Paralelo 29

Usina Hidrelétrica de Itaúba

Foto: Athos Ronaldo Miralha da Cunha

ATHOS RONALDO MIRALHA DA CUNHA – ESCRITOR *

Quando ouvimos falar em usina hidrelétrica, automaticamente vem na mente dos mais antigos a Companhia Estadual de Energia Elétrica [CEEE], que foi esquartejada e privatizada em governos de triste memória. E foi na saudosa CEEE que pensei quando planejávamos – no grupo Andantes – a visita na Barragem de Itaúba para um passeio de barco e trilha no Morro do Urubu.

O lago, os cânions e as belas paisagens estão lá há mais de quarenta anos, mas foi nesse janeiro de 2023 que fomos conhecer. E nada é decepcionante. É um dos mais belos e aprazíveis lugares para encher os olhos de verde e azul. As Imagens são de tirar o fôlego.

Imenso paredão forma uma linda paisagem/Foto: Athos Ronaldo Miralha da Cunha

A represa é imensa. Abaixo dos barcos consta 100 metros de profundidade e nem é bom imaginar o tempo que leva um celular cheio de mensagens e fotos exuberantes para chegar até ao fundo. E nunca mais ser visto. Nós estávamos devidamente protegidos por coletes salva-vidas.

Uma santinha solitária nos aguardava em um dos paredões da barragem. Reza a lenda. [A lenda é uma senhora de muita fé e sempre reza]. Reza a lenda que um trabalhador estava se afogando e foi salvo pela mão da Nossa Senhora Aparecida. Então, em forma de agradecimento e devoção, ele construiu uma capelinha para a santa no local do seu salvamento.  E ela está ali abençoando os visitantes.

Santinha solitária faz parte da história do local/Foto: Athos Ronaldo Miralha da Cunha

Em outro momento nos defrontamos com um paredão em que o nosso guia chamou de “Paga Peão”, pois lá de cima eram jogados os peões que reivindicavam seus direitos aos patrões. No caso, a fé da lenda é desfavorável ao trabalhador.

Logo em seguida a situação de encantamento em nossa jornada, uma mamãe urubu fazia a ronda do ninho com seu filhote numa reentrância das pedras nas muralhas da barragem.

Vista da barragem traduz toda a beleza e fascínio do local turístico/Foto: Athos Ronaldo Miralha da Cunha

Depois do passeio de barco fomos para a trilha no Morro do Urubu. Dois quilômetros morro acima em meio à vegetação. Esbaforidos e com um palmo de língua, chegamos no topo, mas o esforço foi recompensado: a vista da barragem traduz toda a sua grandeza e fascínio.  

Barragem construída nos áureos tempos da CEEE nas águas do rio Jacuí/Foto: Athos Ronaldo Miralha da Cunha

No Morro do Urubu há uma casinha abandonada tomada pelas macegas. Devia ser algo tipo casa das máquinas de outrora. Mas uma placa na parede denunciava o seu passado. Na plaquinha meio enferrujada constava a inscrição Companhia Estadual de Energia Elétrica.

A CEEE ainda resiste lá no alto do Morro do Urubu.

*Os vídeos e fotografias do local foram feitos por Athos Ronaldo Miralha da Cunha.

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