Paralelo 29

Sobreviventes e familiares de vítimas de tragédias virão a Santa Maria para evento sobre os 11 anos da Kiss

Foto: Tomaz Silva, Agência Brasil

Luta por justiça, campanhas e preservação de memória unem associações

Sobreviventes e familiares de vítimas de tragédias ocorridas no Brasil estarão em Santa Maria no próximo sábado, 27, dia em que o incêndio que matou 242 pessoas na boate Kiss completará 11 anos.

Virão à cidade uma sobrevivente da tragédia da barragem de Brumadinho e o pai de um garoto que morreu no incêndio do Ninho do Urubu.

O rompimento da barragem do Córrego do Feijão, no município de Brumadinho (MG) completará cinco anos na quinta-feira (25).

A PROGRAMAÇÃO

Justiça e prevenção, para que nunca mais aconteça/11 anos da tragédia da Boate Kiss:

Dia 26, sexta-feira

• 20h30 | Acolhimento na tenda da Vigília (Praça Saldanha Marinho, em frente ao Banrisul)
• 22h30 | Caminhada até o prédio onde funcionava a Boate Kiss, na Rua dos Andradas, 1.925, Centro
• 2h30 | Próximo ao horário que iniciou o incêndio, haverá a leitura dos nomes e badaladas de sinos para homenagear cada um dos 242 jovens que perdeu a vida na noite de 27 de janeiro de 2013

Dia 27, sábado

• 18h30 | Abertura (em frente ao prédio onde funcionava a Boate Kiss, Rua dos Andradas, 1.925, Centro)
• 19h | A vida impactada por uma tragédia com Darlei Constante Pisseta (pai de Bernardo Augusto Manzke Pisetta, vítima do incêndio no Ninho do Urubu – Flamengo), Josiane Melo (sobrevivente e irmã de vítima do rompimento de barragem da Vale, em Brumadinho e uma das fundadoras da Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem Mina Córrego do Feijão-Brumadinho – Avabrum) e Gabriel Rovadoschi Barros (sobrevivente da boate Kiss e presidente da AVTSM).
• 19h50 | Lei Kiss e os perigos da flexibilização com João Vivian (Engenheiro Civil, doutorando em Engenharia de Segurança ao Incêndio e Diretor de Negociações Coletivas Adjunto no Sindicato dos Engenheiros no Estado do RS – SENGE/RS) e Paulo Carvalho (Diretor Jurídico da AVTSM e pai de Rafael Carvalho)
• 20h25 | O incêndio na boate Kiss e suas consequências com Ceres Victora, antropóloga e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
• 20h40 | A dor de perder um filho e conviver com a impunidade com Marilia Panontin (mãe de Davi Panontin, recém-nascido vítima de negligência médica), Cátia Goulart (mãe do Andrei Goulart, assassinado aos 12 anos), Cibele Viana Costa (mãe de Isadora Viana Costa, vítima de feminicídio aos 22 anos) e Jaqueline Malezan (mãe de Augusto Malezan de Almeida Gomes, 18 anos, vítima da boate Kiss).
• 21h50 | A vida depois da boate Kiss, relato dos sobreviventes Gustavo Cauduro Cadore (médico veterinário e acadêmico de medicina), Maike dos Santos (designer gráfico), Cristiane dos Santos Clavé (funcionária pública e acadêmica da UFSM) e Delvani Brondani Rosso (protético).
• 22h35 Encerramento das atividades

Sobrevivente de Brumadinho e pai de vítima do Ninho do Urubu

Josiane Melo é uma das sobreviventes e irmã de uma das 272 vítimas desse desastre. Josiane preside uma associação de sobreviventes e familiares de vítimas que luta por justiça e por indenizações. Ela será uma das palestrantes da programação de sábado (27).

Já Darlei Constante Pissetta é pai de Bernardo Augusto Manzke Pisetta, uma das 10 vítimas do incêndio no Ninho do Urubu, alojamento das categorias de base do Flamengo, no Rio de Janeiro. O incêndio completará cinco anos no próximo dia 8 de fevereiro, e familiares ainda lutam por justiça.

As tragédias de Brumadinho e do Ninho do Urubu têm semelhanças com a da Kiss pela negligência de autoridades e por ganância de empresários. Também se assemelham pela dor da saudade pela sensação de impunidade ou de injustiça que as cercam.

Painéis também terão relatos de sobreviventes da Kiss e familiares

A programação dos 11 anos da tragédia da boate Kiss foi articulada pela Associação de Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM). As atividades serão realizadas nesta sexta e no sábado com o tema “Justiça e prevenção, para que nunca mais aconteça”.

Os painés de discussão também contarão com relatos de sobreviventes do incêndio da Kiss e de familiares de alguns dos 242 jovens que morreram na tragédia. O incêndio da Kiss é considerado a maior tragédia do Rio Grande do Sul e a segunda maior do país.

Os debates e homenagens serão na Tenda da Vigília e em frente ao prédio onde funcionava a boate (Rua dos Andradas, 1.925, Centro). No local, será construído o Memorial às Vítimas da Boate Kiss, cujo processo licitatório está em andamento.

Conforme a AVTSM, as ações realizadas têm como objetivo preservar a memória daqueles que partiram e construir um futuro seguro para os que aqui ficaram.

A instituição também promove uma campanha nas redes sociais para que bares, boates e restaurantes não promovam eventos com músicas ou festas durante os dias 26 e 27 de janeiro, em solidariedade, empatia, reflexão e adesão à 1ª Semana em Memória às Vítimas da Boate Kiss.

(Com informações de Lenon de Paula – Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Santa Maria)

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