As cerca de dez famílias de indígenas cainguangues que invadiram uma área da Fepagro na Estação Experimental em Santa Maria no Distrito de Boca do Monte no início da tarde desta terça-feira (15) permanecem acampadas no local.
Segundo reportagem da Rádio Imembuí, elas passaram a noite e a madrugada na área, que está sob monitoraento de duas guarnições da Brigada Militar.
Conforme reportagem assinada pelo jornalista Fabricio Minussi, da Imembuí, o grupo formado por homens, mulheres e crianças partiu das cidades de Tenente Portela, Iraí e Passo Fundo. As famílias moravam em áreas afetadas pelas enchentes de 2024.
A viagem até Santa Maria foi feita em um caminhão, seis carros e um táxi. O líder do grupo, Erni Amaro, disse que o objetivo é permanecer na área, que pertence ao Estado.
Negociações
As negociações na tentativa de que o grupo deixe o local foram retomadas pela manhã. Ainda na tarde de terça-feira, os estudantes da Escola Municipal de Educação Infantil que fica na área da Fepagro, foram retirados do local em segurança e entregues aos cuidados dos pais e responsáveis.
O advogado Gabriel de Oliveira Soares, que presta assessoria jurídica popular para comunidades tradicionais, vinculado ao Departamento de Direito da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), disse que uma parte do grupo teria vindo do Bairro Chácara das Flores. Por volta de 19h, um representante do MPF chegou ao local e coletou relatos tantos de policiais quanto da liderança caingangue. O impasse continua.
Sem luz
Em vídeo posta nas redes sociais, nesta quarta-feira (16), a vereadora Alice Carvalho (PSOL), que acompanha a situação, denunciou que a energia elétrica havia sido cortada, deixando as famílias indígenas no escuro.
“Para deixar totalmente no escuro, retiraram as lâmpadas do lado de fora do galpão. Uma mesquinharia sem tamanho. As crianças dormiram na escuridão completa. Hoje, após cobranças, colocaram novamente três lâmpadas. Mas é muito pouco, três lâmpadas não é garantir a dignidade. As famílias continuam sem luz para tomar um banho quente e o galpão fechado. A chuva já começava alcançar os colchões e cobertas”, postou a vereadora.
Há informações de que o governo do Estado pretende pedir a reintegração de posse na área à Justiça.
(Com informações de Fabrício Minussi – da Rádio Imembuí)

