investimentos elevados para extração.

O jornal americano “The New York Times”, por exemplo, afirmou que a commodity é prioridade na escalada norte-americana contra o governo de Nicolás Maduro. Segundo o jornal, Washington tem feito negociações secretas com Caracas, justamente com foco no petróleo.

Para Marcos Sorrilha, professor de história dos EUA na Unesp Franca, o presidente norte-americano tem interesse na produção venezuelana por um motivo principal: reduzir preços internos e, assim, aliviar o custo de vida no país.

“O petróleo venezuelano seria uma estratégica de barateamento do preço do combustível para os americanos. É alvo que está nas expectativas de Donald Trump”, diz o professor.

Nesse cenário, Trump alcançaria dois objetivos ao mesmo tempo: busca favorecer a economia dos EUA e também pressiona a produção e as exportações de petróleo da Venezuela, setor central para a economia do país e para a sustentação do governo de Maduro.

Ao mesmo tempo, alguns especialistas veem perigo na escalada norte-americana, tendo em vista que a Rússia e a China mantêm relações com o governo Maduro. Os chineses, inclusive, têm grandes investimentos em infraestrutura no país.

(Com informações do G1)

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