Paralelo 29

PARALELAS: “Não adianta ter um terço na mão se vive com o diabo na boca”, diz pré-candidato do PSOL sobre concorrente do PL

Foto: Divulgação, PSOL

Peleia na disputa pela Prefeitura começa quente mesmo pelos dois extremos da política

O pré-candidato do PSOL, Alídio da Luz, disparou a primeira rajada da campanha para a Prefeitura de Santa Maria. Anunciado na manhã deste sábado (6), Alídio mirou a metalhadora para o outro extremo, a pré-candidatura do PL, representada pela vereadora Roberta Leitão.

“Fazer o enfrentamento como deve ser feito é falar as coisas como elas são. É chegar para uma Roberta Leitão e dizer que não adianta ter um terço na mão se vive com o diabo na boca”, disse.

A frase se refere ao fato de a vereadora eleita pelo PP e agora no PL ir para as sessões segurando um terço. Alinhada à linha radical da direita católica, Leitão é assumidamente conservadora no que se refere à chamada pauta de costumes.

Em sua participação no podcast Estação 29 no ano passado, a vereadora disse que homossexualismo é pecado e afirmou que qualquer mulher que esteja decidida a abortar não fale com ela, mesmo em se tratando de aborto legal, como em caso de estupro.

Nas redes sociais, a vereadora bolsonarista prioriza ataques à esquerda e até a quem não é exatamente esquerda. Mais ou menos como ao se referir ao prefeito Jorge Pozzobo (PSDB) como “esquerdista” por vetar projetos de lei dela contra o aborto.

A briga começou, digamos, por pré-candidaturas consideradas “menos expressivas” eleitoralmente falando. Agora, não há dúvidas de que psolistas e bolsonaristas são candidatos a soltarem as maiores farpas e pérolas da campanha deste ano na cidade.

NOTAS TRANSVERSAIS

O vídeo misterioso que está incomodando o MDB

Na terça-feira (2), a coluna contou sobre o vazamento de um vídeo feito por um dirigente pedetista xingando o MDB por ter preterido o ex-reitor Paulo Burmann e optado por uma aliança com o Novo, que tem Giuseppe Riesgo como pré-candidato.

Formiguinhas contaram à coluna que tal vídeo teria sido produzido para consumo interno, mas acabou vazando para outros grupos não pedetistas até chegar em dirigentes do MDB e do Novo.

Resultado: o autor do vídeo ouviu poucas e boas de dois dirigentes emedebistas. Um chegou a usar o termo “canalha” para definir o “videomaker” pedetista.

Quanto ao vídeo, o conteúdo continua misterioso para quem não frequenta os grupos em que ele estaria circulando.

O trocadilho de Farret

Ao discursar no lançamento oficial da dobradinha PT-União Brasil, o pré-candidato a vice José Farret (UB) largou uma pérola em forma de trocadilho para adversários que criticam concorrentes que já foram prefeitos, como ele próprio e o cabeça de chapa, Valdeci Oliveira (PT).

“Que povo sério que não troca o amor velho pelo novo”, alfinetou Farret.

Seria intencionalmente uma resposta ao Novo cujo discurso, mesmo sem citar adversários, fala em renovação política e administrativa?

Caciques em ação

O discurso moderado, e ao mesmo tempo, muito claro e estruturado de Giuseppe Riesgo no lançamento da coligação com o MDB, teve o dedo de experientes caciques emedebistas.

Nada de ataques nominais, neste momento, pelo menos. A munição deve ser usada na campanha e nos momentos adequados. Ou seja, tem muita campanha pela frente.

Fora do ar

Aviso no site da Prefeitura de Santa Maria leva em conta legislação eleitoral/Foto: Reprodução

A Prefeitura de Santa Maria tirou do ar a seção de notícias do seu site. A medida, segundo comunicado, foi tomada em cumprimento à legislação eleitoral

A seção será retomada após as eleições. Ou seja, em 7 de outubro se a eleição for decida em primeiro turno. Se tiver segundo turno, só depois do dia 27.

MÁQUINA DO TEMPO

PT e PMDB aliados na disputa pela Prefeitura de Santa Maria

Marcos Rolim, candidato em 1992 pela aliança PT/PMDB e mais quatro/Foto: Arquivo

Aperte os cintos! A partir desta edição a coluna Paralelas resgatará fatos interessantes, curiosos, folclóricos e pitorescos do passado político santa-mariense, principalmente em relação aos pleitos municipais. Hoje, a máquina do tempo transporta o leitor até o ano de 1992.

Naquele ano já distante, PT e PMDB (atual MDB) se aliaram para disputar a Prefeitura de Santa Maria. Na cabeça, o ex-vereador Marcos Rolim, do PT, teve dois vices no decorrer do processo.

Primeiramente, o empresário Carlos Evanói Vieira, também ex-vereador, representando o PMDB. Resistências internas nas duas siglas resultaram na renúncia de Evanói, que foi substituída pela professora Irma Agostini, peemedebista casada com o também professor Dartagnam Agostini, militante histórico do PC do B.

Renúncia em pleno comício

O curioso é que a renúncia de Evanói tornou-se pública em um comício da coligação, no Parque Itaimbé. Uma das versões diz que Evanói renunciou em uma reunião ocorrida no Bombril. O próprio Evanói já deu sua versão ao site Paralelo 29: a renúncia foi acertada na noite anterior, em uma casa na Rua dos Andradas.

Massacre nas urnas. E advinha quem venceu?

Eleição de 1992 ocorreu no tempo da cédula de papel/Foto: Arquivo

Curiosamente, PT e PMDB se uniram a mais quatro partidos para enfrentar o queridão atual dos petistas, o médico José Farret, que venceu aquela eleição de lavada com menos partidos. O vice era outra figura ainda atuante na política local, Sérgio Cechin, ex-vereador e ex-vice-prefeito.

A dupla enfrentou ainda uma terceira candidatura, do PDT. Foi um massacre nas urnas. Nos tempos da cédula de papel.

Compartilhe esta postagem

Facebook
WhatsApp
Telegram
Twitter
LinkedIn