E VEM AÍ O KIT COVID
A sessão desta terça-feira (16), na Câmara de Vereadores, promete: autor do projeto de lei para distribuição do Kit Covid, o vereador Tubias Calil (MDB) pretende levar um arsenal de estudos científicos, que segundo ele, reforçam que o tratamento precoce funciona contra a Covid-19.
Nas redes sociais, Tubias tem postado vídeos com médicos defendendo medicamentos como cloroquina e ivermectina, entre outros, como forma de tratamento preventivo.
Numa das postagens, Tubias diz que ele e sua equipe estudaram muito e conversaram com “pessoas do meio da saúde sobre o tratamento precoce”.
E promete provar que o tratamento funciona e evita mortes. Tubias embasa seu projeto em “estudos, gráficos e reportagens” que demonstrariam que o tratamento “tem ajudado diversas pessoas pelo mundo”.
E esse material que o vereador pretende apresentar aos santa-marienses.
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CLOROQUINA, O CARRO-CHEFE DO COQUETEL
O tratamento à base de cloroquina foi amplamente defendido pelo então presidente dos Estados Unidos, o republicano Donald Trump. Que, no final das contas, acabou mesmo apostando na vacina.

Já o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro…Bom, continua insistindo que o Kit Covid é a salvação. Ou a resposta efetiva para a doença. Mesmo sem um aval da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
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RESPALDADO POR 260 MÉDICOS
Ainda sobre o Kit Covid, pesa a favor do projeto de Tubias Calil um manifesto assinado por mais de 260 médicos santa-marienses que, diante da gravidade da pandemia no Brasil, e, consequentemente no RS e em Santa Maria, decidiram recomendar o tratamento precoce.
O documento que os médicos de Santa Maria divulgaram no início de março defende a autonomia dos profissionais de medicina para adotarem tratamentos para seus pacientes. E se baseiam também em estudos e na própria experiência enquanto profissionais.
Em resposta, a prefeitura de Santa Maria divulgou nota afirmando que o Kit Covid está disponível à população desde o início da pandemia.
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NA PRÁTICA, NÃO MUDA NADA
Na prática, pouco muda em relação ao que parte dos médicos já fizeram ou ainda estão fazendo Brasil afora. Até porque é preciso receita e uma avaliação do quadro de cada paciente.
Isso significa que os médicos, mesmo os que assinaram o manifesto, não vão sair receitando o Kid Covid sem nenhum critério e submetendo seus pacientes a riscos.
O risco que existe é as pessoas que resolverem tomar esses medicamentos acreditarem que estão imunes e ignorarem medidas de prevenção, ajudando a espalhar ainda mais o vírus.
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RESPONSABILIDADES E CONSEQUÊNCIAS
O vereador Tubias Calil foi bastante criticado nas redes sociais por defender o tratamento precoce e a distribuição do Kid Covid.
O parlamentar tem todo o direito de apresentar o projeto e defender essa tese, mesmo que ela seja contestada por renomados cientistas mundo afora, inclusive pela cardiologista Ludhmila Hajjar, que rejeitou o convite para ser ministra da Saúde.
Ademais, Tubias e os colegas que votarem a favor do projeto, que, ao que tudo indica, será aprovado, tornar-se-ão responsáveis pelas consequências do tratamento proposto ou, pelo menos, assumirão essa responsabilidade.
Assim como os médicos assumem eventuais riscos de tratamentos.
E Tubias parece estar disposto a correr riscos políticos.
E para fechar: a curiosidade é imensa em relação ao material científico que Tubias Calil promete apresentar na sessão para respaldar seu projeto de lei.
Cresce pressão contra restrições da bandeira preta
PARA LEMBRAR
Segundo dados de segunda-feira (15) do Observatório de Informações em Saúde da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), a doença já matou 1,6 milhão de pessoas em todo o mundo, sendo 280 mil no Brasil, 15 mil no Rio Grande do Sul e 306 em Santa Maria.
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NEGOU, NEGOU, MAS ASSUMIU
Alexandre Vargas, vereador e presidente do Republicanos, aceitou ser líder do governo Pozzobom na Câmara de Santa Maria.
O prefeito Jorge Pozzobom (PSDB) e o vice-prefeito Rodrigo Decimo (PSL) anunciaram na sexta-feira (12) que Alexandre vai liderar a base de apoio.

A coluna Paralelas de 2 de fevereiro antecipou que Pozzobom teria feito um convite a Alexandre, mas o vereador negou que aceitaria o cargo
“Não procede, não tem cabimento”, disse o republicano ao site, na época, embora admitisse que havia uma negociação envolvendo o governo Pozzobom e o Republicanos.
“Nós estamos pensando, eu e o Delegado Getúlio, se ficamos na neutralidade ou na base do governo, mas não tem nada, nada, nada certo, ainda”, disse.
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DE MALA E CUIA
Não deu outra. Pouco mais de um mês dessas declarações, Alexandre e Getúlio foram de mala e cuida para o bloco governista.

“ Agradeço ao prefeito municipal pela confiança na minha indicação para assumir esse compromisso. Meu principal objetivo é ajudar a nossa cidade a avançar, a zerar as questões políticas e a dialogar com todos”, disse Alexandre, conforme divulgado pela prefeitura.
Prevaleceu, certamente, o reconhecimento do governo Pozzobom “aos ideiais do partido”, como diz o vereador Alexandre.
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COMO FICA A BASE
Com a entrada do Republicanos na base governista, o bloco de apoio a Pozzobom na Câmara de Vereadores passa a contar com seis vereadores.
São eles: Admar Pozzobom (PSDB), Juba Soares (PSDB), Givago Ribeiro (PSDB) e Maneco Badke (DEM), além de Alexandre e Delegado Getúlio.
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AINDA É INSUFICIENTE
O bloco governista ainda é pequeno e muito aquém do que o governo Pozzobom precisa em termos de apoio formal na Câmara de Vereadores.
Por isso, como informou a coluna Paralelas de 2 de fevereiro, o prefeito deve continuar as tratativas para aumentar mais seu bloco de sustentação.
No MDB, o vereador Adelar Vargas Bolinha, que já fez parte da base governista no início do primeiro mandato do atual prefeito, é uma alternativa viável.
O próprio vereador disse ao Paralelo 29, em fevereiro, que estava disposto “a ajudar a cidade”, porém, não havia sido procurado.
Quanto a Rudys Rodrigues, também pode haver uma investida governista, se é que já não houve.
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NO MDB, UM É CERTO QUE NÃO VAI
Por outro lado, certamente, Pozzobom não terá o apoio de Tubias Calil, terceiro integrante da bancada. Pelo menos é o que se pode ler das manifestações dele na Casa.
Na primeira sessão do ano, Tubias bateu forte no prefeito, acusando Pozzobom de “fazer política com o fígado”.
Referia-se a uma entrevista em que o tucano teria atacado o ex-vice-prefeito Sergio Cechin (Progressistas), seu adversário no segundo turno.
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PROJETOS QUE CONFRONTAM EXECUTIVO
Afora isso, Tubias é autor de projetos de lei que confrontam frontalmente (olha a redundância!) com posturas de Pozzobom, como o que limita a adoção de medidas restritivas da prefeitura para conter a Covid-19.
Somente uma negociação muito bem atada poderia, quem sabe, atrair Tubias para o bloco governista na Câmara.
Mas não é possível vislumbrar essa possibilidade no horizonte. Pelo menos a curto prazo. A menos que o MDB resolva participar enquanto partido.
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O REBELDE TONY ESTARIA NA MIRA?
Outro que poderia estar na base, até por ser do partido do vice-prefeito, é Tony Oliveira (PSL).
No entanto, o vereador comunicador também tem sido duro com o Executivo, ao menos em questões pontuais, como medidas restritivas.
Tony, aliás, sequer apoiou a chapa Pozzobom/Decimo nas eleições. Nem no primeiro turno, muito menos no segundo turno.
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COM QUEM RESTA NEGOCIAR
Restam ainda três vereadores que poderiam se alinhar ao governo: Danclar Rossato (PSB), Paulo Ricardo Pedroso (PSB) e Luci Tia da Moto (PDT).

Mesmo fazendo parte do grupo que ganhou a Mesa Diretora empunhando a bandeira de “oposição”, não seria estranho mudarem de ideia.
E Coronel Vargas (Progressistas), atual presidente da Câmara? Bom, ele já foi tucano e até secretário de Pozzobom no primeiro mandato.
Papel do vereador vai muito além de fazer leis
PEDRAS NO CAMINHO E APOIOS IMPOSSÍVEIS
Porém, anda muito brabo, atualmente, com o PSDB, por conta da reforma da Previdência dos militares que o governo Leite aprovou.

E Anita Costa Beber, também do Progressistas? Bom, não dá para esquecer que a veterana parlamentar é farrezista (aliada e cria política do ex-prefeito José Farret). E Farret abraçou a reeleição tucana.
Agora, o que se pode afirmar com absoluta certeza é que Pozzobom só não terá o apoio do PT, do PC do B e dos outros dois parlamentares do Progressistas, Roberta Leitão e Pableco Pacheco.

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