A enfermeira Mônica Calazans, 54 anos, é a primeira pessoa a ser vacinada contra a Covid-19 no Brasil. A profissional de Saúde pertence ao grupo de risco por ser obesa, hipertensa e diabética, além de trabalhar diretamente na linha de frente contra a doença.
Calazans recebeu a dose da Coronavac, vacina produzida pela empresa chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, neste domingo (17).
A profissional foi vacinada assim que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, também neste domingo, o uso emergencial da Coronavac e da vacina de Oxford, produzida pela farmacêutica AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford, no Reino Unido.
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Governo paulista dá a largada na vacinação
O governo do Estado de São Paulo, que apostou na Coronavac desde o início, marcou o começo simbólico da vacinação com a aplicação da primeira dose.
Mulher, negra e com perfil de alto risco para complicações provocadas pelo novo coronavírus, Calazans não deixou de atuar nos hospitais da capital paulista para ajudar a salvar vidas, conforme destacou o governo de SP.
Já para a primeira pessoa vacinada no Brasil, a campanha de vacinação é uma oportunidade de recomeço para todos os brasileiros.
“Não é apenas uma vacina. É o recomeço de uma vida que pode ser justa, sem preconceitos e com garantia de que todos nós teremos as mesmas condições de viver dignamente, com saúde e bem-estar”, afirmou.
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Enfermeira começou a trabalhar no primeiro pico da doença em SP
Em maio, quando a primeira onda da pandemia entrava na fase de pico em São Paulo, Mônica decidiu se inscrever para vagas de enfermagem com contrato por tempo determinado.
Entre vários hospitais, a enfermeira escolheu trabalhar no Instituto de Infectologia Emílio Ribas mesmo sabendo que estaria no epicentro do combate à Covid.
Moradora de Itaquera, na zona leste da capital, Mônica trabalha em turnos de 12 horas, em dias alternados, na UTI do Emílio Ribas, hospital de referência para casos graves de Covid-19. O setor tem 60 leitos exclusivos para o atendimento a pacientes com coronavírus, com taxa de ocupação média de 90%.
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Diploma chegou aos 47 anos após 26 anos como auxiliar de enfermagem
Mônica atuou como auxiliar de enfermagem durante 26 anos e decidiu fazer faculdade já numa fase mais madura, obtendo o diploma aos 47 anos.
Viúva, ela mora com o filho, de 30 anos, e cuida da mãe, que aos 72 anos vive sozinha em outra casa.
Por isso, Mônica é minuciosa nos cuidados de higiene e distanciamento tanto no trabalho quanto em casa – até agora, nenhum dos três foi contaminado pelo coronavírus.
Apesar disso, Mônica viu a Covid-19 afetar sua família quando o irmão caçula, que é auxiliar de enfermagem e tem 44 anos, ficou internado por 20 dias devido à doença.
Apesar da rotina intensa, a enfermeira mantém o otimismo e o equilíbrio emocional. Torcedora do Corinthians, ela aproveita as folgas no hospital para assistir aos jogos do clube de coração. Mônica Calazans também é fã de de séries de TV e das canções de Seu Jorge, artista favorito da enfermeira.
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Primeira vacinadora também é mulher
A primeira vacinadora do Brasil também é mulher e enfermeira. Jéssica Pires de Camargo, 30 anos, atua na Coordenadoria de Controle de Doenças e mestre em Saúde Coletiva pela Santa Casa de São Paulo.
Com histórico de atuação em clínicas de vacinação e unidades de Vigilância em Saúde, Jéssica já aplicou milhares de doses em campanhas do SUS contra febre amarela, gripe, sarampo e outras doenças.
Para Jéssica, o início da vacinação contra a Covid-19 é um marco histórico na própria carreira e, sobretudo, para o Brasil.
“Não esperava ser a pessoa a aplicar a primeira dose. Isto me enche de orgulho e esperança de que mais pessoas sejam protegidas da Covid e que outros colegas possam sentir a mesma satisfação que sinto ao fazer parte disso. São mais de 52 mil profissionais de saúde mobilizados nesta campanha e cada um deve receber o devido reconhecimento”, afirmou .
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Mulher indígena também está entre as primeiras imunizadas
Além de Mônica, o governo paulista também vacinou, antes da campanha nacional, uma indígena. Vanuzia Costa Santos, 50 anos, moradora da aldeia Filhos Dessa Terra, em Guarulhos, foi a primeira indígena vacinada do país.

Vanuzia é técnica de enfermagem e assistente social e presidente do Conselho do Povo Kaimbé. Ela teve Covid em maio, sentindo sintomas severos como dor no corpo, tosse, falta de ar e ausência de paladar e de olfato que persistem até hoje.
“Fiquei muito feliz de participar desse momento. Sou defensora da vida, de outras vacinas, da prevenção, da saúde”, disse ela.
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Governo de SP largou na frente
O governo paulista, por meio do Instituto Butantan, tem parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac para a produção da vacina Coronavac.
Por meio desse acordo, o governo paulista já vem recebendo doses da vacina. O presidente Jair Bolsonaro trava uma guerra política com o governador de SP, João Doria, que negociou uma vacina antes do governo federal.
O acordo também prevê transferência de tecnologia para o Butantan, o que significa que o imunizante também será produzido no Brasil, na fábrica do Instituto.
Essas doses foram depois adquiridas pelo Ministério da Saúde, que deve utilizá-las no Programa Nacional de Imunização.
(Com informações do governo de SP e da Agência Brasil)

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