Projeto com universidades federais avalia uso de biomassa como alternativa para produção de querosene renovável
Gabriela Alves, bolsista de jornalismo da Proinova/UFSM
A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) integra um Termo de Cooperação com a Petrobras e outras três universidades federais para avaliar uma rota tecnológica de produção de combustível sustentável de aviação, conhecido pela sigla SAF.
Em andamento desde janeiro de 2026, o projeto estuda como a biomassa pode ser transformada em querosene renovável e outros produtos de baixo carbono por meio da gaseificação em fluxo de arraste e da síntese Fischer-Tropsch, processo usado para converter gases em compostos que dão origem a combustíveis.

Além da UFSM, participam da iniciativa a Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e a Universidade Federal do Paraná (UFPR). Segundo os pesquisadores, a proposta é coordenada pela UNIFEI e tem a Petrobras como financiadora. Na UFSM, o projeto envolve os professores Michel Brondani e Flávio Dias Mayer, do Departamento de Engenharia Química, vinculados ao Laboratório de Biomassa e Biocombustíveis (L2B).
O estudo busca avaliar se a biomassa pode ser utilizada como insumo renovável em uma rota integrada à produção de combustíveis. De acordo com Mayer, a proposta considera uma alternativa ao uso exclusivo de recursos fósseis.
“No lugar do petróleo, que não é renovável, a biomassa seria avaliada como um novo insumo para a produção de biocombustíveis de baixa intensidade de carbono”, explica.
A pesquisa também deve analisar diferentes fontes de biomassa disponíveis no Brasil, como materiais de origem agrícola e florestal. Essa etapa inclui o mapeamento da localização desses recursos e das condições necessárias para que possam ser utilizados na rota estudada.
“Vamos estudar vários tipos de biomassa, onde elas estão localizadas e como poderiam suprir a demanda da Petrobras”, afirma Mayer.
Uma das frentes da pesquisa será o mapeamento do estágio de desenvolvimento da tecnologia. Para isso, serão analisados indicadores como o nível de maturidade tecnológica e o nível de maturidade comercial, conhecidos pelas siglas TRL e CRL. Segundo Brondani, essa avaliação é necessária para compreender as possibilidades de aplicação da rota.
“O primeiro momento é justamente verificar em que nível a tecnologia se encontra, tanto do ponto de vista tecnológico quanto comercial”, afirma.
Na UFSM, uma das contribuições previstas é a prospecção tecnológica em bancos de patentes. A análise deve ajudar a identificar tecnologias existentes, empresas envolvidas, tendências de desenvolvimento e lacunas ainda presentes na produção de SAF por meio da gaseificação de biomassa.
O projeto também prevê avaliação técnica, ambiental, econômica e logística da rota. Entre os pontos analisados estão a disponibilidade de biomassa em diferentes regiões do Brasil, os custos de produção, a integração da tecnologia às refinarias da Petrobras, a possibilidade de captura de carbono e a elaboração de um roadmap para implementação da tecnologia no país.
Para os pesquisadores, a formação do consórcio entre universidades permite reunir instituições com competências complementares para a execução do projeto. A cooperação científica com a Petrobras também é vista como um reconhecimento da capacidade da UFSM em realizar pesquisas e contribuir para o desenvolvimento tecnológico.
Para a sociedade, o principal impacto esperado está relacionado à busca por alternativas para reduzir emissões no setor aéreo. O estudo avalia, segundo Mayer, “a substituição de uma matriz fóssil por uma matriz renovável”, com uso de matérias-primas produzidas no país e com potencial de diminuir a pegada de carbono associada ao consumo de querosene de aviação.
Com a organização inicial das atividades entre as instituições, o projeto deve avançar no mapeamento das tecnologias disponíveis, das fontes de biomassa e das condições necessárias para aplicação da rota no Brasil. A expectativa é que os resultados subsidiem futuras decisões sobre o uso de matérias-primas renováveis na produção de combustíveis de aviação.