GILSON PIBER
Jornalista
A crise sanitária causada pela pandemia de Covid-19 deveria nos trazer muitos ensinamentos. Falo “deveria”, no futuro do pretérito, porque ainda vejo muitas pessoas negarem a doença e o estrago causado pelo vírus.
Pior do que isso, é a falta de cuidados básicos com si próprio e os demais que habitam ou transitam em um ambiente coletivo. Falta amor à vida, falta respeito ao próximo, falta agir como cidadão.
Ampliar leitos nos hospitais para tratar os doentes da Covid é, como ouvi de vários profissionais da saúde, “enxugar gelo”. Quem trabalha numa unidade covid está desgastado e devastado pelo cenário diário.
GILSON PIBER: A árdua missão de fiscalizar
E quem se preocupa com isso? Quem leva em conta a condição física e mental de médicos e profissionais de enfermagem?
Eles são feitos de carne e osso, e têm família. No entanto, já ouvi de algumas pessoas, também, as expressões “azar deles” e “é a profissão deles”.
Não há compaixão, não há empatia. O outro, ao que parece, é visto como mercadoria, um número. Ele está ali para servir como um mero escravo da profissão que escolheu.
Para os mentecaptos da pandemia, o grande barato é fazer festas clandestinas, consumir bebidas alcoólicas em via pública, andar sem máscara, xingar agentes de fiscalização etc.
GILSON PIBER: Covid, pobreza e fome
O que fazer com essa gente? É tudo muito triste e desolador. O pior é que quem deveria dar o exemplo, age de forma incorreta também. Desdenha do vírus e daqueles que procuram seguir as normas sanitárias recomendadas pelos especialistas para evitar o contágio.
Então, como um milagre bíblico, talvez, o jeito seja esperar que algo divino ocorra e a pandemia dê uma trégua.
Ou, ainda, que devaneios comunistas virem realidade, como a vacina contra a Covid-19 para todos e o mais breve possível.
Enquanto os milagres divinos e os desvaneios comunistas não aparecem, determinadas pessoas optam por odiar a ciência, a universidade, os intelectuais, a arte, a cultura, a sociologia, a filosofia, a história, entre outras ações repugnantes.
GILSON PIBER: Por uma Santa Maria mais limpa
Mas não nos enganemos. O caos, ainda mais durante uma pandemia, interessa a muita gente. É “um período para novas oportunidades e muitos dividendos”. Muitos perdem com o vírus. Entretanto, outros ganham.
Ao pesquisar pela Internet, encontrei o artigo “A engenharia do caos – É essa a nova política?”, de Reginaldo Carmello Corrêa de Moraes, professor aposentado e colaborador na pós-graduação em Ciência Política do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp (SP).

No texto, Moraes faz uma análise do livro “Les ingénieurs du Chaos”, do ítalo-francês Giuliano da Empoli, lançado em 2019.
GILSON PIBER – Opinião: Pandemia rejuvenesce
Em um trecho da sua análise, Moraes destaca que “a leitura de nosso prezado da Empoli me parece levar a uma impressão imediata: o presente carnaval da desrazão tem como bloco maior a emergência ou deslanche dos movimentos populistas da nova direita, uma direita extremista, raivosa, infensa à convivência com diferentes visões de mundo.
Esse turbilhão político tem duas raízes. Uma delas é a raiva ou ressentimento que toma certos meios populares. Um outro, as máquinas que oferecem carne a tal fome”.
Falaria agora de pão e circo, mas isso fica para outra ocasião.

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