Paralelo 29

Santa Maria: Morre Cacha, carnavalesco que ajudou a fundar a escola de samba Vila Brasil

Foto: Reprodução, Facebook

João Caçapuz Flores, servidor da UFSM, marcou época no Carnaval de Santa Maria e deixou sua contribuição para a história da cidade

JOSÉ MAURO BATISTA – PARALELO 29

Santa Maria perdeu nessa quinta-feira (19/3) João Caçapuz Flores, o Cacha, de 83 anos, um dos fundadores da Vila Brasil, a escola de samba mais antiga da cidade. Ele também presidiu a Vila em duas ocasiões. Cacha foi sepultado no Cemitério Ecumênico Municipal

Nascido em Santa Maria, em 15 de outubrode 1942, Cacha faria 84 anos em 2026. Havia alguns anos, ele enfrentava problemas de saúde.

Servidor concursado da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Cacha escreveu sua história no Carnaval de Santa Maria. Entre os anos 70 e 80 do século passado, Cacha presidiu a Vila Brasil duas vezes.

REFERÊNCIA CARNAVALESCA

Um dos irmãos de Cacha, Zigomar da Costa Flores, lembra que o irmão foi uma referência carnavalesca em Santa Maria, organizando alas, bateria e ajudando na definição do enredo.

“Ele era muito bom na organização. O Cacha, o Iguaçu Tadeu Laranjeira e o Osman Corrêa eram os três chefes da Vila nos anos 70”, relembra Zigomar, citando outras referências do Carnaval de Santa Maria no século passado.

Cacha era de uma família de carnavalescos. Era irmão de Jaime Flores, que foi Rei Momo de Santa Maria durante anos e que morreu em janeiro do ano passado, aos 75 anos.

Em suas redes sociais, a Vila Brasil prestou uma homenagem a a João Caçapuz – Cacha.

“João é um dos grandes nomes do Carnaval santa-mariense. À frente da Vila Brasil foi responsável por inúmeras histórias, como a troca das cores da escola para vermelho e branco e a mudança do símbolo para um pavão”, postou a Vila.

Um livro não publicado

A historiadora Franciele Oliveira, que tem livros publicados sobre a história da resistência negra em Santa Maria, escreveu que conheceu Cacha há 16 anos e que seu sonho sempre foi entrevistá-lo. Porém, devido a problemas de saúde do carnavalesco, ela não conseguiu a entrevista.

Franciele revela que Cacha deixou escrito um livro, de 1996, que nunca foi publicado. O livro “Vila Brasil, uma glória, uma história” traz as memórias de Cacha sobre os carnavais de Santa Maria.

Posicionamento

Filho de ferroviário, João Caçapuz Flores, o Cacha, é de uma família ligada ao trabalhismo e ao brizolismo. Conforme o irmão Zigomar, embora Cacha não tivesse uma militância partidária, sempre foi ligado às raízes populares do brizolismo.

Em 1961 ele serviu ao Exército e, na sequência, serviu dois anos na Brigada Militar, na época em que o então governador do Rio Grande do Sul, Leonel de Moura Brizola, liderou uma resistência a uma tentativa de golpe militar no país que ficou conhecido como a Campanha da Legalidade ou Rede Legalidade, que garantiu a posse de João Goulart na presidência da República após a renúncia de Jânio Quadros.

Na UFSM, Cacha chegou a cursar Administração de Empresas e Geografia, mas não concluiu nenhum dos cursos. Mesmo sem o ensino superior concluído, Cacha era bastante intelectualizado. Deixa sua história não só no Carnaval de Santa Maria.

Compartilhe esta postagem

Facebook
WhatsApp
Telegram
Twitter
LinkedIn