Às vésperas de o governo estadual divulgar o novo mapa das bandeiras de distanciamento controlado no Rio Grande do Sul, aumentou a pressão de segmentos empresariais contra as restrições da bandeira preta.
Em Santa Maria, entidades lançaram campanhas e manifestantes protestaram nos últimos dias. A tendência é que o governo mantenha as restrições por mais uma semana.
O alvo da indignação das categorias do empresariado é o conjunto de medidas restritivas decretadas pelo governo estadual;
Elas começaram sábado passado (27) e vão até o próximo domingo (7), inclusive com fechamento do chamado comércio de itens não essenciais e limitação até às 20h.
Há indicativos de que o governador Eduardo Leite (PSDB) anunciará sua decisão definitiva nesta quinta-feira (4), antecipando, mais uma vez, o mapa das bandeiras. E confirmando preta de novo.
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Medidas para tentar conter pandemia de Covid-19
O governo do Rio Grande do Sul decretou a medida para tentar conter o avanço da pandemia de Covid-19, que já matou 12.833 gaúchos, 180 deles nas últimas 24 horas.
Em Santa Maria, já morreram 262 pessoas desde 14 de maio do ano passado, data do primeiro caso.
O cenário da pandemia piorou com a superlotação de leitos hospitalares, falta de vagas de UTI nos hospitais e a circulação da variante P1 do novo coronavírus, que surgiu no Amazonas.
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Lojistas de braços cruzados
A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Santa Maria lançou a campanha “Empresas abertas salvam famílias” com a distribuição de mais dois mil cartazes para serem colocados nas lojas impedidas de funcionar.
A entidade pede que os lojistas tirem fotos, de braços cruzados, ao lado dos cartazes, para mostrar sua indignação. A ideia é postar as imagens nas redes sociais dos comerciantes e apoiadores.
“É importante ressaltar que não se trata apenas de um protesto contra o fechamento temporário, mas um apelo para que a população ajude, impedindo assim fechamentos definitivos de empresas que são o sustento de milhares de famílias santa-mariens”, diz nota publicada no site da CDL.
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Faixas em sinal de luto nas lojas
Na mesma linha, o Sindicato dos Lojistas de Santa Maria (Sindilojas Região Centro) abraçou uma iniciativa estadual da Fecomércio-RS e replica, na cidade, a campanha “O comércio quer trabalhar”.
O Sindilojas pede que os lojistas de Santa Maria e região coloquem faixas, balões e tecidos pretos em suas vitrines e fachadas para simbolizar “luto pelo comércio”.
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Outros segmentos protestam na rua
As campanhas da CDL e do Sindilojas de Santa Maria não são as únicas formas de protesto de setores empresariais no município.
Nesta quarta-feira (3), representantes de diversos segmentos voltaram a se manifestar em frente à prefeitura.
Foi o segundo o protesto na semana, e o quarto nos últimos dias na cidade. Os manifestantes chegaram a reclamar de bloqueio da carreata nesta quarta-feira, na Venâncio Aires, próximo à prefeitura.
As mobilizações incluem carreatas, buzinaços e discursos dirigidos principalmente ao prefeito Jorge Pozzobom (PSDB) e ao governador Eduardo Leite (PSDB), em cima de um caminhão de som.
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Comércio “noturno” e eventos na linha de frente
O movimento reúne lojistas e os chamados empresários noturnos. Nos protestos, há donos de loja, distribuidores de bebida, promotores de festas e eventos, donos de bares e restaurantes, além de comerciantes e prestadores de serviço em geral.
Os manifestantes também passaram a exigir que o prefeito compre vacinas, conforme prometeu em campanha. A prefeitura informa que formalizou participação em um consórcio de prefeitos para comprar a vacina.
“Nós só queremos trabalhar”, repetiam lideranças do movimento em cima do carro de som, enquanto outros veículos chegavam em carreata.
Um dos líderes do movimento falou no microfone que os agentes de trânsito estavam cerceando a liberdade de manifestação assegurada pela Constituição Federal.
Eles permaneceram por algum tempo em frente ao Centro Administrativo, sede da prefeitura, na Rua Venâncio Aires.
Nas redes sociais, defensores das medidas restritivas e defensores da flexibilização travam uma guerra de versões e posicionamentos, inclusive, em alguns casos, com postagens agressivas.
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Manifestações ecoam na Câmara de Vereadores
Na Câmara de Vereadores, os manifestantes têm três porta-vozes mais contundentes, que são os vereadores Pablo Pacheco e Roberta Leitão, ambos do Progressistas, e Tony Oliveira, do PSL. Os três se manifestaram.
Na sessão de terça-feira (2), Pacheco criticou as medidas restritivas e saiu em defesa das empresas que estão fechadas. Pacheco também defendeu a vacinação em Santa Maria.
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Parlamentares em lados opostos
“Tem muita gente que tem seus salários garantidos e que acha que (os manifestantes) são arruaceiros. Primeiro, acham que são multimilionários. São pessoas comuns. Alguns até têm condições melhores, mas as contas estão chegando”, disse Pacheco.
Confira o vídeo da sessão de terça-feira com as manifestações dos vereadores sobre vacinação, pandemia e restrições.
O parlamentar do Progressistas foi incisivo ao afirmar que “a culpa não é do comércio”, referindo-se ao avanço da pandemia.
O vereador do Progressistas disse também que “falta empatia do outro lado”, referindo-se aos que defendem as restrições.
Por fim, Pacheco cobrou que outras cidades fizeram “lockdowns” “de dois ou três dias”, enquanto Santa Maria fechou por mais tempo.
Como contraponto, o vereador do PT Ricardo Blattes chamou manifestantes de “piqueteiros” “que vão para cima de um caminhão negar a vacina e propagar a cloroquina”.
O petista referiu-se a movimentos realizados no ano passado e que reuniram algumas dessas lideranças. Ele também questionou os motivos dos manifestantes não questionarem os aumentos dos combustíveis.

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