DIOMAR KONRAD – Publicitário
Preocupados com as finanças das igrejas que administravam, diversos líderes religiosos estavam reunidos para debater o assunto. Um dos pastores inicia a reunião:
– Como vocês todos sabem, não é só na zona do euro que a coisa está ruim. Estamos tendo dificuldades para arrecadar fundos para a manutenção dos templos. Até pensei em aprovar uma lei no Congresso Nacional regulamentando a cobrança do dízimo, mas dificilmente seria aprovada. A população iria ver isto como mais um imposto.
– Tenho uma ideia maluca, disse outro.
– Então fale.
– Ontem precisei autenticar uns documentos lá no cartório. Aquilo é uma mina de ouro. O dia inteiro entra e sai gente só pagando, para que aquele que assina os papeis diga que são cópias do verdadeiro. E o pior é que, em todo lugar que a gente vai exigem a autenticação. Parece um complô.
– Não entendi aonde o colega quer chegar?
– É que no documento autenticado está escrito: certifico e dou fé. E se o assunto é fé, tem tudo a ver conosco.
– Mas o tabelião é um advogado concursado pelo Estado.
– Sim, eu pesquisei isto. Mas se o Estado é laico, não pode dar fé. Quem atesta a fé somos nós, os representantes da verdade espiritual. Se o tabelião certifica, poderia ficar com 70% e se nós damos fé, poderíamos ficar com 30%. Ia ser um belo acréscimo em nosso orçamento.
CRÔNICA – Envolvimento sustentável
– E se a gente unisse os dois, seria melhor ainda.
– Como assim?
– Basta ter pastores advogados. Aí ficaríamos com 100% do bolo. Quem não iria querer um “certifico e dou fé” dado por nós? Seria a volta dos bons tempos.
– Como podemos encaminhar a proposta?
– Bem, a gente faz uma ata desta reunião e depois faz uma cópia autenticada no cartório, para ter validade.
– Viu, eu não disse… Mas será a última vez que daremos o dinheiro a eles. A próxima autenticação já será nossa.

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