Paralelo 29

Polícia Federal deflagra operação contra fraude milionária na Saúde envolvendo investigados de Jaguari e Santiago

Foto: PF, Divulgação

Operação Paralelo Cinco visa desarticular organização criminosa que desviou recursos; hospital de Jaguari sofre intervenção

PARALELO 29*

Os municípios de Jaguari e Santiago estão entre os municípios em que a Polícia Federal cumpre mandados na manhã desta terça-feira (25/11) para desarticular uma organização criminosa responsável pelo desvio de milhões de reais destinados à área da saúde em cidades gaúchas e de São Paulo. São 20 investigados, segundo a Polícia Federal.

De acordo com o site da PF, os agentes federais cumpriram 24 mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão preventiva no Rio Grande do Sul, São Paulo e Santa Catarina.

Ao mesmo tempo, os policiais federais executam medidas de “constrição patrimonial” sequestro de 14 imóveis, apreensão de 53 veículos e uma embarcação, além do bloqueio de mais de R$ 22,5 milhões em contas bancárias.

A Operação Paralelo Cinco tem apoio técnico do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul (TCE/RS) e da Controladoria-Geral da União (CGU). Os nomes dos investigados não foram divulgados no site da Polícia Federal.

ONDE ESTÃO SENDO CUMPRIDOS MANDADOS

  • Jaguari: 4 mandados de busca e apreensão
  • Santiago: Um mandado de busca de apreensão
  • Porto Alegre: Um mandado de prisão preventiva, 9 mandados de busca e apreensão e 5 imóveis sequestrados
  • Gravataí: Um mandado de prisão preentiva, dois mandados de busca e apreensão e 5 imóveis sequestrados
  • Alvorada: Um mandado de busca e apreensão
  • Gramado: Um imóvel sequestrado
  • Balneário Camboriú (SC): 3 mandados de busca e apreensão e imóvel sequestrado
  • Osasco (SP): 2 mandados de busca e apreensão
  • Embu das Artes (SP): 2 mandados de busca e apreensão
  • São Paulo (SP): Um imóvel sequestrado
  • Boa Vista (RR): Um imóvel sequestrado

Hospital de Jaguari sofre intervenção judicial

Outras medidas cautelares foram impostas aos 20 investigados, como afastamento de funções, suspensão de atividades econômicas, restrição de acesso a órgãos públicos e proibição de contato entre os envolvidos.

A decisão do Juízo das Garantias da 2ª Vara Federal de Santana do Livramento ainda determinou a designação de interventores nos hospitais municipais de Jaguari/RS e Embu das Artes/SP.

Grupo que assumiu hospitais recebeu R$ 340 milhões

O inquérito policial, iniciado em janeiro de 2024, apurou que um grupo de empresários de Porto Alegre assumiu a gestão dos Hospitais Municipais de Jaguari/RS e Embu das Artes/SP.

Verificou-se que, somente entre 2022 e agosto de 2025, essas instituições receberam mais de R$ 340 milhões em recursos públicos, valores provenientes de repasses municipais, estaduais e federais destinados ao custeio dos serviços de saúde.

De acordo com a Polícia Federal, as investigações apontam para um sistema de desvio de recursos públicos, baseado na utilização de empresas de fachada e entidades interpostas, sem capacidade operacional mínima, empregadas para emissão de notas fiscais inidôneas e ocultação da real destinação dos recursos.

Os valores repassados eram rapidamente pulverizados para dezenas de contas de pessoas físicas e jurídicas sem qualquer vínculo com os serviços contratados, beneficiando os gestores da organização social e alimentando um sofisticado esquema de ocultação e dissimulação financeira, aponta a investigação da Polícia Federal.

Imóveis de alto pdrão e viagens de luxo

Além disso, conforme a Polícia Federal, foram detectados desvios operacionalizados diretamente das contas-convênios, especialmente para o pagamento de despesas estritamente pessoais, como remunerações elevadas a funcionários sem prestação de serviços.

Também há contratos fictícios de trabalho, aluguéis de imóveis de alto padrão, viagens de luxo, aquisição de bens particulares e manutenção de vantagens pessoais, tudo financiado com recursos originalmente destinados aos hospitais de Jaguari/RS e Embu das Artes/SP.

A deflagração da operação nesta terça-feira visa apreender novos elementos de informação, aprofundar o rastreamento de ativos e reforçar o conjunto probatório já produzido. Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, peculato, lavagem de capitais e outros delitos conexos.

(*Com informações da Polícia Federal – Santa Maria)

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