Em nota, Marcio Obetine diz que familiares esperam uma investigação “rigorosa, técnica e imparcial” das autoridades
O advogado Marcio Batista Obetine, advogado da família do lenheiro Valdemar Both, de 54 anos, morto a tiros durante uma abordagem do 2º Batalhão Ambiental da Brigada Militar, no final da tarde de terça-feira (1º), na Estrada do Radar, no Distrito de Palma, em Santa Maria, divulgou nota questionando a ação policial.
Na manifestação, divulgada nesta sexta-feira (4), Obetine diz que a família “reafirma sua confiança plena na elucidação dos fatos por meio de uma investigação rigorosa, técnica e imparcial, conduzida pelas autoridades competentes”.
O advogado ressalta, no entanto, “perplexidade e indignação” com a forma como a abordagem foi conduzida pela guarnição da Brigada Militar. A defesa questiona “se houve excesso” no uso da força por parte dos policiais militares que participaram da ação. Também questiona o fato de não ter sido usada arma de menor potencial ofensivo, também conhecida como “não letal”.
CONFIRA A NOTA DO ADVOGADO DA FAMILIA BOTH
A defesa técnica que representa a família do agricultor Valdemar Both, brutalmente morto
durante uma abordagem da Brigada Militar no dia 1º de julho de 2025, no distrito de Palma,
em Santa Maria/RS, vem a público manifestar-se diante dos fatos amplamente noticiados
pelos meios de comunicação locais.
Inicialmente, a família reafirma sua confiança plena na elucidação dos fatos por meio de
uma investigação rigorosa, técnica e imparcial, conduzida pelas autoridades competentes.
A tragédia ocorrida não pode ser naturalizada ou silenciada, e exige respostas claras à sociedade e, sobretudo, à família enlutada.
Causa profunda perplexidade e indignação a forma como a abordagem foi conduzida pela guarnição da Brigada Militar, culminando na morte de um agricultor que se encontrava em sua propriedade particular, trabalhando.
A defesa questiona, de maneira legítima e fundamentada se houve excesso no uso da força por parte dos policiais militares que participaram da ação, especialmente diante da possibilidade de alternativas não letais para contenção.
Questiona-se, por qual razão não se fez uso de armamentos não letais, como o spray de
pimenta, bastões de impacto ou tasers, recursos disponíveis em operações de fiscalização
ambiental e que têm por objetivo preservar a integridade física de todos os envolvidos.
Questiona-se, ainda, em que condições foi autorizada a entrada da viatura da Brigada Militar na área interna da propriedade privada do agricultor, considerando o princípio constitucional da inviolabilidade do domicílio.
É dever do Estado Democrático de Direito garantir a legalidade e a proporcionalidade em
todas as ações de seus agentes. A morte de um cidadão jamais pode ser considerada um
desfecho aceitável ou rotineiro de uma abordagem fiscalizatória.
A defesa, ao lado dos familiares de Valdemar Both, seguirá acompanhando atentamente
cada etapa da investigação e exigirá responsabilização, caso comprovados excessos ou ilegalidades na conduta dos agentes envolvidos.
As cópias dos vídeos serão entregues as autoridades competentes: Ministério Público Gaúcho, Polícia Civil – RS, Comando da Brigada Militar.
A dor da perda é irreparável. Mas a busca por justiça é um compromisso inadiável.
Santa Maria/RS, 4 de julho de 2025.
Atenciosamente: Marcio Batista Obetine
Manifestação é marcada
O Movimento Securitização Já, ligado ao agronegócio, abraçou a causa da família Both e marcou um protesto por justiça. A manifestação está marcada para este sábado (5), a partir das 10h, em frente ao 2º Batalhão de Polícia Ambiental, em Santa Maria.
Comando do Batalhão Ambiental diz que tiros em lenheiro foram disparados em legítima defesa
BM afirma que dupla agiu em legítima defesa
A Brigada Militar abriu um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar as circustâncias dos fatos, mas prevalece, inicialmente, a tese de legítima defesa. Dois policiais participaram da ação. Uma policial fez o primeiro disparo e o colega fez outros dois.
Segundo nota divulgada pela corporação, Both teria investido contra os policiais com um machado, que foi recolhido para perícia.
O caso também é investigado pela Polícia Civil, por meio da Delegacia de Polícia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DPHPP). Porém, o delegado Adriano Winkelmann De Rossi, também trabalha com a hipótese de legítima defesa.

