KYDO
Escritor e poeta
Imagine algo que não é você, mas imagine algo que já é você sem que você perceba. Está conseguindo? Não, eu sou uma bactéria, eu não sou você, mas estou dentro de ti. Você é o meu Universo, você é a minha eternidade. E todas as minhas crenças dependerão de ti.
Ficou mais fácil? Não?
Não fica. Tudo é uma questão de estrutura. O meu Universo Interno pode ser o Universo de um pentilhão de seres. E vamos entender o termo “pentilhão” como sendo um pentilhão de seres elevados à potência de um pentilhão de eternidades.
Sendo eu, um ser humano, e como tal, uma estrutura formada por um conjunto determinado de informações, incomensurável, mas determinado, meu espaço interno é quase como um universo a parte.
KYDO: As Fronteiras Informacionais
Os seres que habitam em mim
Dentro de mim, ciosos de suas próprias fronteiras informacionais, a miríade de seres que me habita: vírus, bactérias, parasitas debatem-se de instante a instante pela mesma coisa que cotidianamente faço com relação ao Universo externo a mim; procuram conservar suas próprias estruturas e fronteiras informacionais intactas que é a dinâmica fundamental da vida.

Uma pergunta que se revela pertinente é se uma estrutura informacional é obrigatoriamente uma estrutura viva. A resposta é um não absoluto. De uma estrutura informacional só posso dizer que, primordialmente:
- Ela é constituída de informação, e;
- Apresenta uma fronteira informacional definida;
e nada além disso.
KIDO: O significado da insignificância (Parte II)
Um mundo de estruturas e o exemplo do jogo de dominó
A informação apresenta esse comportamento quando nos “informamos” a respeito do Universo. Isso não quer dizer que o Universo seja assim mesmo, mas que é uma das melhores maneiras de atribuir-lhe significado.

Portanto, seguindo esta linha de raciocínio, a Informação vai organizar-se sempre na forma de estruturas, cada uma definida externamente pela sua própria fronteira. Como cada estrutura, em si, é feita de informação, pela sua própria existência ela também é emissora de uma mensagem.
Mas tomando cuidado, uma mensagem em si também não é, necessariamente, uma estrutura. Porém, uma estrutura, sempre é e sempre será mensageira de si própria. O que vai nos validar o grau de existência de determinada estrutura é apenas o ponto hierárquico que ela ocupa dentro de um conjunto definido de estruturas.
Exemplo: Jogo de dominó. Eu tenho peças que vão de 0x0 a 6×6. Uma peça 0x0 possui apenas 0 bit de informação (porque ela é 0x0 ou nada) + 1 bit relativo à sua própria existência (olha eu aqui, eu faço parte do jogo). Mas experimente eliminar uma peça do dominó, antes do início do jogo, sem identificá-la e veja o desequilíbrio que isso provoca.

Vamos anotar este termo “desequilíbrio”. Por quê? Bem, eu diria por que é 1 bit de informação vinculado à própria existência. Independentemente de onde se encontre, ele sempre é o bit básico para qualquer processo de medida de informação de qualquer estrutura.
KYDO: O significado da insignificância (Parte I)
Nossa fronteira individual
Mas voltando ao principal, sendo a fronteira informacional um dos dois pilares onde definimos a estrutura é necessário que mais atenção seja dado a mesma. Como já disse antes, e volto a repetir, a noção de fronteira é crucial.

Assim, vamos voltar outra vez a nossa fronteira individual, a nossa película proprietária que nos possui. Vamos voltar a nossa pele. Vista de fora terá uma aparência consistente, bem definida. A idade vai se tornar evidente, pois como dizia Dercy Gonçalves “por fora a poluição estraga”.
A pele fantasmagórica
Mas à medida que vamos diminuindo as distâncias a pele torna-se irremediavelmente esburacada, fantasmagórica, cheia de minúsculos seres pós apocalípticos de filmes de terror de precária categoria, e diminuindo mais ainda, outras formas peculiares em buracos e vazios cada vez mais profundos onde a gente não pode determinar mais o que é espaço vazio e o que é espaço preenchido. A fronteira acaba sendo espacialmente perfurada.
E assim o é. Não que isso tenha qualquer problema, não tem. Ela ainda vai continuar nos protegendo e sendo o limite do nosso corpo. Então por que é assim? Simples. Todas as fronteiras informacionais nunca podem ser totalmente estabelecidas no espaço. Apenas no tempo.
KYDO – Crônica: O Universo é vivo – Cosmologia da Informação
Soldadinho de chumbo
Eu não sei qual a maneira mais fácil de expor esse raciocínio porque todos os exemplos me parecem frágeis, mas tenho que tentar. Minha pele, eu sei, não é totalmente impermeável. Raios X podem penetrá-la, Raios Cósmicos também, Neutrinos então, bah!
Nem se fosse um soldadinho de chumbo conseguiria deter os neutrinos. Mas é certo que a minha estrutura consegue manter uma determinada opacidade ao Universo de tal maneira que algumas informações permanecem restritas a mim.
O meu DNA, por exemplo. As minhas ideias, os meus pensamentos, os meus sentimentos. As minhas memórias, o registro do pôr-do-sol mais lindo, do amanhecer mais singelo e de todos os medos, alegrias. De tudo isso. Mas essas internalidades são muito precisas, elas sobrevivem apenas no tempo e não possuem uma forma física.
Paralelo 29 resgata Kydo, poeta e escritor, que andava sumido
Minha identidade deixará de ser
Os elementos físicos do meu corpo, seus átomos e moléculas são constantemente trocados e, no entanto, a minha capacidade de sonhar permanece a mesma. Embora tudo o que compunha meu corpo quando nasci já tenha sido substituído, ainda continuo sendo Kydo, o Kydo que admiti ser, o Kydo que construí.
Minha identidade permanecerá enquanto viver e depois deixará de ser. Minhas fronteiras e tudo o que guardei em mim serão por fim entregues ao Universo.
Estado de desequilíbrio
As Estruturas Informacionais parecem seguir um estado de equilíbrio dinâmico. Por estado de equilíbrio dinâmico podemos entender qualquer sistema que, onde por mais que tentemos aplicar um estado de desequilíbrio, ele sempre volta ao estado anterior.
Exemplo muito caro: Pegue um litro de óleo, uma batedeira altamente planetária e um litro de água. Coloque a água na tigela, em seguida o óleo e veja que o óleo se separa da água. Agora ligue a batedeira e bata por 2 minutos. Desligue e espere algum tempo. O óleo se separa da água e tudo volta a ser como antes.
Exemplo econômico: Faça a mesma coisa em um copo d’água, um pouco de óleo e uma colher. O resultado é o mesmo.

LARRÉ – Crônica: O Dia da Terra
Outro exemplo: este célebre, porque é exemplo de muitas coisas. Pegue uma pedra e arremesse em um lago e observe as ondas. As ondas atravessam as águas, mas águas não se modificam.
As estruturas informacionais podem ser encaradas como ondas atravessando o tempo sem serem deformadas, ou como estruturas do tempo sendo atravessadas pelo espaço sem sofrerem deformações.
Esse é o tema do próximo artigo: “A INFORMAÇÃO DEFORMADA”.

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