GILSON PIBER
Jornalista
Sempre gostei de dicionários. Quando menino, adorava folhear tais publicações impressas para conferir o significado das palavras da Língua Portuguesa.
O tempo passou, e sigo com tal gosto. Porém, na atualidade, surgiram os dicionários on-line. A pesquisa ocorre via Internet.
Fui, então, buscar o significado da palavra perversidade no Dicionário Online de Português, o dicio.com.br.
Pois perversidade é um substantivo feminino. É a “particularidade ou característica daquilo ou de quem é perverso; em que há malvadeza; maldade. Ato ou comportamento perverso. Gênio ou caráter ruim; tendência para o mal”.
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No âmbito jurídico, perversidade é o “ato que, demonstrando excesso de crueldade, é praticado com o propósito de ocasionar um prejuízo ou sofrimento (dano) maior à vítima”.
Dito isso, nem sei por que ainda me surpreendo com algumas falas do presidente Bolsonaro, como a da última quinta-feira (4), durante a inauguração de um trecho da Ferrovia Norte-Sul, em São Simão (GO).
“Vocês (produtores, agricultores) não ficaram em casa, não se acovardaram. Nós temos de enfrentar os nossos problemas, chega de frescura e de mimimi. Vão ficar chorando até quando? Temos de enfrentar os problemas”, ressaltou Bolsonaro.
Duvido que algum brasileiro ou brasileira, diante do cenário caótico vivido por causa da pandemia de covid-19, seja covarde ou goste de ficar em casa há praticamente um ano.
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Também avalio que as pessoas buscam resolver os seus problemas, sem frescura nem mimimi.
Agora, muitas famílias e pessoas choram, sim, pelas mais de 260 mil mortes causadas pela covid-19, doença negligenciada, negada e tratada como uma gripezinha pelo próprio presidente e seu governo.
Por enquanto, o choro da população brasileira vai continuar, afinal de contas, o sistema de saúde entrou em colapso e não consegue atender nem abrigar mais todos os infectados pelo vírus em leitos normais e de UTI.
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Além disso, a vacinação contra a covid-19 segue lenta pelo país, fruto da falta de planejamento do governo federal, que não agilizou a compra de doses na época correta.
A situação atual apresenta cenas de perversidade e de total falta de empatia com a população brasileira, vítima de uma tragédia anunciada e não levada a sério já no começo, lá em março de 2020.
Assim fica difícil esperançar, e não é frescura nem mimimi. Hora de consultar o dicionário sobre o termo genocídio.

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