Crime de feminicídio ocorrido há um ano teve grande repercussão; assassino fugiu para Santa Maria, onde foi preso
JOSÉ MAURO BATISTA – PARALELO 29
Pouco mais de um após assassinar sua companheira, Angélica Dias Moraes a facadas dentro de um mercado em São Pedro do Sul, Gilson Bianchin Venturini foi condenado, nessa sexta-feira (3), a 30 anos de prisão por femincídio.
O crime, ocorrido em 21 de setembro do ano passado, teve grande repercussão porque o assassino perseguiu a vítima e foi atrás dela dentro do estabelecimento comercial, onde a esfaqueou. Angélica, de 30 anos, deixou cinco filhos. Venturini tinha 37 anos à época
Imagens de câmeras de segurança publicada no dia do assassinato mostraram a violência do crime, que chocou a Região Central. Venturini fugiu e foi preso em Santa Maria pela Polícia Civil (leia mais, abaixo).
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R$ 100 mil para os cinco filhos da vítima
A juíza Walkyria Maria Alvares dos Prazeres Campos de Souza Cabral, titular da Vara Judicial de São Pedro do Sul, também condenou o réu a pagar uma indenização de R$ 100 mil para os cinco filhos menores da vítima.
A promotora de Justiça Tayse Bielecki Yamanaka, que atuou em plenário, sustentou a acusação de homicídio qualificado por motivo torpe, uso de recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio, em razão da condição de gênero e do contexto de violência doméstica. A Justiça determinou a execução imediata da pena.
O Conselho de Sentença, formado pelo sete jurados, reconheceu as três qualificadoras do crime contra a vida: feminicídio, motivo torpe (sentimento de posse sobre a vítima) e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima.
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Agressão a outra mulher e tentativa de homicídio
A promotora também apontou a reincidência de Venturini, que já tinha sido condenado por lesão corporal contra outra mulher e respondia por tentativa de homicídio.
Yamanaka ressaltou que as imagens das câmeras de sgurança mostraram a vítima fugindo do agressor e, depois, sendo encurralada pelo assassino nos corredores do mercado, sem chance de defesa.
Angélicafoi atingida por múltiplos golpes de faca em regiões vitais, como o tórax e o abdômen, e morreu no interior do estabelecimento comercial.
O crime, segundo a promotora, foi motivado pelo sentimento de posse e desprezo à condição de mulher da vítima.
Embora tenha direito a recorrer da sentença, Venturini continuará preso em razão da prisão preventiva decretada pela Justiça à época do crime.
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Ao fixar pena, juíza destacou a “extrema brutalidade”
Durante o julgamento, apenas o réu foi ouvido, em interrogatório. Atuaram em plenário a aromotora Tayse Bielecki Yamanaka, pela acusação, e a defensora pública Marina Prais, que representou Venturini no processo.
Ao fixar a pena (dosimetria), a juíza considerou circunstâncias como os relatos que apontaram para um comportamento agressivo de violência doméstica do réu, “a extrema brutalidade” do crime e suas consequências.
“Além dos nefastos efeitos comuns ao delito de homicídio (como o trauma causado aos familiares), o fato de a vítima ter deixado cinco filhos, todos menores de idade, ao completo desamparo material e afetivo da figura materna”, afirmou a juíza na sentença.
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Relembre o crime
O crime ocorreu na manhã de 21 de setembro do ano passado, no Bairro Maturino Bello, dentro de um mercado, para onde a mulher se dirigiu com a intenção de se abrigar após uma discussão com o agressor na residência dela.
Já dentro do mercado, Venturini perseguiu Angélica pelos corredores e a encurralou próximo a uma prateleira, desferindo diversos golpes com uma faca. As facadas atingiram pescoço, tórax e abdômen, causando a morte da vítima no local.
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Fuga e prisão em Santa Maria
Depois de cometer o crime, Gilson Venturini fugiu da cidade, escondendo-se em Santa Maria. Na fuga, ele abandonou o veículo Gol no acostamento da BR-392, no Bairro Tomazatti, zona Sul de Santa Maria, e se refugiou na mata.
O Gol de Venturini foi localizada pela Brigada Militar na tarde de domingo, 22 de setembro, um dia após o crime.
Na segunda-feira, 23 de setembro, dois dias após o feminicídio, agentes da Delegacia de Polícia de São Pedro do Sul e da Delegacia de Polícia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DPHPP) de Santa Maria prenderam o assassino.

