CUCA VICEDO – Publicitária e comentarista de Cinema
Você já teve a oportunidade de ouvir um ensaio de Orquestra Sinfônica? Ter a sensação de paz e de um mundo melhor ao fechar os olhos e voar nos acordes dos instrumentos magistralmente tocados por mãos mágicas e sentimentos sinceros?
Essa sensação, você certamente vai ter ao ouvir Nathanyel Ayres, personagem real do filme O SOLISTA, que estreou essa semana no streaming NETFLIX.
O filme é de 2009 e foi feito algum tempo depois do ator Jamie Foxx ganhar o Oscar de Melhor ator por sua personificação de Ray Charles no filme Ray (2004). Ele soube fazer brilhantemente ambas personificações de pessoas reais e artistas com vida conturbada.
Para quem não sabe, Jamie Foxx, além de cantor, começou sua vida como comediante em Stand Up, e na época de suas produções, foi considerado um grande talento dramático revelado.
Mas o filme O SOLISTA tem outra figura singular, o ator Robert Downey Jr, talento problemático que mudou o rumo de sua vida como Homem de Ferro (2008) enque estava no auge também na época da produção do filme.
Como em suas vidas pessoais, os personagens da trama estão em um momento singular da vida. Downey Jr é um repórter em crise criativa que descobre, acidentalmente, um mendigo que toca divinamente violoncelo no agitado centro da cidade. E, a partir deste momento, suas vidas ficam diretamente interligadas.
O músico clássico que abandonou os estudos na clássica Escola de Música Gilliard em New York sofria de Esquizofrenia e deixou sua vida, abandonou família, esqueceu de si mesmo para viver em seu mundo limitado pela doença como mendigo. O jornalista, ao ouvir Nathanyel tocar, percebe a grandeza de seu talento, pois ele mesmo entra em um estado emocional engrandecido pela graça e grandiosidade de seu amigo músico. Mesmo sendo um homem mesquinho, egoísta e inseguro, esquece um pouco de si para tentar ajudar o músico a sair deste mundo que ele julga, não o merece, mas o choque acontece ao perceber que Nathanyel só se sente bem tocando exatamente para pessoas como ele, fragilizadas pela vida, esquecidas pela fartura e riqueza, perdidas dentro de si mesmo.
A beleza do filme está na linda amizade que os dois constroem e, principalmente, quando descobrimos junto com o personagem de Rovert Downy Jr, o jornalista Steve Lopez, que somos grandiosos como seres humanos quando ajudamos os outros sem interesse em ganhar algo em troca, mas simplesmente por fazer alguém melhor e mais feliz em sua vida, a dádiva de retribuir com amor o simples fato de ser uma amigo fiel.
O filme é baseado em uma história verdadeira, do livro de Lopez que conta sua experiência com o grande talento de Nathanyel, e como ele mudou sua vida deixando de ser tão competitivo e vaidoso.
Uma grande lição de vida em um filme cheio de drama e emoção, perfeitamente representado em seus intérpretes. O SOLISTA na Netflix é a dica da semana.

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