O Rio Grande do Sul deu um passo importante nesta quinta-feira (27) para abrir as porteiras do mercado internacional de carnes para os pecuaristas gaúchos. O Estado foi certificado como área livre de febre aftosa sem vacinação, o que é fundamental para a exportação de proteína animal.
Países como Japão, Canadá e Coreia do Sul só compram carnes com esse tipo de certificação. Além disso, a pecuária gaúcha poderá fortalecer sua presença em países que já compram a carne brasileira.
A expectativa é que este novo patamar sanitário gere resultados positivos para toda a agropecuária uma vez que o setor de grãos também precisará atender a demanda da cadeia de proteína animal.
Novos mercados e mais lucros
Há 20 anos, o RS voltou a ter problemas com a febre aftosa, o que impede a carne gaúcha de chegar a 70% dos mercados potenciais.

Outra vantagem da certificação para o agronegócio gaúcho é o preço pago ao produtor, que tende a aumentar entre 25% e 30% o seu lucro a partir da evolução de status sanitário.
O reconhecimento permitirá que os produtores gaúchos não precisem mais vacinar em torno de 12,5 milhões de cabeças, entre bovinos e bubalinos.
Economia com fim da vacinação
Da mesma forma, deixa de ser necessária a aplicação de 20 milhões de doses anuais de vacina, uma vez que a imunização dos rebanhos ocorria em duas etapas: rebanho geral e para animais com até dois anos.
Quem dá a certificação é a Organização Mundial da Saúde Animal (OIE). Em Brasília (assista o vídeo), o governador Eduardo Leite (PSDB) e a secretária da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, Silvana Covatti, acompanharam o anúncio da assembleia geral da OIE.
Segundo Leite, valeram a pena os esforços e os investimentos do governo do Estado e produtores para a conquista da certificação. Agora, o RS terá que manter esse status aumentando a fiscalização e cuidando da saúde animal.
“Não é simplesmente deixar de vacinar, é substituir a vacinação por toda uma estrutura de pronta atenção e isso exige coordenação de esforços”, ressaltou o governador gaúcho.
44 milhões de cabeças de gado
A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, disse que a meta é que até 2026 todo o Brasil tenha essa certificação.
De acordo com Tereza Cristina, os estados brasileiros livres da febre aftosa somam 44 milhões de cabeças de gado, o que corresponde a 20% do rebanho bovino do país.
Além disso, 50% da criação de suínos e 58% dos frigoríficos de abate estão em regiões livres da febre aftosa sem vacinação.
R$ 90 milhões a menos em gastos
Com a inclusão de seis estados brasileiros no mapa das áreas livres de febre aftosa mais de 40 milhões de cabeças deixarão de ser vacinadas.
Isso significa que 60 milhões de doses anuais da vacina não serão utilizadas, gerando uma economia de cerca de R$ 90 milhões aos produtores rurais desses estados.
Além do RS, Paraná, Acre, Rondônia e partes do Amazonas e do Mato Grosso também receberam a certificação internacional.
(Com informações do governo do RS, da Agência Brasil e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento)

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