Julgamento de cinco acusados está marcado para esta quarta-feira
Um crime que chocou a Região Central em novembro de 2021 começará a ser julgado nesta quarta-feira (10/12), quando irão a júri, no Fórum de Restinga Seca, na Quarta Colônica, cinco acusados do assassinato da adolescente Gabriela Ferreira Glasenapp, de 15 anos.
Conforme o site Portal Agudense, os réus têm entre 27 e 39 anos de idade e respondem por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, extorsão qualificada (a mãe da jovem é a vítima) e participação em organização criminosa.
O julgamento será conduzido pela juíza Rosangela Maria Vieira da Silva, titular da Comarca de Restinga Seca, enquanto a acusação ficará a cargo da promotora de Justiça Sara Weiser Martins.
Levada até a cova e executada a tiros
O Caso Gabriela ganhou repercussão pela forma brutal como o crime foi executado. A adolescente foi levada até uma cova que havia sido preparada, em uma área de mata, na Vila Pelizáro. No local, ela foi executada com dois tiros na cabeça.
O corpo só foi localizado em 2 de dezembro em uma operação policial que contou com o apoio do cão farejador Guapo, que indicou o local exato em que a vítima havia sido enterrada
Mãe foi extorquida e pagou dívida de droga
Em áudios divulgados à época pela Polícia Civil, uma traficante chantageia Juvercina Ferreira Glasenapp, mãe da garota, que estava em Goiás.
A mulher liga para Juvercina e diz que Gabriela estava devendo R$ 450 na boca e que ela seria morta se a dívida não fosse quitada até o fim do dia. A mulher exige que a mãe deposite o dinheiro, sempre mediante ameaças de matar Gabriela.
Juvercina chegou a depositar o dinheiro na conta indicada e avisou a filha. Gabriela foi até a boca, onde havia deixado o celular como garantia, para avisar aos traficantes que a mãe havia quitado a dívida. No entanto, como não tiveram a comprovação da entrada do dinheiro, resolveram matar a adolescente.
Imagens divulgadas à época pela Polícia Civil mostram Gabriel caminhando para a área em que foi assassinada e enterrada. Ela aparece com dois suspeitos do crime, um homem e uma mulher,
Confira a transcrição dos áudios à mãe da vítima
Traficante – Prepara o caixão, uma mãe dessas, eu vou matar porque ela nem merece a mãe assim. Já prepara o caixão. Já vou avisar a avó dela”. Depois, em outro áudio, a mesma pessoa diz que “tão com pena” de Gabriela.
Traficante – “A senhora não deu educação pra sua filha, ela tá se estragando, vai perder a vida dela, porque ela só faz merda e só mente na vida dela. As pessoas que tão aqui tudo têm filho e tão com pena de uma menina que tá se estragando na vida. A gente não quer mais ela aqui. Ela vai morrer”
Na sequência, a interlocutora se refere a uma facção da Região Metropolitana de Porto Alegre e envia uma terceira mensagem para a mãe com mais ameaças:
Traficante: Eu percebi que a senhora tem acesso a internet. O que eu vou te dizer? Dá uma pesquisada nos (…), vê o que a gente faz com as pessoas, vê se é isso que a senhora quer pra sua filha. Isso se a senhora realmente é mãe, né, porque se diz de um filho meu que vai morrer por causa de 450, tu vai deixar? Que mãe que tu é? Por isso tua filha é uma pedreira, uma drogada e uma vagabunda, porque a educação vem de casa”
(Com informações do Portal Agudense e da Rádio Querência)

