A Agência de Alimentos e Medicamentos (FDA) dos Estados Unidos (EUA) autorizou o uso emergencial para o tratamento com anticorpos, desenvolvido por Vir Biotechnology e GlaxoSmithKline, contra a Covid-19 leve a moderada em pessoas com 12 anos ou mais.
O medicamento, Sotrovimab, não está autorizado para pacientes hospitalizados com a doença ou que necessitem de oxigenoterapia, informou o regulador de saúde.
O Sotrovimab pertence a uma classe de medicamentos chamados anticorpos monoclonais, que imitam os anticorpos naturais que o corpo gera para combater infecções.
Embora haja consenso na comunidade científica internacional de que as vacinas são a alternativa mais eficaz para acabar com a pandemia, enquanto não ocorre vacinação em massa no mundo, a esperança é que os medicamentos e tratamentos alternativos ajudem pelo menos a evitar casos graves e mortes.
COVID: Mais da metade dos internados em UTI tem menos de 60 anos
Nos EUA e na União Europeia
O tratamento com anticorpos estará disponível para pacientes com Covid-19 nas próximas semanas, disseram as empresas GSK e Vir.
Terapias semelhantes contra a Covid-19, de Regeneron Pharmaceuticals e Eli Lilly, foram autorizadas para uso de emergência nos Estados Unidos.
O regulador de medicamentos da União Europeia aprovou, na semana passada, o uso de Sotrovimab para pacientes com Covid-19 com risco de doença grave e que não precisavam de oxigênio suplementar.
Santa Maria tem 656 mortes por Covid, 86 delas em maio
No Brasil, soro do Butantan
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou ensaios clínicos de um soro anti-Covid produzido com o plasma de cavalos e desenvolvido pelo Instituto Butantan. Será a primeira vez que o soro será aplicado em voluntários humanos.
O pedido para a autorização para testar o soro, que é produzido em cavalo, em pacientes com a covid-19, foi feito pelo instituto no início de março.
A expectativa do Butantan é que o soro possa ajudar a reduzir a letalidade e a gravidade da doença e aliviar o sistema de saúde.
Nos testes em animais, como coelhos e camundongos, o soro já demonstrou a diminuição da carga viral e perfil inflamatório reduzido.
Covid: Vírus primitivo pode aumentar mortes em UTIs
Novo coquetel de medicamentos
Ainda neste mês, a Anvisa aprovou o uso, em caráter emergencial, de um novo coquetel de anticorpos para o tratamento de pacientes com Covid-19.
A área técnica e os diretores da Anvisa avaliaram que o uso combinado dos medicamentos Banlanivimabe e Etesevimabe, da empresa Eli Lilly do Brasil, para casos em estágios iniciais traz benefícios, ainda que permaneçam algumas incertezas.
Os anticorpos objetivam neutralizar o vírus antes que ele entre na célula. Conforme análise dos técnicos da agência, eles têm potencial de eficácia maior quando empregados conjuntamente do que no uso individual.
Instituto confirma variante indiana em navio ancorado no Maranhão
Para pacientes sem gravidade
De acordo com as equipes de análise da agência, quando utilizados juntos, os dois medicamentos podem reduzir em até 70% a incidência da Covid-19.
Tal eficácia se daria em pacientes que ainda não tenham evoluído para quadro grave e tenham alto risco de progressão.
O termo “alto risco” envolve pessoas com condições de saúde como idade avançada, obesidade, doença cardiovascular, diabetes mellitus tipos 1 e 2, doença pulmonar crônica, doença renal crônica, doença hepática crônica ou imunossuprimidos.
Interior do RS vai receber vacina da Pfizer
Aplicação restrita a hospitais
A orientação é que a aplicação seja feita em hospitais, em razão da estrutura disponível e dos profissionais que realizam o procedimento.
A Anvisa não indicou o uso em pacientes com quadros graves, situações em que o coquetel pode agravar o problema. Os remédios não poderão ser comercializados.
O uso emergencial foi autorizado pelo período de um ano. O tempo de espera para uso do coquetel, após aberto, não pode ser superior a 24 horas em ambiente refrigerado e sete horas em temperatura ambiente.
“Durante a emergência de saúde pública, a autorização emergencial é instrumento regulatório para fomentar tempestivamente opções terapêuticas mesmo em face de um produto em desenvolvimento clínico”, declarou a diretora Meiruze Freitas.
“A partir dos dados apresentados, os benefícios conhecidos e potenciais dos medicamentos quando utilizados em uso emergencial superam os seus riscos”, complementou o também diretor Alex Campos.
Insumos para a Coronavac chegarão em 26 de maio
Somente para adultos
A indicação é que o coquetel seja aplicado a adultos. No caso de adolescentes, não houve comprovação de eficácia nos ensaios clínicos.
A equipe técnica da Anvisa também apontou o que chama de “incertezas”, ou pontos não comprovados pelos documentos enviados pelo fabricante.

Os técnicos defenderam a continuidade do monitoramento do uso do grupo de medicamentos para avaliar seus efeitos.
RS receberá Coronavac para zerar segunda dose atrasada
Sem ação contra a variante P1
Entre as incertezas está a falta de ação contra a variante P1, a chamada variante de Manaus, existente no território brasileiro. Isso gerou um debate na área técnica.
“Muitas vezes o diagnóstico e teste para identificar a variante é mais limitado. Como essa associação de anticorpo mostrou resultados favoráveis, há incerteza de eficácia contra variante, mas ainda assim tem benefício plausível”, analisou o gerente-geral de Medicamentos e Produtos Biológicos da Anvisa, Gustavo Mendes.
Prefeitura gastou R$ 106 mil em alertas e sanitização na pandemia
Este ponto foi considerado pelos diretores da agência reguladora durante a análise que autorizou o uso emergencial.
“Ainda que haja pontos que não podem ser respondidos em sua totalidade, como a comprovação de eficácia clínica do produto contra a variante P1, é indiscutível o impacto que um medicamento que impede a progressão da doença pode trazer aos serviços de saúde”, diz a diretora Cristine Jourdan.
(Com informações da Agência Brasil)

No Comment! Be the first one.