ATHOS RONALDO MIRALHA DA CUNHA – Escritor
Tenho um fascínio por tudo que diz respeito à Viação Férrea. Sou bem saudosista quando falo em trens de passageiros, gare, estação e trilhos.
Quem, na infância, viajou de Santiago a Ramiz Galvão para visitar a avó e tomar banho no Rio Pardinho sabe do tipo de saudade que estou falando. Não é apenas uma viagem de trem, é um sentimento que não se explica. Então, causa uma tristeza quando me deparo com uma estação abandonada, sofrendo as intempéries e o descaso do poder público.
Também sou admirador das pontes férreas. Elas propõem uma contemplação e introspecção e eram a parte mais emocionante das viagens. Pelo menos para um piá na janela do vagão da primeira classe. [Por gentileza, não vamos ideologizar a crônica]. Eu sou filho de ferroviário.

Mas vamos falar sobre a ponte da Vila Clara. Já fazia um bom tempo que estava na minha lista para conhecer. Ela liga as cidades de São Pedro do Sul e Mata sobre o rio Toropi. Hoje, apenas, uma silenciosa balsa faz a travessia dos carros. A ponte vista da balsa é, simplesmente, majestosa.
Construída no final da década de 30 do século passado, ela possui 146 metros de vão livre o por muito tempo foi o maior vão livre em concreto armado da América Latina.
Consta que algumas pessoas colocaram em dúvida a capacidade da ponte, para garantir o engenheiro ficou embaixo durante a passagem do trem de passageiros na inauguração.
Caminhamos pela ponte na direção Mata a São Pedro do Sul e uma chuvinha foi o presente que deixou uma paisagem especial para observar e clicar. O triste desta história é que a gente começa a travessia e termina no outro lado com os trilhos encobertos pelas macegas. A imagem diz tudo: o fim de um ciclo. Aqui a Maria-Fumaça não apita mais na ponte.
Mas a ponte da Vila Clara continua lá, imponente… monumental… uma bela obra de arte a recepcionar os turistas de ocasião. E um sentimental filho de ferroviário.

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