Sob o lema “Brasil: 200 anos de (in)dependência. Para quem?”, o Grito dos Excluídos promoveu a sua 28ª edição com manifestações em 51 cidades de 25 estados.
Organizado por movimentos populares e urbanos, centrais sindicais e pastorais da Igreja Católica, o evento, realizado nesta quarta-feira, 7 de Setembro, teve como reivindicações trabalho, moradia, terra, comida e democracia.

Porto Alegre
Em Porto Alegre, movimentos sociais e igrejas se reuniram em vários atos espalhados pela cidade. O MST participou da manifestação do Bairro Paternon, que teve três mil pessoas e a doação de 750 marmitas. O MST doou ainda uma tonelada de arroz orgânico produzido em assentamentos.
Na capital gaúcha, houve os seguintes atos: Grito pela Democracia, em frente à Igreja São José do Murialdo, na Rua Vidal de Negreiros; Grito pela Saúde, em frente ao posto de saúde da Rua Santo Alfredo; Grito Antirracista, em frente ao Carrefour, na Avenida Bento Gonçalves; Grito pela Água, em frente ao Departamento Municipal de Água e Esgoto (DMAE), na Avenida Bento Gonçalves; Grito pela Educação, na entrada PUCRS; e Grito contra a Fome, na Praça Francisco Alves, na Rua Juarez Távora.

São Paulo
Sob uma chuva persistente e um frio de 14ºC, o Grito dos Excluídos ocupou a Praça da Sé em São Paulo, no centro da capital. O ato começou com uma ação de solidariedade aos moradores de rua, por volta das 7h, com o oferecimento de um café da manhã.
“É um grito contra a fome. Nós estamos na luta para que o enfrentamento da fome esteja no centro da política. O Brasil não pode se conformar com tantas pessoas passando fome”, disse Kelli Mafort, da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Edson Veloso, de 38 anos, está desempregado há dois anos e foi um dos que receberam o café da manhã. Veloso pernoita em um abrigo da Prefeitura no Bairro Liberdade, mas permanece nas ruas durante o dia.
“Eu trabalhava de servente de pedreiro, tinha o meu cantinho, veio a pandemia e não apareceu mais emprego. Para mim, Dia da Independência é um dia qualquer. Amanhã vou ter que fazer meu corre de novo”, lamenta o morador, que pela segunda vez na vida está em situação de rua.

Histórico de manifestações
Realizado desde 1995, o Grito dos Excluídos ocorre paralelamente aos desfiles de 7 de Setembro. Todos os anos, o evento reúne pessoas de populações vulneráveis que se consideram socialmente e historicamente excluídas. Originalmente promovido pela Igreja Católica, o Grito reúne, além de movimentos populares, diferentes manifestações religiosas.
Os estados que tiveram atos do Grito dos Excluídos foram Acre, Alagoas, Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins.
Em Brasília, as manifestações foram adiadas para as 15h do próximo sábado (10), com concentração em frente ao Museu Nacional. No mesmo horário, está previsto um novo ato do Grito dos Excluídos embaixo do vão-livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp).
(Com informações da Agência Brasil)

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