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	<title>Arquivo de Cronistas e Colunistas - Paralelo 29</title>
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	<description>Notícias de Santa Maria, região, Rio Grande do Sul e Brasil, além de conteúdos curiosos e informativos para manter você sempre atualizado.</description>
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	<title>Arquivo de Cronistas e Colunistas - Paralelo 29</title>
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		<title>JOSÉ RENATO: Como enganar os iludidos</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Apr 2026 02:24:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>JOSÉ RENATO FERRAZ DA SILVEIRA – PROFESSOR DO DEPARTAMENTO DE ECONOMIA E RELAÇÕES INTERNACIONAIS E ANALISTA DE POLÍTICA INTERNACIONAL – UFSM Há algo de revelador — e ao mesmo tempo preocupante — na forma como determinados episódios ganham interpretação pública no Brasil contemporâneo. O caso envolvendo Alexandre Ramagem, recentemente abordado por setores alinhados ao bolsonarismo, [&#8230;]</p>
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<h5 class="wp-block-heading has-text-align-center">JOSÉ RENATO FERRAZ DA SILVEIRA – PROFESSOR DO DEPARTAMENTO DE ECONOMIA E RELAÇÕES INTERNACIONAIS E ANALISTA DE POLÍTICA INTERNACIONAL – UFSM</h5>



<p>Há algo de revelador — e ao mesmo tempo preocupante — na forma como determinados episódios ganham interpretação pública no Brasil contemporâneo. </p>



<p>O caso envolvendo Alexandre Ramagem, recentemente abordado por setores alinhados ao bolsonarismo, é exemplar não pelo fato em si, mas pela narrativa construída ao seu redor. </p>



<p>A versão difundida pelo jornalista Paulo Figueiredo procura transmitir normalidade onde há, no mínimo, complexidade. E é justamente aí que reside o problema. </p>



<p>Comecemos pelo ponto mais imediato: a ideia de que uma infração leve de trânsito na Flórida pode, de maneira rotineira, levar alguém ao sistema de imigração. Não é assim que funciona. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Simplificação indevida ou distorção deliberada</h2>



<p>A abordagem policial, nesses casos, pode até servir como ponto de verificação, mas o encaminhamento ao ICE não decorre da infração em si — ele depende de fatores prévios, de alertas no sistema, de inconsistências ou suspeitas já existentes. </p>



<p>Transformar isso em “procedimento comum” é, no melhor dos cenários, uma simplificação indevida; no pior, uma distorção deliberada. </p>



<p>O segundo elemento da narrativa é ainda mais sensível: o suposto “status legal” garantido por um pedido de asilo em andamento. Trata-se de uma meia verdade. </p>



<p>É correto afirmar que um pedido pendente pode impedir a remoção imediata, mas isso está longe de representar estabilidade jurídica. </p>



<p>O sistema de asilo norte-americano é rigoroso, seletivo e, frequentemente, imprevisível. Estar no sistema não é o mesmo que estar protegido. Muito menos assegurado. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Se não há risco, por que há detenção?</h2>



<p>A tentativa de reduzir o episódio a uma mera etapa burocrática reforça essa lógica de amortecimento. Se não há risco, por que há detenção? </p>



<p>Se não há problema, por que há processamento pelo ICE? A presença do aparato migratório indica precisamente o contrário: que há uma questão em análise, e que essa questão não é trivial. </p>



<p>É nesse contexto que surge outra afirmação recorrente: a separação absoluta entre deportação e extradição. Formalmente, ela existe — são processos distintos, com naturezas jurídicas diferentes. Mas a realidade política raramente se limita à formalidade. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Leitura incompleta ou conveniente</h2>



<p>Em casos de visibilidade internacional, as fronteiras entre o jurídico e o político tornam-se porosas. Estados conversam, trocam informações, sinalizam interesses. </p>



<p>Ignorar essa dimensão é optar por uma leitura incompleta — ou conveniente. Por fim, a declaração de que o governo brasileiro não teve qualquer participação no episódio é apresentada com uma certeza que simplesmente não se sustenta empiricamente. </p>



<p>Em relações internacionais, sobretudo em casos sensíveis, a atuação estatal raramente é transparente. Ela se dá por canais discretos, por cooperação institucional, por mecanismos que não aparecem no noticiário. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Narrativa</h2>



<p>A ausência de prova pública não equivale à inexistência de ação. O que se observa, portanto, não é uma análise dos fatos, mas uma tentativa de organizá-los em uma narrativa confortável. </p>



<p>Uma narrativa que reduz complexidades, elimina incertezas e oferece ao público uma sensação artificial de controle e previsibilidade. </p>



<p>No fundo, trata-se de algo bastante conhecido na política contemporânea: não se trata de explicar o mundo como ele é, mas de moldá-lo àquilo que determinados públicos desejam ouvir. E é exatamente assim — passo a passo, argumento por argumento — que se enganam os iludidos.</p>
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		<item>
		<title>A Cor da Violência: Estado, raça e a arquitetura da desigualdade no Brasil</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Apr 2026 13:45:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cronistas e Colunistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>JOSÉ RENATO FERRAZ DA SILVEIRA – PROFESSOR DO DEPARTAMENTO DE ECONOMIA E RELAÇÕES INTERNACIONAIS E ANALISTA DE POLÍTICA INTERNACIONAL – UFSM Em democracias contemporâneas, a legitimidade do Estado repousa, em grande medida, na sua capacidade de prover segurança de forma equitativa. No Brasil, no entanto, os dados mais recentes sugerem uma disjunção persistente entre universalismo [&#8230;]</p>
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<h5 class="wp-block-heading has-text-align-center">JOSÉ RENATO FERRAZ DA SILVEIRA – PROFESSOR DO DEPARTAMENTO DE ECONOMIA E RELAÇÕES INTERNACIONAIS E ANALISTA DE POLÍTICA INTERNACIONAL – UFSM<br></h5>



<p>Em democracias contemporâneas, a legitimidade do Estado repousa, em grande medida, na sua capacidade de prover segurança de forma equitativa. </p>



<p>No Brasil, no entanto, os dados mais recentes sugerem uma disjunção persistente entre universalismo normativo e prática institucional. </p>



<p>A distribuição da violência, da punição e da vulnerabilidade social segue linhas racializadas com notável consistência empírica. Mais do que um desvio, trata-se de um padrão estrutural. </p>



<p>A letalidade policial oferece a face mais visível desse fenômeno. Em estados monitorados por redes independentes de pesquisa, cerca de 87,8% das vítimas de mortes decorrentes de intervenção policial em 2023 eram negras. </p>



<p>A recorrência desse padrão ao longo do tempo indica que não se trata de episódios isolados, mas de uma lógica operacional que associa, de maneira implícita, raça à suspeição e à eliminação.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Probalidade de uma pessoa negra ser morta</h2>



<p>Em termos comparativos, a probabilidade de uma pessoa negra ser morta pela polícia é aproximadamente três vezes superior à de uma pessoa branca. </p>



<p>Em certos contextos urbanos, essa dinâmica se traduz em uma frequência brutal: uma morte a cada poucas horas. O sistema prisional reforça essa assimetria. </p>



<p>Aproximadamente dois terços da população carcerária brasileira são compostos por pessoas negras, majoritariamente jovens e do sexo masculino. </p>



<p>Embora fatores socioeconômicos desempenhem papel relevante, a persistência dessa sobrerrepresentação sugere a operação de mecanismos seletivos no interior do aparato penal — desde abordagens policiais até decisões judiciais. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Vetor privilegiado de seletividade</h2>



<p>A criminalização associada a delitos de menor potencial ofensivo e, sobretudo, ao tráfico de drogas, tem funcionado como vetor privilegiado dessa seletividade. Esse quadro se projeta para além das instituições coercitivas e alcança a estrutura social do cuidado. </p>



<p>No Brasil, mulheres negras figuram de maneira desproporcional entre chefes de famílias monoparentais. Esse grupo enfrenta, simultaneamente, menor renda média, maior exposição à informalidade e acesso mais restrito a redes de proteção social. </p>



<p>A letalidade que atinge jovens negros, portanto, não é apenas um dado estatístico: ela reorganiza a estrutura familiar, amplia ciclos de vulnerabilidade e perpetua desigualdades intergeracionais. </p>



<p>Do ponto de vista analítico, esses três eixos — violência estatal, encarceramento e precariedade socioeconômica — não operam de forma independente. </p>



<p>Eles compõem um circuito cumulativo de desvantagens. A exposição diferencial à violência aumenta a probabilidade de contato com o sistema penal; este, por sua vez, reduz oportunidades futuras de inserção social e econômica; por fim, a precariedade resultante reforça condições que retroalimentam a vigilância e a repressão estatal. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Herança escravocrata</h2>



<p>A literatura sobre racismo estrutural oferece uma chave interpretativa consistente para esse padrão. Em vez de depender de intenções individuais explícitas, esse tipo de racismo se manifesta por meio de rotinas institucionais, critérios aparentemente neutros e práticas historicamente sedimentadas que produzem efeitos sistematicamente desiguais. </p>



<p>No caso brasileiro, a herança escravocrata e a ausência de mecanismos robustos de inclusão pós-abolição continuam a moldar a distribuição contemporânea de oportunidades e riscos. </p>



<p>A implicação central é que reformas incrementais, focadas exclusivamente em procedimentos ou treinamento, tendem a produzir efeitos limitados. </p>



<p>O problema não reside apenas em práticas desviantes, mas na própria arquitetura institucional que regula segurança pública, justiça criminal e políticas sociais. </p>



<p>Políticas baseadas em evidências — incluindo revisão de protocolos de uso da força, reformas no regime de drogas, fortalecimento de mecanismos de controle externo e ampliação de políticas de proteção social — são frequentemente mencionadas como caminhos possíveis.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Resistências políticas, corporativas e ideológicas</h2>



<p>No entanto, sua implementação esbarra em resistências políticas, corporativas e ideológicas. Para analistas de política internacional, o caso brasileiro apresenta um paradoxo relevante. </p>



<p>Trata-se de uma democracia formalmente consolidada, com instituições eleitorais robustas e participação política significativa, mas que convive com padrões de violência interna comparáveis aos de contextos de conflito. </p>



<p>Essa dissonância levanta questões mais amplas sobre a qualidade da cidadania, a efetividade do Estado de Direito e os limites das democracias desiguais. </p>



<p>Em última instância, os dados não apenas descrevem uma realidade; eles expõem uma hierarquia implícita de vidas. No Brasil, a cor da pele continua a influenciar, de maneira decisiva, quem é mais vulnerável à morte, à punição e ao abandono institucional. </p>



<p>Reconhecer esse padrão é um passo necessário, mas insuficiente. O desafio reside em transformar diagnósticos recorrentes em mudanças estruturais — tarefa que permanece, até agora, largamente inconclusa.</p>
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		<item>
		<title>A Corda Bamba de Brasília: o novo BRICS e o preço da neutralidade</title>
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		<pubDate>Sun, 29 Mar 2026 00:12:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>José Renato Ferraz da Silveira Professor Titular da Universidade Federal de Santa Maria no Departamento de Economia e Relações Internacionais e Líder do Grupo de Teoria. Arte e Política (GTAP). Pietra Souto Lemberck é graduanda em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Maria e membro do Grupo de Teoria, Arte e Política (GTAP). A [&#8230;]</p>
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<h5 class="wp-block-heading has-text-align-center">José Renato Ferraz da Silveira Professor Titular da Universidade Federal de Santa Maria no Departamento de Economia e Relações Internacionais e Líder do Grupo de Teoria. Arte e Política (GTAP).</h5>



<h5 class="wp-block-heading has-text-align-center">Pietra Souto Lemberck é graduanda em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Maria e membro do Grupo de Teoria, Arte e Política (GTAP).</h5>



<p>A diplomacia brasileira construiu, ao longo de décadas, uma reputação baseada em um talento muito específico: a capacidade de conversar com todos. </p>



<p>O Brasil sempre foi aquele ator que transitava entre grupos rivais, apertava a mão de adversários históricos e saía de cena antes que o conflito explodisse por completo. </p>



<p>Durante muito tempo, essa ambiguidade calculada foi vista como virtude. No cenário global de 2026, porém, a festa acabou. O que restou foi uma sala de portas trancadas, interesses inconciliáveis e potências cada vez mais dispostas a exigir alinhamento. </p>



<h2 class="wp-block-heading">O BRICS mudou de natureza</h2>



<p>A vitrine mais visível desse novo e desconfortável arranjo é o BRICS. Já não se trata apenas daquele agrupamento concebido nos anos 2000 como um clube promissor de economias emergentes em busca de maior espaço nas instituições financeiras internacionais. </p>



<p>O BRICS de hoje mudou de natureza. Com a ampliação do bloco e a entrada de novos membros, seu centro de gravidade se deslocou. </p>



<p>O que antes parecia sobretudo uma articulação econômica passou a adquirir contornos geopolíticos mais nítidos, funcionando, na prática, como contraponto à ordem ocidental e, em muitos momentos, como palanque de contestação liderado por Pequim e Moscou. </p>



<p>É nesse contexto que o Brasil se vê diante de um dilema estratégico incômodo. Como um país que cultiva, em sua tradição diplomática, a moderação, o universalismo e a solução pacífica de controvérsias administra o fato de dividir espaço com atores profundamente tensionados com o Ocidente, como o Irã — um país submetido a pesadas sanções, situado no epicentro de crises militares recorrentes e, ao mesmo tempo, relevante para os interesses comerciais brasileiros? </p>



<h2 class="wp-block-heading">Malabarismo diplomático</h2>



<p>O Brasil tenta executar um malabarismo diplomático de alta complexidade. De um lado, precisa preservar sua relação histórica com os Estados Unidos e a Europa, de onde ainda vêm investimentos, tecnologia, mercados e legitimidade institucional. </p>



<p>De outro, busca aprofundar sua presença no BRICS para não perder espaço em uma arquitetura internacional cada vez mais marcada pela fragmentação do poder e pela ascensão de polos alternativos. O problema é que a margem para essa ambiguidade está diminuindo.</p>



<p> Washington e Bruxelas cobram sinais mais claros de afinidade política, sobretudo em nome da defesa das democracias liberais e da chamada ordem internacional baseada em regras. </p>



<p>Ao mesmo tempo, observam com desconforto a disposição brasileira de permanecer em fóruns ao lado de governos que o Ocidente trata como párias ou revisionistas. </p>



<p>No sentido oposto, China e Rússia pressionam pelo fortalecimento de um bloco mais coeso, assertivo e comprometido com projetos como a desdolarização e a erosão da centralidade ocidental no sistema internacional. </p>



<p>Para o Itamaraty, o desafio é evitar que o Brasil seja capturado simbolicamente por qualquer um desses polos. Trata-se de um jogo frio, pragmático e cada vez mais custoso. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Nova Guerra Fria </h2>



<p>O Brasil não permanece no BRICS ampliado porque compartilha a visão de mundo ou a política doméstica de todos os seus integrantes. </p>



<p>Permanece porque, em um mundo dividido em blocos, afastar-se dos principais fóruns do Sul Global seria um erro estratégico com elevado custo econômico e diplomático. </p>



<p>A velha narrativa de que o Brasil pode ser, simultaneamente, amigo de todos começa a colidir com a realidade de uma nova Guerra Fria comercial, tecnológica e financeira. </p>



<p>Em um ambiente internacional no qual neutralidade passou a ser interpretada, muitas vezes, como hesitação, oportunismo ou fraqueza, equilibrar-se entre lados rivais deixou de ser uma arte confortável. Tornou-se um exercício de risco permanente. </p>



<p>No xadrez global de 2026, a neutralidade já não é abrigo. É exposição. E talvez nunca tenha sido tão cara.</p>



<p></p>



<p></p>
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		<item>
		<title>JOSÉ RENATO &#8211; Quando o ódio vira norma jurídica: o Brasil e a criminalização da misoginia</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Mar 2026 16:25:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>JOSÉ RENATO FERRAZ DA SILVEIRA – PROFESSOR DO DEPARTAMENTO DE ECONOMIA E RELAÇÕES INTERNACIONAIS E ANALISTA DE POLÍTICA INTERNACIONAL – UFSM A decisão do Senado Federal do Brasil de equiparar a misoginia ao racismo não é apenas uma inovação legislativa doméstica. Trata-se de um movimento que insere o Brasil em uma transformação mais ampla: a [&#8230;]</p>
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<h5 class="wp-block-heading has-text-align-center">JOSÉ RENATO FERRAZ DA SILVEIRA – PROFESSOR DO DEPARTAMENTO DE ECONOMIA E RELAÇÕES INTERNACIONAIS E ANALISTA DE POLÍTICA INTERNACIONAL – UFSM</h5>



<p>A decisão do Senado Federal do Brasil de equiparar a misoginia ao racismo não é apenas uma inovação legislativa doméstica. </p>



<p>Trata-se de um movimento que insere o Brasil em uma transformação mais ampla: a reconfiguração contemporânea do direito penal como instrumento de regulação de conflitos identitários e de contenção de violências estruturais.</p>



<p>Ao definir misoginia como sentimento de ódio, repulsa ou aversão às mulheres — e ao atribuir pena de reclusão de um a três anos para sua prática, indução ou incitação — o Estado brasileiro dá um passo além da tradicional repressão à violência física. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Plano simbólico</h2>



<p>Ele passa a atuar diretamente sobre o plano simbólico, reconhecendo que determinadas formas de linguagem e comportamento não são apenas expressões individuais, mas dispositivos de reprodução de desigualdades sistêmicas. </p>



<p>Essa mudança acompanha uma tendência internacional. Organismos como a Organização das Nações Unidas têm reiteradamente enquadrado a violência contra mulheres como fenômeno estrutural, exigindo dos Estados respostas mais robustas. </p>



<p>Na Europa, legislações sobre discurso de ódio evoluíram para incluir dimensões de gênero; na América Latina, países têm ampliado o escopo jurídico da proteção às mulheres, ainda que com resultados desiguais. No entanto, o caso brasileiro possui especificidades relevantes. </p>



<p>Ao aproximar misoginia do racismo — categoria que, no ordenamento jurídico nacional, carrega forte densidade histórica e constitucional — o legislador promove uma equivalência de alta carga simbólica. Isso reposiciona a misoginia não como um desvio moral ou cultural, mas como uma ameaça à própria ordem democrática. </p>



<p>Essa equiparação, contudo, levanta questões complexas. A primeira delas diz respeito à fronteira entre discurso de ódio e liberdade de expressão. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Até que ponto o Estado pode punir manifestações simbólicas?</h2>



<p>Em regimes democráticos, a expansão do direito penal sobre a linguagem sempre produz tensões: até que ponto o Estado pode punir manifestações simbólicas sem corroer o pluralismo que pretende proteger? </p>



<p>A resposta dependerá, em grande medida, da interpretação judicial e da capacidade institucional de distinguir entre crítica, opinião e incitação à violência. </p>



<p>A segunda questão é de natureza operacional. Tipos penais amplos tendem a enfrentar dificuldades de aplicação consistente. </p>



<p>A misoginia, enquanto categoria sociológica, é difusa e frequentemente contextual. Sua tradução em critérios jurídicos objetivos exigirá um esforço interpretativo contínuo por parte do Judiciário e do Ministério Público, sob risco de seletividade ou banalização. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Dimensão estratégica</h2>



<p>Por fim, há uma dimensão estratégica. Ao criminalizar a misoginia, o Estado brasileiro não apenas responde a demandas internas por justiça de gênero, mas também sinaliza, no plano internacional, alinhamento com uma agenda normativa global. </p>



<p>Em um contexto em que reputação internacional, soft power e compromissos multilaterais importam, legislações desse tipo funcionam como instrumentos de posicionamento político.</p>



<p>Ainda assim, a eficácia dessa medida não será determinada pelo texto legal em si, mas por sua implementação. Leis que operam no terreno simbólico exigem mais do que sanção penal: dependem de políticas públicas, educação e transformação cultural. </p>



<p>Sem isso, correm o risco de se tornarem declarações normativas ambiciosas, porém de impacto limitado. A criminalização da misoginia no Brasil revela, em última instância, uma mudança mais profunda: o reconhecimento de que o poder político contemporâneo não se exerce apenas sobre corpos, mas também sobre significados. </p>



<p>E é nesse terreno — instável, disputado e essencialmente político — que o sucesso ou fracasso dessa iniciativa será decidido.</p>
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		<title>Entre a Paz e o Pódio: Quando a geopolítica invade os Jogos Olímpicos e revela as assimetrias do sistema internacional</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paralelo29]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Mar 2026 19:07:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cronistas e Colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[guerra]]></category>
		<category><![CDATA[jogos olimpicos]]></category>
		<category><![CDATA[josé renato ferraz da silveira]]></category>
		<category><![CDATA[olimpiadas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>José Renato Ferraz da Silveira &#8211; Professor Titular do Departamento de Economia e Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e Líder do Grupo de Teoria, Arte e Política (GTAP). Samara Maciel Gonzales &#8211; Graduanda em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e membro do Grupo de Teoria, Arte e [&#8230;]</p>
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<h5 class="wp-block-heading has-text-align-center">José Renato Ferraz da Silveira &#8211; Professor Titular do Departamento de Economia e Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e Líder do Grupo de Teoria, Arte e Política (GTAP).</h5>



<h5 class="wp-block-heading has-text-align-center">Samara Maciel Gonzales &#8211; Graduanda em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e membro do Grupo de Teoria, Arte e Política (GTAP).</h5>



<p>Desde a Antiguidade, as Olimpíadas carregam um ideal que ultrapassa o esporte. Mais do que competições atléticas, os Jogos nasceram como um momento de suspensão das rivalidades políticas e militares entre os povos. </p>



<p>Na Grécia Antiga, cidades-estado frequentemente em guerra declaravam a ekecheiria, a Trégua Olímpica, que garantia a circulação segura de atletas e espectadores até Olímpia. </p>



<p>Tratava-se de uma pausa rara em um mundo marcado por conflitos constantes — um acordo mínimo de convivência, ainda que temporário. </p>



<p>Séculos depois, com a recriação dos Jogos no final do século XIX, esse espírito foi resgatado como um dos pilares simbólicos do movimento olímpico. </p>



<p>A proposta era clara: mais do que premiar os melhores atletas, as Olimpíadas deveriam promover amizade entre os povos, respeito mútuo e convivência pacífica entre nações. </p>



<p>No imaginário olímpico, o esporte surgia como uma linguagem universal, capaz de transcender diferenças políticas, ideológicas e culturais. Mas a história demonstraria que essa separação entre esporte e política nunca passou de uma aspiração — e não de uma realidade. .</p>



<h2 class="wp-block-heading">A Trégua Olímpica: norma ou símbolo?</h2>



<p>A Trégua Olímpica foi formalmente retomada pela Organização das Nações Unidas na década de 1990. Desde então, resoluções são aprovadas antes de cada edição dos Jogos, incentivando os países a suspender conflitos durante o período olímpico — geralmente da abertura até o encerramento dos Jogos Paralímpicos. </p>



<p>A iniciativa carrega um forte valor simbólico: reafirma o esporte como instrumento de diplomacia e promoção da paz. No entanto, sua natureza é essencialmente normativa, e não coercitiva. Não há sanções automáticas, nem mecanismos de enforcement. </p>



<p>Na prática, como frequentemente ocorre no sistema internacional, o cumprimento da norma depende menos de sua existência formal e mais da disposição — e da posição — dos Estados. </p>



<p>O episódio mais emblemático dessa tensão ocorreu em 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia pouco após os Jogos de Inverno de Pequim. </p>



<p>A ação foi interpretada como uma violação direta da Trégua Olímpica e resultou em sanções esportivas significativas: exclusão de competições e proibição do uso da bandeira nacional. </p>



<p>A mensagem parecia clara: guerra e olimpismo são incompatíveis. Mas essa clareza não resistiria por muito tempo.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Quando a regra encontra o poder</h2>



<p>Em 2026, uma nova controvérsia expôs os limites dessa lógica. Durante o período da Trégua Olímpica, após os Jogos de Inverno de Milano-Cortina e antes dos Jogos Paralímpicos, os Estados Unidos realizaram ações militares contra o Irã. </p>



<p>A comparação foi inevitável. Se a violação do mesmo princípio levou à punição severa de um país, por que não produziu consequências equivalentes para outro? A resposta não está no campo esportivo, mas na estrutura do sistema internacional. </p>



<p>Os Estados Unidos ocupam uma posição central na ordem global: concentram poder econômico, militar, político e simbólico. Exercem influência direta e indireta sobre instituições internacionais, mercados e fluxos de informação. </p>



<p>No ecossistema olímpico, essa centralidade se traduz em patrocínio, audiência, direitos de transmissão e capacidade de moldar agendas. </p>



<p>Diante disso, a aplicação de sanções torna-se menos uma questão normativa e mais um cálculo político. Não se trata de ausência de regras — mas de sua aplicação seletiva.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O Comitê Olímpico Internacional e a política da neutralidade</h2>



<p>O Comitê Olímpico Internacional (COI) se apresenta como uma entidade neutra, dedicada exclusivamente à promoção do esporte e de seus valores. </p>



<p>No entanto, como qualquer instituição internacional, não opera em um vácuo. Suas decisões são atravessadas por pressões diplomáticas, interesses econômicos e pela própria distribuição de poder no sistema internacional. </p>



<p>O banimento da Rússia, nesse contexto, pode ser compreendido em dois níveis. De um lado, como uma resposta coerente com os princípios normativos do movimento olímpico. De outro, como uma decisão funcional à manutenção de uma determinada ordem internacional. </p>



<p>Ao punir um ator já politicamente isolado, o sistema reafirma normas sem necessariamente confrontar os centros de poder que sustentam sua própria estrutura. </p>



<p>O resultado é uma assimetria evidente: enquanto alguns países são transformados em exemplos morais, outros transitam por violações semelhantes com custos significativamente menores.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Quem pode competir — e quem define as regras</h2>



<p>Essa assimetria não se limita às instituições; ela se materializa na experiência dos próprios atletas. Atletas russos, por exemplo, foram impedidos de competir sob sua bandeira, tiveram sua identidade nacional diluída e passaram a atuar como representantes neutros — uma condição que, na prática, os dissocia simbolicamente de seu país. </p>



<p>Enquanto isso, atletas de potências centrais continuam competindo sob suas bandeiras, celebrando vitórias associadas a valores universais como paz, respeito e união — mesmo quando seus Estados estão envolvidos em ações que tensionam diretamente esses princípios. </p>



<p>O paradoxo é evidente. O pódio, que deveria ser um espaço de igualdade simbólica, torna-se também um palco de legitimação seletiva.</p>



<h2 class="wp-block-heading">A patinação artística e o fim de uma hegemonia</h2>



<p>No plano esportivo, os Jogos de Inverno recentes também produziram mudanças relevantes. A vitória da norte-americana Alysa Liu na patinação artística feminina encerrou um jejum de mais de duas décadas sem um título dos Estados Unidos na modalidade. </p>



<p>A conquista foi celebrada como um marco histórico. No entanto, ocorreu em um contexto particular: a ausência de atletas russas, tradicionalmente dominantes na modalidade, em função das sanções impostas após a guerra na Ucrânia. </p>



<p>Embora o resultado seja legítimo do ponto de vista competitivo, ele também ilustra como decisões políticas podem reconfigurar o campo esportivo. </p>



<p>Em modalidades de alto prestígio, vitórias nacionais frequentemente extrapolam o esporte, convertendo-se em símbolos de prestígio internacional e projeção de poder. </p>



<p>Nesse sentido, a arena esportiva ecoa dinâmicas mais amplas do sistema internacional — inclusive rivalidades que remontam à Guerra Fria.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O espetáculo da igualdade — e a realidade da hierarquia</h2>



<p>As Olimpíadas continuam sendo um dos mais poderosos rituais simbólicos da contemporaneidade. Durante algumas semanas, o mundo encena a possibilidade de convivência entre nações sob regras comuns. </p>



<p>Mas essa encenação convive com uma realidade estrutural distinta. A Trégua Olímpica, longe de ser um mecanismo efetivo de contenção de conflitos, funciona como um marcador normativo cuja aplicação depende da posição relativa dos Estados. </p>



<p>A diferença não está na regra, mas em quem a viola. O esporte, nesse contexto, não suspende a política. Ele a reorganiza em uma linguagem mais palatável — feita de medalhas, cerimônias e narrativas de superação.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Conclusão — o verdadeiro jogo</h2>



<p>No fim, o que está em jogo nas Olimpíadas vai além do desempenho atlético. Os Jogos prometem igualdade de condições dentro das arenas. </p>



<p>Fora delas, porém, as regras seguem outra lógica — uma lógica na qual poder, influência e posição estrutural continuam determinando quem será punido, quem será tolerado e quem sequer terá a oportunidade de competir plenamente. </p>



<p>Essa é a grande tensão do olimpismo contemporâneo. Um evento criado para simbolizar união entre os povos acaba revelando, com notável clareza, as hierarquias que organizam o sistema internacional. E talvez seja justamente aí que reside sua verdade mais incômoda: não é apenas sobre quem ganha medalhas — é sobre quem pode continuar jogando, mesmo depois de ter quebrado as regras.</p>



<p></p>
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		<title>Ormuz e a nova tensão global: o conflito entre Estados Unidos e Irã e seus efeitos no sistema internacional</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Mar 2026 20:30:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>JOSÉ RENATO FERRAZ DA SILVEIRA &#8211; Professor de Direito Internacional da UFSM e líder do Grupo de Teoria, Arte e Política (GTAPA) GABRIELA GRAEF KUHN &#8211; Graduanda em Relações Internacionais pela UFSM e membro do Grupo de Teoria, Arte e Política (GTAP) O novo ciclo de tensões entre Estados Unidos e Irã recoloca o Oriente [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center"><strong>JOSÉ RENATO FERRAZ DA SILVEIRA &#8211; Professor de Direito Internacional da UFSM e líder do Grupo de Teoria, Arte e Política (GTAPA)</strong></p>



<p class="has-text-align-center"><strong>GABRIELA GRAEF KUHN &#8211; Graduanda em Relações Internacionais pela UFSM e membro do Grupo de Teoria, Arte e Política (GTAP)</strong></p>



<p>O novo ciclo de tensões entre Estados Unidos e Irã recoloca o Oriente Médio no centro das preocupações estratégicas globais. </p>



<p>Mais do que um confronto militar pontual, o episódio evidencia como disputas regionais continuam capazes de produzir impactos sistêmicos em um mundo marcado pela interdependência energética e por equilíbrios geopolíticos cada vez mais frágeis. </p>



<p>A atual escalada ganhou força após declarações do presidente norte-americano Donald Trump, que ameaçou lançar um ataque “20 vezes mais forte” caso o Irã tente bloquear o fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz. A ameaça não é trivial. </p>



<p>O estreito constitui uma das rotas energéticas mais importantes do planeta: cerca de um quinto de todo o petróleo comercializado globalmente passa diariamente por esse corredor marítimo.</p>



<p>Qualquer interrupção relevante nesse fluxo teria efeitos imediatos sobre os preços internacionais do petróleo, pressionando mercados financeiros e ampliando riscos de instabilidade econômica.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Brasil começa a sentir reflexos</h2>



<p>O Brasil, inserido nessa dinâmica global de preços energéticos, já começa a sentir reflexos desse movimento. Nesse contexto, o Estreito de Ormuz deixa de ser apenas um ponto geográfico estratégico e passa a representar um verdadeiro nó do sistema energético mundial. </p>



<p>Sua vulnerabilidade expõe um elemento central da geopolítica contemporânea: a segurança energética permanece profundamente dependente de gargalos logísticos que, em momentos de crise, podem transformar disputas regionais em problemas de alcance global. </p>



<p>Do lado iraniano, a resposta veio em tom igualmente firme. A Guarda Revolucionária Islâmica afirmou que suas forças estão preparadas para enfrentar navios de guerra dos Estados Unidos nas proximidades do estreito. </p>



<p>Autoridades iranianas também declararam que será o próprio Irã quem determinará quando o conflito chegará ao fim. </p>



<p>As declarações indicam que Teerã busca sinalizar capacidade de dissuasão e disposição para resistir à pressão militar norte-americana — estratégia recorrente na política externa iraniana desde a consolidação do regime após a Revolução Islâmica de 1979. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Preocupação internacional</h2>



<p>A preocupação internacional se explica pela natureza particularmente sensível da região. O Golfo Pérsico concentra não apenas algumas das maiores reservas de hidrocarbonetos do planeta, mas também uma presença militar significativa de potências globais e regionais. </p>



<p>A coexistência de rotas energéticas vitais, rivalidades estratégicas históricas e elevada militarização torna o ambiente especialmente propenso a escaladas inesperadas. </p>



<p>Em contextos desse tipo, episódios localizados — ataques a navios, incidentes navais ou operações militares limitadas — podem rapidamente desencadear ciclos de retaliação difíceis de controlar. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Novos atores</h2>



<p>A história recente da região demonstra que conflitos aparentemente restritos podem adquirir rapidamente dimensões mais amplas, envolvendo novos atores e ampliando o alcance das tensões. Por essa razão, os efeitos potenciais do conflito ultrapassam o campo militar imediato. </p>



<p>A instabilidade no Estreito de Ormuz ameaça cadeias globais de abastecimento, pressiona mercados energéticos e pode acelerar reconfigurações diplomáticas entre grandes potências. Países altamente dependentes da segurança energética da região — especialmente na Europa e na Ásia — acompanham o desenrolar da crise com crescente preocupação. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Além da rivalidade regional</h2>



<p>Assim, o confronto entre Estados Unidos e Irã não deve ser compreendido apenas como mais um episódio de rivalidade regional. </p>



<p>O que está em jogo envolve a atuação de uma superpotência militar em um sistema internacional cada vez mais marcado por disputas de poder, competição estratégica entre grandes atores e forte dependência energética de regiões politicamente instáveis. </p>



<p>Nesse contexto, a crise no Golfo Pérsico pode representar mais um capítulo de uma transformação mais ampla na ordem internacional contemporânea.<br></p>
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		<title>JOSÉ RENATO: Simplesmente Mulher</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Mar 2026 02:16:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cronistas e Colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[dia internacional da mulher]]></category>
		<category><![CDATA[mulher]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>JOSÉ RENATO FERRAZ DA SILVEIRA &#8211; PROFESSOR DO DEPARTAMENTO DE ECONOMIA E RELAÇÕES INTERNACIONAIS DA UFSM FIAT LUX!Assim falou o Supremo Criador,Arquiteto do universo,Supremo Artista da existência.E da poeira do tempomoldou o homemà sua imagem e semelhança.Mas quando esse novo sermergulhounas águas profundasdo primeiro sono primordial,Deus aproximou-se em silêncio,rasgou-lhe a carnee tomou-lhe uma parte.E do [&#8230;]</p>
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<h5 class="wp-block-heading has-text-align-center">JOSÉ RENATO FERRAZ DA SILVEIRA &#8211; PROFESSOR DO DEPARTAMENTO DE ECONOMIA E RELAÇÕES INTERNACIONAIS DA UFSM</h5>



<p>FIAT LUX!<br>Assim falou o Supremo Criador,<br>Arquiteto do universo,<br>Supremo Artista da existência.<br>E da poeira do tempo<br>moldou o homem<br>à sua imagem e semelhança.<br>Mas quando esse novo ser<br>mergulhou<br>nas águas profundas<br>do primeiro sono primordial,<br>Deus aproximou-se em silêncio,<br>rasgou-lhe a carne<br>e tomou-lhe uma parte.<br>E do mistério da própria vida<br>nasceu<br>a mulher.<br>Mulher!<br>Criatura de fogo e sensibilidade.<br>Ungida de vontade férrea,<br>de desejos,<br>de sonhos<br>e também de culpas.<br>Pecadora — disseram alguns.<br>Redentora — descobriram outros.<br>A ela couberam<br>as dores do parto<br>e a dor silenciosa da perda.<br>As doenças do corpo<br>e as angústias da alma.<br>O peso do trabalho,<br>as vocações da vida,<br>a delicadeza da sensibilidade<br>e o milagre do poder de cura.<br>Mas também<br>a indiferença do mundo,<br>a desigualdade imposta,<br>o ódio,<br>a ira<br>e o julgamento.<br>Contra ela vieram<br>as pedras<br>e as cruzes.<br>As fogueiras<br>e as torturas.<br>As guerras,<br>as violações,<br>o sofrimento<br>e a morte.<br>Séculos de expiação.<br>E ainda assim<br>ela permaneceu.<br>Mãe.<br>Filha.<br>Irmã.<br>Esposa.<br>Amante.<br>Namorada.<br>Companheira.<br>Meretriz.<br>Mil rostos,<br>mil histórias,<br>mil destinos.<br>Fadada à paixão<br>e ao sacrifício.<br>À coragem<br>e à abnegação.<br>À vida<br>e ao talento.<br>À maternidade<br>e à sensibilidade.<br>Ao trabalho<br>e ao profissionalismo.<br>À responsabilidade,<br>ao desejo,<br>à santidade<br>e ao amor.<br>Humana<br>ou divina?<br>Anjo<br>ou demônio?<br>Talvez tudo isso.<br>Ou talvez<br>algo ainda maior.<br>Para mim,<br>simplesmente,<br>mulher.<br></p>
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		<title>JOSÉ RENATO: Quando a guerra é a alternativa, os riscos são imprevisíveis</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Mar 2026 01:48:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cronistas e Colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[estados]]></category>
		<category><![CDATA[guerra]]></category>
		<category><![CDATA[israel]]></category>
		<category><![CDATA[josé renato]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>JOSÉ RENATO FERRAZ DA SILVEIRA &#8211; PROFESSOR DO DEPARTAMENTO DE ECONOMIA E RELAÇÕES INTERNACIONAIS E ANALISTA DE POLÍTICA INTERNACIONAL &#8211; UFSM Durante semanas, o conflito esteve descrito como uma hipótese. Um risco calculado. Uma ameaça usada como instrumento de pressão. Agora, já não é mais retórica. Os ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel [&#8230;]</p>
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<h5 class="wp-block-heading has-text-align-center">JOSÉ RENATO FERRAZ DA SILVEIRA  &#8211; PROFESSOR DO DEPARTAMENTO DE ECONOMIA E RELAÇÕES INTERNACIONAIS E ANALISTA DE POLÍTICA INTERNACIONAL &#8211; UFSM</h5>



<p>Durante semanas, o conflito esteve descrito como uma hipótese. Um risco calculado. Uma ameaça usada como instrumento de pressão. Agora, já não é mais retórica. </p>



<p>Os ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel ao Irã transformaram em fato aquilo que vinha sendo tratado como possibilidade. </p>



<p>A tragédia anunciada deixou de ser previsão e passou a ser realidade. Crises internacionais raramente explodem de forma súbita. Elas amadurecem. Dão sinais. Produzem alertas técnicos, análises diplomáticas e sucessivos pedidos de cautela.</p>



<p>No caso iraniano, esses sinais estavam à vista. A escalada verbal, o esvaziamento gradual da diplomacia e a naturalização da ameaça militar criaram um ambiente em que a guerra deixou de ser um tabu e passou a ser uma opção explícita. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Ciclo de confrontação difícil de mensurar</h2>



<p>O ataque confirmado neste sábado marca a ruptura definitiva desse equilíbrio instável. Ao lançar operações de combate em larga escala, Washington e Tel Aviv não apenas atingiram alvos militares e instalações estratégicas.</p>



<p>Redefiniram o patamar do conflito e abriram um ciclo de confrontação cujo alcance é difícil de mensurar. A resposta iraniana foi imediata. </p>



<p>Mísseis balísticos foram lançados contra Israel e bases americanas no Oriente Médio. Países do Golfo relataram interceptações. Civis morreram. Escolas foram atingidas. Supermercados esvaziaram. A população correu para abrigos. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Lógica não é nova</h2>



<p>O conflito, que até então orbitava gabinetes diplomáticos, passou a ocupar o cotidiano de milhões de pessoas. A lógica que conduziu a esse desfecho não é nova. </p>



<p>A política externa americana sob Donald Trump sempre combinou pressão máxima, linguagem agressiva e a instrumentalização da força como método de negociação. </p>



<p>A diplomacia deixou de ser um processo gradual de construção de confiança e passou a operar sob ameaça explícita. Negociar passou a significar aceitar condições sob risco de destruição. </p>



<p>Do lado iraniano, o discurso oficial insistia na via diplomática, mas dentro de limites claros. Teerã aceitava negociar, não capitular. A assimetria de poder, no entanto, tornou a mesa de negociações um espaço cada vez mais desequilibrado. </p>



<p>Quando a alternativa colocada à mesa é a guerra, a diplomacia perde sua essência e se transforma em coerção.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Custo jurídico e institucional elevado</h2>



<p>O ataque não encerra o problema nuclear iraniano. Ao contrário, tende a agravá-lo. A experiência histórica mostra que ações militares preventivas raramente eliminam programas sensíveis. </p>



<p>Com frequência, aceleram processos, radicalizam posições internas e enfraquecem mecanismos de controle internacional. O risco de proliferação, longe de diminuir, pode aumentar. </p>



<p>Há também um custo jurídico e institucional elevado. O uso da força sem autorização expressa do Conselho de Segurança da ONU tensiona ainda mais o já fragilizado sistema internacional. </p>



<p>A tese da autodefesa preventiva permanece controversa e sua aplicação unilateral mina normas que, apesar de imperfeitas, ainda funcionam como freios à escalada global. </p>



<p>A reação internacional reflete essa preocupação. Líderes europeus pedem contenção. Organizações humanitárias alertam para o risco aos civis. A Cruz Vermelha lembra que escolas, hospitais e infraestrutura básica não podem ser alvos. </p>



<p>Ainda assim, a dinâmica da guerra tem sua própria lógica e raramente respeita apelos feitos depois do primeiro míssil lançado. O que se vê agora é a materialização de um cenário amplamente antecipado por analistas, diplomatas e estudiosos das relações internacionais. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Conflito deixou de ser evitável</h2>



<p>A combinação entre desconfiança acumulada, pressões unilaterais e desprezo pelo tempo da diplomacia criou um ambiente em que o conflito deixou de ser evitável. Talvez essa seja a dimensão mais incômoda desta crise. </p>



<p>Não se trata de um evento imprevisível. Não foi um acidente histórico. Os sinais estavam dados. As advertências foram feitas. As consequências estavam mapeadas. Ainda assim, optou-se por atravessar o ponto de não retorno.</p>



<p>Resta saber se haverá espaço para interromper a escalada antes que o conflito se transforme em uma guerra regional de grandes proporções. A diplomacia, agora, tenta operar em um terreno devastado, com bombas ainda caindo e mísseis em rota. </p>



<p>Quando, no futuro, este episódio for analisado com distanciamento, dificilmente será descrito como um erro de cálculo isolado. </p>



<p>Provavelmente será lembrado como mais um caso em que a política reconheceu o perigo, mas falhou em agir a tempo de evitá-lo. </p>



<p>E então, como tantas vezes na história, diremos que era possível prever. Que era possível conter. Que era possível escolher outro caminho. Mas que, no fim, a tragédia anunciada deixou de ser metáfora e se impôs como fato.<br></p>
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		<title>JOSÉ RENATO: Trabalhar menos, viver melhor? O debate que o Brasil ainda evita</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Feb 2026 19:03:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cronistas e Colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[brasil]]></category>
		<category><![CDATA[escala 6 x 1]]></category>
		<category><![CDATA[jornada de trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[josé renato]]></category>
		<category><![CDATA[noruega]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>JOSÉ RENATO FERRAZ DA SILVEIRA – PROFESSOR DO DEPARTAMENTO DE ECONOMIA E RELAÇÕES INTERNACIONAIS DA UFSM Enquanto o mundo discute o fim da escala 6&#215;1, alguns países já avançaram para uma pergunta ainda mais incômoda: cinco dias de trabalho por semana ainda fazem sentido? No Brasil, a regra segue conhecida e rígida. Oito horas por [&#8230;]</p>
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<h5 class="wp-block-heading has-text-align-center">JOSÉ RENATO FERRAZ DA SILVEIRA – PROFESSOR DO DEPARTAMENTO DE ECONOMIA E RELAÇÕES INTERNACIONAIS DA UFSM</h5>



<p><br>Enquanto o mundo discute o fim da escala 6&#215;1, alguns países já avançaram para uma pergunta ainda mais incômoda: cinco dias de trabalho por semana ainda fazem sentido?</p>



<p>No Brasil, a regra segue conhecida e rígida. Oito horas por dia, cinco ou seis vezes por semana. Para milhões de trabalhadores, porém, a jornada real vai muito além do contrato formal. </p>



<p>Mensagens fora do horário, metas inalcançáveis, horas extras não pagas e a sensação permanente de urgência fazem com que o trabalho invada o tempo que deveria ser de descanso.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Fronteira entre vida pessoal e profissional </h2>



<p>A fronteira entre vida pessoal e profissional se dissolveu. E isso não é um detalhe. É parte central do problema. Em outros países, o debate já mudou de patamar. A questão deixou de ser apenas quantas horas se trabalha e passou a ser como o trabalho se encaixa na vida. </p>



<p>Produtividade deixou de ser medida pelo tempo sentado diante de uma tela e passou a ser avaliada por resultado, eficiência e qualidade. A pergunta que emerge é simples e desconfortável: trabalhamos tantas horas porque isso é necessário ou porque nos acostumamos assim? </p>



<h2 class="wp-block-heading">Virada de chave na Noruega</h2>



<p>A Noruega é um bom exemplo dessa virada de chave. A média semanal de trabalho gira em torno de 33,6 horas, e sair do escritório às 15h ou 16h faz parte da rotina. </p>



<p>Ainda assim, o país começou a testar a semana de quatro dias. O motivo não é queda de produtividade. É o reconhecimento de que o modelo atual, mesmo mais curto, começa a mostrar sinais de esgotamento. </p>



<p>A legislação norueguesa fixa o teto em 40 horas semanais, mas a prática costuma ficar bem abaixo disso. Trabalhadores têm direito a pelo menos 25 dias de férias por ano, licenças parentais longas e remuneradas e acesso amplo a creches. </p>



<p>Não por acaso, o país aparece com frequência entre os primeiros colocados em rankings de qualidade de vida, expectativa de vida e bem-estar social. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Aumento significativo de licenças médicas</h2>



<p>Ainda assim, há uma contradição evidente. Nos últimos anos, a Noruega passou a registrar um aumento significativo nas licenças médicas, especialmente por estresse, ansiedade e outros transtornos mentais. </p>



<p>Em 2024, figurou entre os países com maiores índices de afastamento por licença médica no mundo. À primeira vista, isso parece ilógico. Menos horas de trabalho deveriam significar menos adoecimento. Mas os dados apontam para algo mais complexo. </p>



<p>O problema não está apenas na quantidade de horas, mas na intensidade do trabalho contemporâneo. A digitalização mantém profissionais conectados o tempo todo. </p>



<p>A cobrança por desempenho é constante. A responsabilidade individual cresce. O descanso existe no papel, mas a mente segue em alerta permanente. O resultado é o avanço do burnout mesmo em países com jornadas curtas. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Debate internacional</h2>



<p>Esse cenário ajuda a explicar por que o debate internacional começa a se deslocar do “trabalhar menos” para o “trabalhar melhor”. </p>



<p>É nesse contexto que ganha força a proposta da semana de quatro dias. Na Noruega, o movimento 4 Day Week Norway defende a adoção do modelo 100-80-100: 100% do salário, 80% do tempo de trabalho e 100% da produtividade. A ideia é atraente, mas não simples. </p>



<p>Concentrar a mesma produção em menos tempo exige reorganização profunda de processos, redução de reuniões improdutivas e revisão de prioridades. </p>



<p>Na prática, os quatro dias tendem a se tornar mais intensos. A margem para erros diminui. Nem todos os setores conseguem adotar o modelo com facilidade. Saúde, transporte, indústria e serviços presenciais enfrentam limites concretos. </p>



<h2 class="wp-block-heading">E no Brasil&#8230;</h2>



<p>No Brasil, esse debate ainda soa distante. Aqui, a discussão permanece centrada no básico: o combate à escala 6&#215;1. Trabalhar seis dias para descansar apenas um segue sendo uma das expressões mais duras da precarização do trabalho no país. </p>



<p>Essa lógica afeta principalmente trabalhadores do comércio, da indústria, do telemarketing e dos serviços essenciais. O impacto é direto sobre saúde, renda e vida familiar. </p>



<p>Reduzir a jornada não é apenas uma pauta social. É também uma política econômica. Estudos do DIEESE indicam que a redução da jornada para cerca de 40 horas semanais poderia gerar entre 2 e 3 milhões de empregos. </p>



<p>Pesquisas mais recentes do CESIT-Unicamp apontam que uma jornada próxima de 36 horas semanais poderia criar até 4,5 milhões de postos de trabalho, além de ganhos de produtividade em setores como comércio e serviços. </p>



<p>Os efeitos também recaem sobre a saúde pública. A Organização Internacional do Trabalho alerta que jornadas extensas elevam o risco de doenças cardiovasculares, transtornos mentais e acidentes de trabalho. Menos horas tendem a significar menos afastamentos, menos internações e menos custos para o sistema público de saúde. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Campanha volta às ruas</h2>



<p>Não é por acaso que a luta contra a escala 6&#215;1 voltou às ruas, às greves e às campanhas salariais. A pressão recoloca no centro do debate a redução da jornada sem redução salarial como instrumento de geração de empregos e ampliação da dignidade do trabalho. </p>



<p>A resistência empresarial, contudo, permanece forte. Jornadas longas ainda significam maior extração de valor e margens mais amplas. </p>



<p>Por isso, a discussão sobre o tempo de trabalho vai além da organização do expediente. Ela revela um embate mais profundo sobre o modelo de sociedade que se deseja construir. </p>



<p>No fundo, o debate não é apenas sobre trabalhar quatro, cinco ou seis dias. É sobre redefinir o papel do trabalho em uma economia marcada por tecnologia, produtividade e exaustão. </p>



<p>Trabalhar menos não garante, por si só, viver melhor. Mas continuar trabalhando demais, definitivamente, já mostrou seus limites.<br></p>
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		<title>JOSÉ RENATO &#8211; Entre Nova Délhi e Brasília: o Sul Global em movimento</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Feb 2026 18:48:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cronistas e Colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[brasil]]></category>
		<category><![CDATA[índia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>JOSÉ RENATO FERRAZ DA SILVEIRA – PROFESSOR DO DEPARTAMENTO DE ECONOMIA E RELAÇÕES INTERNACIONAIS DA UFSM A chegada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Nova Délhi, na quarta-feira (18), não é apenas mais um compromisso diplomático. É um gesto político calculado, inserido em um tabuleiro internacional cada vez mais tensionado. A visita tem [&#8230;]</p>
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<h5 class="wp-block-heading has-text-align-center">JOSÉ RENATO FERRAZ DA SILVEIRA – PROFESSOR DO DEPARTAMENTO DE ECONOMIA E RELAÇÕES INTERNACIONAIS DA UFSM</h5>



<p>A chegada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Nova Délhi, na quarta-feira (18), não é apenas mais um compromisso diplomático. É um gesto político calculado, inserido em um tabuleiro internacional cada vez mais tensionado. </p>



<p>A visita tem como objetivo ampliar a parceria estratégica com a Índia e fortalecer alianças entre países do Sul Global na defesa do multilateralismo — um conceito que, hoje, voltou ao centro da disputa geopolítica.</p>



<p>Brasil e Índia compartilham convergências importantes: defendem a reforma da Organização das Nações Unidas, atuam conjuntamente nos BRICS, no G20 e em outros fóruns multilaterais.</p>



<p>No entanto, a densidade política da relação ainda não se traduz em robustez econômica. Apesar de a Índia possuir o quarto maior PIB do mundo — com projeções de crescimento expressivas nas próximas décadas —, as trocas comerciais entre Brasília e Nova Délhi permanecem aquém do potencial estratégico de ambas as nações.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Semelhanças estruturais</h2>



<p>As semelhanças estruturais são evidentes. Brasil e Índia são grandes economias emergentes, marcadas por desigualdades sociais profundas, passados coloniais complexos e bases produtivas historicamente vinculadas à agricultura. </p>



<p>Ainda que separados por geografia e cultura, compartilham desafios de desenvolvimento, pluralidade demográfica e a busca por maior protagonismo internacional. São, cada qual a seu modo, potências regionais com ambições globais.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Impacto da Inteligência Artificial</h2>



<p>O primeiro compromisso de Lula na capital indiana é a participação na cúpula sobre o impacto da inteligência artificial no mundo. </p>



<p>O evento, que integra o chamado “processo de Bletchley” — série de reuniões intergovernamentais voltadas à segurança, governança e cooperação global em IA — reúne chefes de Estado e líderes empresariais para discutir os rumos tecnológicos da próxima década. </p>



<p>Ao inserir-se nesse debate, o Brasil sinaliza que não pretende apenas consumir tecnologia, mas participar da construção das regras que moldarão o novo ecossistema digital global.</p>



<p>No plano econômico, Brasil e Índia devem avançar em negociações envolvendo terras raras, minerais críticos, alimentos, medicamentos e vacinas. </p>



<h2 class="wp-block-heading">Agente não é isenta de tensões</h2>



<p>A agenda, contudo, não é isenta de tensões. Os dois países competem em setores sensíveis, especialmente no agronegócio — açúcar, arroz, carne bovina, derivados de soja e algodão — além da produção de biocombustíveis e das indústrias química e farmacêutica. A visita presidencial busca, portanto, transformar rivalidade em complementaridade estratégica.</p>



<p>Em um cenário internacional que caminha para uma nova bipolaridade, marcado pela pressão dos Estados Unidos para conter a ascensão chinesa, Brasil e Índia procuram ampliar sua margem de manobra. </p>



<p>Não se trata de romper com Washington ou Pequim, mas de escapar da lógica de alinhamento automático. Como potências emergentes, buscam construir alternativas que transcendam o condomínio sino-americano e reafirmem a autonomia decisória do Sul Global.</p>



<p>A viagem de Lula a Nova Délhi reforça essa estratégia de diversificação e autonomia. Ampliar parceiros comerciais relevantes como a Índia é passo inevitável para um país que deseja elevar seu patamar nas Relações Internacionais. </p>



<h2 class="wp-block-heading">A lógica geopolítica mudou</h2>



<p>No século XXI, poder não se mede apenas por força militar ou alinhamentos rígidos, mas por capacidade de articulação, diversificação de vínculos e protagonismo normativo.</p>



<p>A lógica geopolítica mudou. O mundo já não é unipolar, tampouco plenamente bipolar. É fluido, interdependente e competitivo. </p>



<p>Nesse contexto, Brasil e Índia têm diante de si uma escolha histórica: permanecer como atores periféricos na disputa das grandes potências ou consolidar-se como pilares de uma nova arquitetura internacional. </p>



<p>A visita presidencial é um movimento nessa direção — e seus resultados dirão se o gesto diplomático se converterá em estratégia duradoura.</p>
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