Mais de 30 moradores idosos de São Vicente do Sul, na Região Central, foram vítimas do golpe da selfie aplicado por golpistas que se passavam por funcionários do governo federal ou do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e faziam empréstimos consignados em nome dos aposentados. A Defensoria Pública do Estado (DPE/RS) realizou um mutirão de atendimento na cidade, na última terça-feira (12), para orientar as vítimas.
Segundo a Defensoria, quase 40 idosos foram atendidos na ação em parceria com o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de São Vicente do Sul que identificou as vítimas dos estelionatários.
O objetivo do mutirão foi coletar informações, documentos, relatos e demonstrativos que podem embasar uma possível ação civil pública no futuro, caso o problema não seja resolvido extrajudicialmente.
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Vítimas devem procurar Sindicato ou Defensoria Pública
Os atendimentos aconteceram na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de São Vicente do Sul e, conforme o dirigente do Núcleo de Defesa do Consumidor e Tutelas Coletivas (NUDECONTU) da Defensoria Pública, Rafael Pedro Magagnin, mesmo aqueles que já haviam devolvido o dinheiro e resolvido sua situação, foram ouvidos pela DPE.
Aqueles que não conseguiram comparecer presencialmente ao mutirão, e acham que foram vítimas do mesmo golpe, podem procurar o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de São Vicente do Sul (Rua Quatorze de Julho, 945) ou a Defensoria Pública da cidade (Rua Vinte de Setembro, 775 – Fone 55 3257-2702).
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Golpistas se passavam por funcionários do governo e do INSS
De acordo com o defensor público Gustavo Cattelan Ruffo, que atende em São Vicente do Sul, as vítimas foram procuradas por golpistas que se apresentavam como funcionários do governo federal ou do INSS.
De posse dos dados verdadeiros das pessoas, os estelionatários diziam que os idosos tinham valores a receber, como ressarcimento de juros abusivos pagos em dívidas passadas.
Para receber esses valores, as vítimas deveriam tirar uma foto, a fim de comprovar o pedido. No entanto, o que acontecia de fato era a contratação de novos empréstimos consignados.
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Dinheiro fácil e prejuízo a aposentados
O dinheiro era liberado sem a necessidade de qualquer assinatura e os golpistas recebiam comissão pela venda ou solicitavam um pagamento das próprias vítimas, como contrapartida pela suposta ajuda. Centenas de vítimas teriam sido lesadas na Região Central do Rio Grande do Sul.
A grande maioria das vítimas recebe apenas um salário mínimo de aposentadoria. Com os descontos dos empréstimos consignados, a renda de algumas dessas pessoas chegou a cair pela metade.
É o caso de Eva Fernandes Ribeiro, de 74 anos, que recebeu no último mês pouco mais de R$ 800, quando deveria receber mais de R$ 1 mil. Com problemas de locomoção, a aposentada precisa pagar pelos serviços de uma cuidadora, além do tratamento que faz.
(Com informações da Defensoria Pública do Estado)

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