O Instituto-Geral de Perícias (IGP) do Rio Grande do Sul identificou uma nova droga sintética e que pode levar à morte. Em formato de um pequeno selo de papel, a 5F-MDMB-PICA tem efeito semelhante ao da maconha.
Em outros países, esse tipo de droga sintética com efeitos semelhantes ao da cannabis é conhecida como maconha falsa. Nos Estados, é fake weed.
Porém, um simples descuido pode matar, pois, segundo os peritos do IGP, a diferença entre a dose recreativa e a tóxica é pequena.
Foi o que aconteceu em 2018 com um adolescente de Igrejinha, município da Região Metropolitana de Porto Alegre. O jovem consumiu uma droga sintética bastante semelhante a essa e morreu.
A nova droga foi descoberta durante testes no Departamento de Perícias Laboratoriais do IGP, que afirma ser a primeira vez que esse entorpecente passou por perícia no Rio Grande do Sul. A confirmação foi feita nessa segunda-feira (28) pelo IGP. Isso leva a crer que a droga seja nova no Estado.
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Canabinoide de laboratório
A substância faz parte de um grupo de drogas conhecido como K4: canabinoides sintéticos produzidos em laboratório.
“A molécula da 5F-MDMB-PICA tem o formato semelhante ao da maconha, por isso, quando o usuário ingere o selo, ele se liga aos mesmos receptores do cérebro, causando efeitos semelhantes ao da cannabis sativa”, explica a chefe da Divisão de Química Forense do IGP, Lara Soccol Gris.
A identificação da droga é um trabalho minucioso realizado em várias etapas. No laboratório do DPL, os técnicos peritos diluíram a amostra a apreendida e depois analisaram o conteúdo em um equipamento especial.
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Como digital de substâncias
O aparelho tem um banco de dados capaz de reconhecer a composição química de milhares de substâncias, como se fosse a impressão digital das moléculas. A droga foi identificada pelo equipamento.

Porém, por exigência do padrão de qualidade seguido pelo IGP, é necessário comparar a amostra em análise com um exemplar de referência, sem impurezas – o chamado padrão analítico.
No IGP, quando uma substância ainda não identificada chega para perícia e não há padrão analítico de comparação, os peritos criminais avaliam os caminhos para se chegar à identificação química.
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PF auxiliou na investigação
A opção inicial seria importar o padrão de empresas que produzem, mas o processo é mais demorado, caro e pode não ter uma boa relação entre custo e benefício, pois a composição das drogas sintéticas muda constantemente.
No caso da 5F-MDMB-PICA, o padrão acabou sendo fornecido pela Polícia Federal, que já havia feito esse trabalho em Brasília.
Essa parceria é importante para cumprir todo o protocolo e assegurar a qualidade do laudo pericial.
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Droga foi apreendida na Capital
A apreensão aconteceu no dia 27 de janeiro em Porto Alegre. Um indivíduo foi preso com uma mochila onde estavam 36 selos, semelhantes a ácido lisérgico, um alucinógeno conhecido como LSD.
A identificação da droga é fundamental para enquadrar criminalmente pessoas presas com a substância. Se o material não é tipificado como proscrito pela legislação, não há justificativa para a prisão.
Periodicamente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) atualiza a lista de substâncias proibidas no país.
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Burlando a legislação
A velocidade do órgão, no entanto, é mais baixa do que a dos produtores das designers drugs (pessoas com formação em Química ou Farmácia, que alteram a composição das drogas já proibidas para que elas possam ser vendidas, burlando a legislação).
“É importante que a nossa capacidade de detecção acompanhe o ritmo de produção dessas novas drogas para fornecer a prova pericial necessária para a investigação policial”, afirma a perita criminal Bruna Gauer, responsável pela identificação da nova droga.
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Efeitos podem levar à morte
O diretor do Departamento de Perícias Laboratoriais do IGP, Daniel Scolmeister, alerta para os riscos no consumo dessas substâncias, que normalmente são vendidas em formato de selo.

Scolmeister lembra que, além de serem mais potentes que a maconha, os canabinoides sintéticos, como a “maconha fake”, produzem efeitos cardiovasculares adversos mais graves.
Conforme ele, já existem na literatura internacional casos de intoxicação relatando estado mental alterado, aumento da ansiedade, euforia, perda de consciência e taquicardia significativa, o que pode levar à morte.
“As pessoas podem pensar que por serem chamadas de maconha falsa (fake weed) essas substâncias têm os mesmos efeitos que a maconha comum, mas estão enganadas”, afirma Scolmeister.
(Com informações da Assessoria de Comunicação do IGP)

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