ATHOS RONALDO MIRALHA DA CUNHA – ESCRITOR *
Quando ouvimos falar em usina hidrelétrica, automaticamente vem na mente dos mais antigos a Companhia Estadual de Energia Elétrica [CEEE], que foi esquartejada e privatizada em governos de triste memória. E foi na saudosa CEEE que pensei quando planejávamos – no grupo Andantes – a visita na Barragem de Itaúba para um passeio de barco e trilha no Morro do Urubu.
O lago, os cânions e as belas paisagens estão lá há mais de quarenta anos, mas foi nesse janeiro de 2023 que fomos conhecer. E nada é decepcionante. É um dos mais belos e aprazíveis lugares para encher os olhos de verde e azul. As Imagens são de tirar o fôlego.

A represa é imensa. Abaixo dos barcos consta 100 metros de profundidade e nem é bom imaginar o tempo que leva um celular cheio de mensagens e fotos exuberantes para chegar até ao fundo. E nunca mais ser visto. Nós estávamos devidamente protegidos por coletes salva-vidas.
Uma santinha solitária nos aguardava em um dos paredões da barragem. Reza a lenda. [A lenda é uma senhora de muita fé e sempre reza]. Reza a lenda que um trabalhador estava se afogando e foi salvo pela mão da Nossa Senhora Aparecida. Então, em forma de agradecimento e devoção, ele construiu uma capelinha para a santa no local do seu salvamento. E ela está ali abençoando os visitantes.

Em outro momento nos defrontamos com um paredão em que o nosso guia chamou de “Paga Peão”, pois lá de cima eram jogados os peões que reivindicavam seus direitos aos patrões. No caso, a fé da lenda é desfavorável ao trabalhador.
Logo em seguida a situação de encantamento em nossa jornada, uma mamãe urubu fazia a ronda do ninho com seu filhote numa reentrância das pedras nas muralhas da barragem.

Depois do passeio de barco fomos para a trilha no Morro do Urubu. Dois quilômetros morro acima em meio à vegetação. Esbaforidos e com um palmo de língua, chegamos no topo, mas o esforço foi recompensado: a vista da barragem traduz toda a sua grandeza e fascínio.

No Morro do Urubu há uma casinha abandonada tomada pelas macegas. Devia ser algo tipo casa das máquinas de outrora. Mas uma placa na parede denunciava o seu passado. Na plaquinha meio enferrujada constava a inscrição Companhia Estadual de Energia Elétrica.
A CEEE ainda resiste lá no alto do Morro do Urubu.
*Os vídeos e fotografias do local foram feitos por Athos Ronaldo Miralha da Cunha.

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