JULIO PUJOL
Professor de História e consultor político
As manchetes dos sites e jornais do estado estamparam nessa terça-feira o seguinte: “Assinado em Santa Cruz contrato de concessão da RSC – 287” e suas variáveis. Nada fora do previsto.
Houve todo um processo de estudo e discussão. A concessão é por trinta anos. Santa Cruz do Sul fica próximo da metade do caminho. Serão duzentos quilômetros de manutenção e duplicação, vindo da Tabaí (ou de Tabaí) a Santa Maria. Tudo normal.
Serão três novas praças de pedágio, em Tabaí, Paraíso do Sul e Santa Maria. Também tudo normal. Claro, serão mantidos os atuas pedágios de Venâncio Aires e Candelária; além daquele que já existe na Tabaí-Canoas que pertence a outra empresa. Os pedágios custarão em torno de 3,6 reais.
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A estrada será administrada pela empresa Sacyr, espanhola, vencedora da concorrência. Serão investidos 2,7 bilhões em 30 anos (30 anos). 1 bilhão nos primeiros dez anos. Imediatamente iniciarão as melhorias da estrada, mas o processo de duplicação iniciará somente em 2023, pelas áreas urbanas do trecho, ou seja, os acessos aos municípios.
A sede da empresa será no município de Santa Cruz do Sul. Tudo normal, pela localização do município.
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E SANTA MARIA?
De modo resumido, feitas as obras urbanas, a duplicação deverá ser concluída até Santa Cruz no sexto ano da consessão, até Candelária no oitavo ano e até Novo Cabrais, no nono ano.
E Santa Maria? Bem, embora já pagando pedágio há oito anos, Santa Maria só entrará no calendário de obras no décimo nono ano, ou vigésimo primeiro. Sim, 19 ou 21 anos. Claro, sempre pagando o pedágio.
O que poderá ser antecipado dependendo do aumento do fluxo do trecho próximo à Santa Maria. Que tal; 19 ou 21 anos…
Portanto, o santa-mariense pagará pedágio por vinte anos por exemplo, para ir a Quarta Colônia, a Novo Cabrais, sem ter a rodovia duplicada.
E pagará durante vinte anos para ir para a região de Porto Alegre, litoral, por exemplo, nos mesmos vinte anos, tendo a duplicação somente a partir de Novo Cabrais, no nono ano. Sem contar os amigos de São Pedro, São Sepé, etc., etc., que pagarão do mesmo modo que o santa-mariense.
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ACORDA SANTA MARIA
O vereador Claudio Spanhol criou um movimento a partir da Câmara Municipal de São João do Polêsine pela “Duplicação Total da RSC – 287” propondo que as obras de duplicação da estrada iniciem ‘pelas duas pontas’, como se refere.
Ou seja, feitas as obras urbanas, a duplicação deverá iniciar por Tabaí e por Santa Maria ao mesmo tempo, porque senão travará o desenvolvimento da região agregando um novo custo, por exemplo, para quem vive em um dos municípios da região e vem diariamente trabalhar em Santa Maria, ou frequentar o comércio, a Universidade, etc., ou vice-versa, para quem, vivendo em Santa Maria frequenta os municípios da região em busca de laser, turismo, etc.
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O Movimento ‘Duplicação Total’ já conta com o apoio dos prefeitos dos municípios de Polêsine, de Restinga Sêca entre outros, além de vereadores e lideranças empresariais e sociais.
Segundo Spanhol, é um absurdo por exemplo, alguém vir de Santa Maria, ou do aeroporto de Santa Maria e pagar pedágio para visitar a Quarta Colônia, as Termas Romanas, Vale Vêneto, e ter que pagar pedágio sem ter a melhoria devida da estrada.
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O Movimento não é contra o pagamento do pedágio, mas é uma questão de justiça. Não se pode ficar pagando pedágio por 20 anos para só depois ter a duplicação. Houve um cochilo da região. As características de integração da Região não foram levadas em conta.
Spanhol afirmou que vai procurar todos os prefeitos, vereadores e lideranças da Região Central para criar um movimento que pressione a nova concessionária a rever o seu cronograma de obras.
Já assinei meu apoio ao Movimento.

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