JULIO PUJOL
Professor de História e consultor político
A política é sobretudo, e antes de tudo, uma pedagogia. Ela precisa, o tempo todo, ler a situação concreta de uma determinada sociedade e identificar os pontos de saída, os pontos de distencionamento de determinadas situações.
Portanto, a boa e real política é uma política de distensionamento, de construção de convergências possíveis, de solução de problemáticas sociológicas e sociais. Não é uma tensionadora ou uma causadora.
Mas vivemos um tempo fluído, em que a ignorância ganha status de importância. Um tempo em que se provoca para diferenciar, e se diferencia para provocar. Induzimos nosso povo a votar contra. Seja lá ao que for. E sendo contra o lado de lá, então deve votar do lado de cá. Não tem saída.
Mas, como disse, a verdadeira política é uma outra coisa. É uma pedagogia. Ela deve ser o espaço da tolerância, de busca de soluções e de construção de convergências.
PUJOL: Despolarizados
O que sustenta a política é o voto. São as coordenadas que o povo aponta a cada instante. E o bom político deve saber lê-las. Acontece que vivemos um tempo fluido, com um toque de esquizofrenia coletiva.
E os políticos, ou os representantes políticos, são, em última instância, a parte exposta desta esquizofrenia coletiva.
As coisas se misturaram. Nossos políticos, atualmente, não se diferenciam do pensamento de senso comum. Parece que quanto menos rico um pensamento, melhor. Afinal, tudo é uma coisa só, e ninguém tem a saída mesmo. Resta o desencanto. E, perigosamente, a violência.

Tenho observado, em alguns municípios como Porto Alegre, Santa Maria, e outros, que a polarização, a radicalização, o rebaixamento intelectual e argumentativo têm avançado aceleradamente. Falta o espaço do diálogo, da escuta, da construção, e até mesmo do respeito, em muitos momentos.
JULIO PUJOL: O que é uma Alta Política?
Vemos no Brasil um presidente usando uma linguagem da mais baixa civilidade. E seu entorno repercutindo esse despropósito. No senado, na CPI, tornou-se comum senadores, ministros, chamarem-se de mentirosos.
Homens e mulheres maduros, senadores da república, ministros de estado… Isso é a antipedagogia, a antipolítica.
Como disse, o preocupante é que essa postura intransigente e, de certa forma não democrática, tem avançado nos espaços municipais, nas nossas Câmaras Municipais, que desde o Brasil colônia são os espaços do debate e das decisões que afetam as mais longínquas comunidades.
JULIO PUJOL: “No Alvoroço da Festa” – A Irmandade do Rosário
E desses espaços institucionais, alicerces de nossa democracia, repercutem também para os outros espaços municipais. Para a imprensa local, para as rádios, para as associações, para as entidades de classe e assim por diante.
Todos tem a razão. E ao final das contas nos encontramos perdidos, odiando o diferente (projetando), imaginando que se eliminássemos o outro teríamos um país melhor. Quando, de fato, nossa maior riqueza enquanto nação é nossa diferença.
PUJOL: Testagem pela vida
Estarei obstinadamente na trincheira dos que querem resgatar uma política que seja de convergência, de respeito e de diálogo. Uma política que pense no futuro do país e não seja uma projeção de nossas frustrações e infantilidades individuais (projetadas) no coletivo.
Tenho percebido outras vozes surgindo nessa direção. Vozes e mentes que começam a perceber que estamos caminhando um caminho perigoso e que precisamos urgentemente mudar o rumo.
A boa política deve entrar em campo e fazer a sua pedagogia. Nosso povo quer a paz, quer o progresso e quer um futuro.
Manifesto: Pela vida, pela paz civil e pelos empregos
Etimologicamente, “sociedade” quer dizer “ser sócio”, ou seja, somos todos sócios. Somos brasileiros. Temos que conseguir encontrar uma saída em que todos possam usufruir, em paz, desse grande (gigante) bem que é o Brasil. Nesta vida. Neste tempo. Nesta geração.

Aos que conseguem distinguir este cenário cumpre uma obrigação: agir. Em qualquer campo e em qualquer âmbito social. Não é tempo da omissão.

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